A economia do Brasil sofre, como muitas da Europa, do excesso de intervenção do Estado em seu âmago: a livre concorrência. Nesta semana podemos sentir a prova cabal desta doença crí´nica que enfraquece naçíµes. í‰ que o Banco Central não baixou mais a taxa CELIC, í quela que ilumina os juros da economia. O mercado espera sempre que a taxa baixe, afinal, países que se desenvolvem operam com juros anuais muito abaixo dos 7,5% que o BC sugere…
As justificativas de analistas e do próprio BC colocam a inflação no banco dos réus. Como se o aumento dos preços fosse o fantasma das açíµes de melhora da competitividade de nossa economia, técnicos conservadores pegam-na como bode expiatório fácil de utilizar como bengala. E os problemas reais estruturais da nação vão ficando como estão. A reunião do COPOM e a taxa SELIC acompanham as metas dos economistas do governo como remédio para cardíaco no bolso. O superávit primário acompanha como meta maior, prometida por governos e governos como sagrado, num movimento aberto em busca do pagamento da dívida da nação.
Acontece que o maior antídoto contra a inflação é a livre concorrência. Estados Unidos e Japão cresceram em suas épocas áureas, assumindo que o mercado é global e a busca de mais qualidade, mais produtividade e menos preço para os produtos é o tripé mágico. Japoneses entraram no mercado dos EUA, americanos compraram participação em empresas japonesas, e o fluxo ficou bom para os dois países. O âmago das duas açíµes foi a livre concorrência, ou seja, a saudável competição.
Mas os brasileiros insistem que a competição é um mal. Os próprios empresários do Brasil, na sua maioria, pregam moral de cuecas ao militarem por liberdade, mas nos bastidores buscarem medidas protecionistas para suas empresas. Isto é lutar para colocar Pimenta, mas nos olhos dos outros. A questão do aumento do dólar pedido pela categoria é um exemplo. Ao não serem competitivos, ou projetarem lucros maiores do que os da média dos setores econí´micos, militantes da liberdade dão um tiro no próprio pé. Pedem intervenção do Estado na cotação do dólar e acabam dando carta branca ao mesmo Estado para que se sinta í vontade pra entrar em seus próprios negócios, o que gera um ciclo vicioso.
O problema do Brasil é o ambiente da produção. Impostos altos, salários públicos altíssimos em relação í média salarial do setor privado, baixo investimento em infraestrutura, e submissão í corporação política como um todo. Na questão econí´mica, no entanto, a busca da abertura maior do mercado aos produtores internacionais seria um caminho saudável, aberto, moderno, competitivo. Para baixar o preço dos automóveis, por exemplo, basta abrir para que empresas de fora coloquem seus produtos similares aqui. Se elas (empresas) tiverem chance, acabam em um futuro próximo, abrindo indústrias no Brasil, como já vem acontecendo com algumas empresas multinacionais por aqui e acontece em exponencial crescimento na China. E, aí, os produtores internos são obrigados a serem mais competitivos, baixando preços, melhorando a produtividade. Este é um ciclo virtuoso de combate í inflação: a competição.
Para baixar o preço de commodities, como petróleo, gasolina, soja, milho, etc., basta, também, abrir a competição em nível internacional, através da diminuição das alíquotas do imposto de importação e da diminuição das barreiras comerciais corporativas dos setores. Isto obriga que a produção nacional se volte para competir no mercado interno ao invés de aumentar seus preços baseado na demanda externa, como assistimos atualmente na questão da soja, que aumentou abruptamente no mercado interno, encarecendo toda a cadeia produtiva de frangos. Abrir o mercado para a importação de ração do exterior seria uma fórmula de evitar isto.
í‰ claro que esta atitude não é simples. Demanda coragem dos governantes, atitude reta e sistêmica do Congresso Nacional, que assina as leis e pode criar barreiras legais para as açíµes do governo. Mas a assunção de utilizar a concorrência como o melhor antídoto contra a inflação, poderia tornar o Brasil uma nação que ocupa a estrada certa rumo ao desenvolvimento sustentável. Com mais abertura, as empresas se obrigam a trabalhar pela competitividade, exigindo, por exemplo, a diminuição de taxas de importação de máquinas que modernizam o setor ao invés de brigarem pela taxa de Câmbio e artificializarem a economia, correndo com o Capital internacional do país, como vem ocorrendo no setor especulativo, que nada mais é do que o setor financeiro, que caminha para onde é mais bem remunerado, desde que o mundo existe.
Não é aumentando o salário das cúpulas do setor público, como vem ocorrendo no Brasil, que a nação irá se desenvolver. Ao contrário, caminha para a falência como está acontecendo em vários países da Europa, que se socializaram em demasia e, consequentemente, estão sendo obrigados a desfazer o erro, com custos econí´micos e sociais visíveis e necessidade de submissão í organismos internacionais ou í países, como í Alemanha, que quer colaborar, mas quer ditar as regras, o que é normal, pois colocar dinheiro em outra nação só é coerente se há obediência de regras.
Não é artificializando o dólar e criando barreiras que o país terá uma indústria competitiva e sustentável internacionalmente. O processo leva í morte lenta, como vem ocorrendo na Argentina e, em economias comunistas, ocasionou na total bancarrota do sistema econí´mico e social.
Abrir a economia, baixar impostos e tornar a máquina pública enxuta, voltada somente para as questíµes primordiais do país, como a Saúde, a Educação, a Segurança e a infraestrutura, principalmente í quela infraestrutura que beneficia e diminuir os custos do sistema produtivo, como na Energia, nas Estradas, na desburocratização e na modernização dos Portos, seria a estrada certa do Brasil. Com estas medidas, certamente não teríamos a mídia divulgando mensalmente a taxa de juros do COPOM, como se esta fosse a saída ou a entrada no paraíso do desenvolvimento.


