OPINIíO – Transparência?

27 de janeiro de 2013

 

Um cidadão torrense presenciou na semana um acidente de bicicleta, onde o condutor da Bike acidentado ficou no chão, esperando por mais de uma hora o atendimento do SAMU (Serviço Ambulatorial Unificado). O cidadão filmou tudo e, no filme, uma atendente da ambulância, que chegara após os 60 minutos de sofrimento do acidentado,  diz que o serviço teria achado que era trote. Lastimável, em todos os sentidos. Lastimável por termos uma prova cabal do quão os trotes para o 192 são corriqueiros e o quão os servidores, erradamente, se utilizam da mazela como uma das bengalas que justificam o injustificável.

Mas o pior veio a seguir. Um servidor da SAMU em Torres tomou as dores do parto e entrou com uma ocorrência policial na DP de Torres, acusando o cidadão ( que divulgou o que presenciou) de injúria e difamação. Justamente acusou quem filmou o ocorrido e prestou ALTO serviço í  comunidade, que entendeu onde estavam as falhas de atendimento e pode, aí­, fazer seu próprio julgamento.

Onde está a prática do discurso dos homens públicos que militam sobre a tal da transparência, quando deixam subordinados coagirem simples viventes para não reclamar do que têm direito,  e até têm OBRIGAí‡íƒO de fazê-lo?   Por que tentar calar quem simplesmente serviu como um agente social para mostrar um problema (grave)?

Sabe-se que o sistema de Saúde no RS é uma verdadeira arapuca para os administradores, incluindo aí­ os dirigentes, os secretários municipais e estaduais.  As diretrizes nacionais são as maiores culpadas. Mas tentar esconder  se trata de método de governos ditatoriais e autocráticos. Que pena. Ah… a culpa é TOTALMENTE DO SISTEMA ESTADUAL DE CENTRALIZAí‡íƒO DO SISTEMA DO SAMU. Não tem nada a ver com o sistema municipal, que neste caso CUMPRE ORDEMS superiores,  fruto do  imperialismo que reina no mundo da polí­tica brasileira como um todo.

 

Transparência II

 

O vereador Machado (PT), presidente da Câmara Municipal de Torres, clareou a população sobre a legalidade da negativa do Pedido de Informaçíµes feita pelo vereador Alessandro (PMDB) na sessão retrasada da Câmara. Mas isto não tira o espí­rito pouco transparente que a base aliada demonstra quanto ao processo, ao não acatar por voto, um pedido simples de informação.

O presidente Machado não tem o poder de exigir nada fora do regimento, portanto não está junto com os outros oito vereadores que negaram í  sociedade a informação, pois o presidente não vota e não sei qual seria seu voto caso votasse, voto este que ele (Machado) não abriu. Mas a base aliada, da qual o vereador petista faz parte, se comportou, sim, como uma censura. Negar informação é censurar. Punto e basta.

 

Verdadeira transparência

 

Por outro lado, o presidente da casa e sua mesa diretora demonstram que querem ver os edis discutindo um pouco mais as questíµes que envolvem a comunidade, mesmo que elas não sejam oriundas de projetos de lei. A dinâmica da casa legislativa torrense mudou. Neste iní­cio de legislatura, a presidência está colocando em discussão separadamente todos os Pedidos de Providências. Estes, ao contrário dos pedidos de informação, podem (e devem ser) em certos casos eliminados. í‰ claro, após abrir debate de ambas as partes, requerente do pedido e eventuais oposicionistas í  matéria, para que mastiguem bem o assunto, abrindo, í s vezes, debates bastante interessantes.

Digo que em alguns casos é saudável o debate e até a rejeição, porque até membros da base governista insistem em pedir que a prefeitura realize coisas que são corriqueiras em uma municipalidade, como, por exemplo,  troca de lâmpadas, tapamento de buracos, asfaltamento de vias, dentre outras… E o vereador NíƒO í‰ ELEITO PARA EXECUTAR. Seu mandato é para LEGISLAR e para FISCALIZAR o cumprimento das leis da municipalidade. Mas muitos insistem em ter seus 10 minutos de fama pedindo providências operacionais, dando uma de prefeito, quando não o é.

Parabéns ao presidente Machado. Sugiro que todas as matérias de providências sejam debatidas e votadas. Mas ainda insisto que pedido de informação deveriam ser TODOS aprovados. Mesmo que o regimento interno permita que sejam rejeitados. Neste caso, o regimento é censor, é autocrático, pouco democrático e prejudicial í  sociedade. Que mude o regimento, então…

 

Coronel no próprio exército?

 

Foram os  Coronéis de cima do morro que me impediram e me intimidaram. Esta foi a resposta do vereador Dê Goulart í  indagação de um colega durante seu pronunciamento na última sessão da Câmara Municipal, realizada na segunda-feira (21). A pergunta  era sobre o porquê da recuada quando de sua abrupta intervenção, no ano de 2007, quando vice-prefeito, mas como prefeito em exercí­cio, na saí­da de uma das férias do prefeito João Alberto í  época, onde Dê colocou a possibilidade da chegada, em linha reta, dos veí­culos a beira da praia, entre a Prainha e a Praça XV de Novembro. Atualmente TODOS devem fazer o retorno, ou entrando í  direita ou í  esquerda, na esquina da rua XV de Novembro com a Rua Júlio de Castilhos.

O objetivo do atual vereador era nobre e coerente. Mas na época, lojistas e donos de hotéis da região, no centro antigo da cidade reclamaram, pressionaram e tudo voltou como era antes… como é desde mil novecentos e antigamente…

Deomar Goulart afirmou na tribuna que vai voltar í  mesma carga. Vai pedir junto í  prefeita Ní­lvia e sua equipe que faça í quilo que acredita o que eu, particularmente e humildemente apoio.  O vereador Dê disse, ainda, que desta vez irá deixar para realizar a mudança em um dia fora da temporada e de chuva, para não alertar muito os oponentes. Ele brincou e lembrou que foi execrado í  época… justamente por realizar a mudança em plena temporada… e em dia de sol…

Só lembro o vereador do PDT, que os Coronéis da época ainda são os mesmos, caso sua assertiva de rotulá-los desta forma seja verdadeira, seja justa. Inclusive a maioria milita e militou na campanha pelos mesmos partidos que estão na Base do Governo Ní­lvia, para não errar e dizer que são TODOS. E alguns… Coronéis estão dentro de seu próprio PDT. Vamos ver quem é Coronel e quem é soldado?

 

Hotelaria de mendigos?

 

O assunto principal em debate na última sessão da Câmara Municipal, realizada na segunda, dia 21, acabou orbitando na questão de ter ou não ter uma espécie de Casa de Passagem para os andarilhos, moradores de rua que habitam as praças de Torres. A vereadora Lú (PT) introduziu o assunto, inclusive elogiando a matéria veiculada na última edição de A FOLHA, produzida pelo jornalista Guilherme Rocha. O elogio foi para o material, mas principalmente pela abordagem do jornalista ao tema, que colocou o assunto na visão do próprio andarilho e suas mazelas, valorizando, acima de tudo, a suposta liberdade que os protagonistas buscam, chegando ao ponto de não quererem em alguns casos nem ter endereço para voltar ao final da jornada diária.

O vereador Tubarão (PMDB), que exerceu durante quatro anos a função de Secretário de Ação Social, no governo João Alberto, portanto ainda com todas as questíµes bem presentes referente ao assunto, alertou para o risco de a cidade se transformar em uma espécie de destino turí­stico da categoria. Ele lembrou que, além deste risco, muitos dos andantes e habitantes usuais das praças de Torres são, ainda, nascidos e criados na cidade, com famí­lias, muitas delas bem presentes por aqui. Sugeriu o experiente vereador no assunto, que se trabalhe uma forma de tentar efetivamente reintegrar os andarilhos í  sociedade, que, conforme relatou, são viciados crí´nicos em álcool, principalmente, e, em alguns casos, em outras drogas.

Acho mais importante uma casa de passagem para mulheres em situação de risco de violência doméstica do que para andarilhos. A questão das mulheres é muito mais aguda, já que a falta em muitos casos de poder econí´mico para manter-se e, principalmente, manter os filhos, quase que obriga as mulheres que efetivamente são ví­timas de agressíµes domésticas que sucumbam ao perdão do marido (companheiro “ mui amigo), voltem para casa e invariavelmente sejam ví­timas de mais agressíµes, que em muitos casos podem se transformar em óbito, conforme estatí­sticas até locais.

Mas os andarilhos necessitam de uma polí­tica pública. Talvez a desintoxicação em um leito de hospital e, após, uma passagem por alguma instituição como o CAPS, talvez com leitos (poucos) para algumas noites seja o suficiente. O resto, acho eu, que fica í  cargo das famí­lias, que devem ter compromisso com seu doente, ao invés de deixá-lo depositado em ruas e dependendo de babás do Estado.

 

 

 

 

 

 

 


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