Iemanjá: Rainha do Mar

2 de fevereiro de 2013

 

Estátua de Iemanjá em Bella Torres

 

                      Você certamente  já ouviu falar da festa em homenagem í  Iemanjá, a "Rainha do mar", que ocorre todo o dia 2 de fevereiro aqui em Torres (e principalmente no Nordeste). Quem já passou uma virada de ano na beira da praia, também reparou que várias pessoas depositam no mar oferendas para a divindade do candomblé, além de pularem sete ondas como forma de pedir sorte í  orixá.

                      Protagonista de milhíµes de lendas, Iemanjá se multiplica em várias versíµes e se transforma de acordo com a cultura. Seu mito chegou ao Brasil nos tempos coloniais, trazido pelos escravos. Em terras africanas era a deusa do rio Ogun, considerada rainha das águas doces. Entre nós, brasileiros, ela se tornou a rainha do mar.

 

                  Feriado

                     

                      Existe um sincretismo entre a santa católica Nossa Senhora dos Navegantes e a orixá Iemanjá. Em alguns momentos, inclusive, festas em homenagem as duas se fundem, como ocorre anualmente no dia 02 de fevereiro. O da é feriado municipal em 38 cidades do RS (dados de 2012), inclusive aqui em Torres e em Porto Alegre (cidade onde Nossa Senhora dos Navegantes é padroeira)

                      Os devotos entregam í  deusa flores brancas, alimentos, bebidas, perfumes, espelhos, correntes e tudo o que possa proporcionar proteção e um ano de prosperidade. Esses presentes são lançados ao mar ou colocados dentro de um barco pequeno (isopor ou madeira). Grandes procissíµes de barcos pesqueiros também costumam ser feitas nesse dia.

 

                  Sobre Iemanjá

                     

                      Os cabelos negros, os traços delicados e os seios fartos sintetizam na bela divindade o arquétipo da maternidade. Pois é esse seu grande valor: acolher a todos que lhe pedem ajuda, sem julgar nem minimizar a dor de ninguém. Isso lhe vale mais um tí­tulo, o de deusa da compaixão, do perdão e do amor incondicional.

                      Iemanjá é proveniente de uma nação chamada Egbá, na Nigéria, onde existe um rio com o mesmo nome deste orixá. O nome Iemanjá significa a ‘mãe dos filhos-peixe’. Ela seria filha de Olokum (mar) e mãe da maioria dos Orixás. Na ífrica, é associada í  fertilidade e fecundidade.

                      Nas danças mí­ticas, seus iniciados imitam o movimento das ondas executando curiosos gestos, como se estivessem nadando no mar. Ela segura um leque de metal e um espelho. O seu leque, chamado abebê, tem em seu centro um recorte, onde surge o desenho de uma sereia. Em outros modelos deste apetrecho, constam a lua e a estrela. Complacente e pródiga, a mãe das águas é responsável pela pescaria farta.

 

                  A lenda da Rainha do Mar

 

                      Filha de Olokum, Iemanjá era casada com Oduduá, com quem teve dez filhos orixás. Por amamentá-los, ficou com seios enormes, fazendo com que mal conseguisse visitar outros reinos. Cansada e sentindo-se muito carente por morar em Ifé, ela saiu em direção ao oeste e conheceu o rei Okerê. Logo se apaixonou e ambos casaram-se. Envergonhada de seus seios muito fartos, Iemanjá pediu ao esposo que nunca a ridicularizasse por isso. Ele concordou; porém, um dia, embriagou-se e começou a gracejar sobre os enormes seios da esposa. Entristecida, Iemanjá fugiu.

                      Desde menina, ela carregava consigo uma poção numa garrafa que a mãe lhe dera para casos de perigo. Okerê pediu desculpas, mas Iemanjá correu deixando cair a garrafa. A poção transformou-a num rio cujo leito seguiu em direção ao mar. Okerê, arrependido, transformou-se numa montanha para barrar o curso das águas. Iemanjá pediu ajuda ao seu filho Xangí´ e com um raio, partiu a montanha ao meio. Assim, o rio seguiu para o oceano e, dessa forma, Iemanjá tornou-se a rainha do mar.

 


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