Nesta semana que passou a cidade de Torres conviveu de perto com os reflexos dos excessos cometidos por homens e mulheres públicos. Muitas vezes, havidos por conquistas de votos, anunciam coisas e prometem projetos e conquistas acima de suas possibilidades, muito além, inclusive, de sua competência.
Dois vereadores do PT foram, ativamente, a uma emissora de rádio da cidade informar, em primeira mão, da vinda de uma unidade da Escola Técnica Federal para Torres. Foram í rádios felizes, contentes com a conquista da cidade, mas foram lá também abraçar os louros do intento cidadão. A prefeitura local, do mesmo PT dos dois vereadores, acreditou a foi adiante. Utilizou sua estrutura de comunicação social para emitir uma nota confirmando peremptoriamente a vinda da Escola. E os jornais, também comemorando o feito para os torrenses, trataram de difundir a notícia, nos moldes das linhas editoriais das publicaçíµes. E a comemoração atravessou fronteiras pela velocidade que a internet e as redes sociais possibilitam. Mas não estava concreta a conquista. Pela carta que a imprensa recebeu de um servidor oficial do MEC, nada de certo existe. A mesma carta, ainda, criticou a imprensa, por ser ela a causadora do mal entendido.
Trata-se de um alerta í sociedade. O excesso de ansiedade de alguns políticos de todas as categorias, havidos de conquistarem para si alguns feitos públicos perante o eleitorado, acaba confundindo a tudo e a todos. Não se pode dar créditos a pessoas sem competência legal em suas funçíµes para que consigam o que não é de sua esfera. Assim como a sociedade não deveria cobrar das pessoas aquilo que deveriam cobrar de outras.
A conquista da Escola Técnica Federal é da cidade de Torres. O trabalho já vem sendo feito por vários partidos desde 2009. Vereadores que hoje já não estão com mandato foram incansáveis em utilizar suas articulaçíµes políticas e seus atributos positivos para buscarem para a cidade esta tão sonhada escola pública bancada pelo governo federal. Assim como vereadores atuais continuaram sua luta: tudo em nome da Escola. Mas quem tem a competência jurídica para implementar o feito é o poder executivo. Os vereadores que lutam pela causa devem ter a humildade de deixar o í´nus para quem efetivamente faz o gol. Embora a jogada possa ser em equipe, quem tem competência legal para realizar o feito é a prefeitura de Torres. O anúncio deveria e deverá sempre ser feito pela prefeitura, nunca por um vereador ou vereadora.
O trabalho da vinda da Escola poderia ter dado resultado ainda no governo anterior ao governo Nílvia. A cidade há muito apresenta tudo e mais um pouco para receber a Escola, mas nada era confirmado. Correntes do partido no poder antes do atual reclamaram durante o embate eleitoral em 2012, que a escola foi postergada para que a atual prefeitura fosse a que recebesse os créditos da implantação, o que importa para o cidadão. A prefeitura atual é do PT, o governo federal é do PT, e, portanto é crível esta hipótese, embora não se tenha elementos que provem cabalmente que houve atraso de decisão proposital.
E agora será deste governo, de Nílvia e de Brocca, os créditos da conquista da Escola, como seria do governo João Alberto na gestão passada, se a implantação saísse antes do final do ano de 2012. Não é de vereadores a responsabilidade do anúncio, assim como não é também dos vereadores a responsabilidade futura de tentar desfazer este mal entendido.
O erro maior foi o da prefeitura de Torres ter assumido em nota o feito, sem checar bem as fontes de informação, assim como matem o que disse em nota explicativa divulgada na quinta-feira (17). A própria prefeitura coloca a palavra do MEC contra a palavra dela, de dois vereadores torrenses e dos articuladores externos do feito. E a imprensa? Somente divulga tudo e deixa para o torrense decidir em que versão acredita, ou seja: faz o seu papel.
Os vereadores foram afoitos e fizeram o que não deveriam. Adiantaram-se a prefeita Nílvia, citaram vários nomes de articuladores, sem saber que a coisa não era bem como imaginavam. E venderam para o povo uma conquista que não era deles: seria da prefeitura de Torres, embora eles possam ter tido muita importância no processo de articulação.
A Escola fica para adiante. Talvez em 2014, ano eleitoral, o assunto volte í tona. E o que fica é aprendizado, para a prefeita e sua equipe, para os vereadores, e até para a imprensa, que confiou em versíµes absolutas que eram muito relativas.
Assim como o pai da criança é a prefeitura e ela terá os í´nus da vinda da Escola Técnica para a cidade, o pai desta decepção da negativa do MEC também é da prefeitura, Cabe a municipalidade cuidar bem destes, agora, dois filhos.


