EDITORIAL – ESTATAIS: o brasileiro estásendo surrupiado

3 de novembro de 2013

 

Os diretores da nossa Petrobrás estão rodeando o assunto principal, mas finalmente o que vai acontecer é o anúncio de mais um aumento de preços nos combustí­veis para os Brasileiros. O editorial do jornal Zero Hora da última quarta-feira (30/9/13) apóia a medida. Diz que os preços dos combustí­veis não podem servir como instrumento para mascarar a inflação. O editorial apóia o aumento de preços da gasolina e derivados pelo fato da falta do reajuste gerar prejuí­zo í  Estatal.

O mesmo editorial de Zero Hora apóia peremptoriamente o tal de indexador que será anunciado, indexador este que será utilizado como gatilho para que o preço da gasolina, do álcool, do gás de cozinha, dentre outros combustí­veis oligopolizados pela nossa estatal possam sofrer reajustes. Tudo para não gerar prejuí­zos para a Petrobrás e não fazer com que as açíµes da estatal sejam desvalorizadas. Ou seja. O jornal apóia que o consumidor pague aumento de combustí­vel em nome do capital, em nome dos acionistas da estatal. Apóia que os donos da empresa, os brasileiros, paguem mais caro pelos combustí­veis em nome da remuneração dos acionistas, acionistas estes nos quais o povo brasileiro ( o dono da Petrobrás) não está contemplado.

Parece que estamos finalmente estampando a hipocrisia dos governantes defensores do imperialismo Estatal. Até um jornal com circulação lí­der no Estado do Rio Grande do Sul apóia que o povo pague o combustí­vel mais caro do mundo em nome do lucro de uma empresa que é do povo brasileiro. O Zé Povinho pagará os preços do mercado internacional de petróleo para que os governantes do paí­s possam alojar na Petrobrás milhares de empregos polí­ticos; para que o Estado brasileiro possa colocar em campanhas eleitorais que o brasileiro deveria se orgulhar de ser dono de uma empresa de petróleo de ponta, mesmo que ele, o brasileiro, não receba absolutamente nada por isso; para, enfim, o brasileiro comemorar a tal de Soberania Nacional, mesmo quando nenhum paí­s  desenvolvido assim o faça: preferem terceirizar para quem entende ( a iniciativa privada) o í´nus e o bí´nus de tocar uma companhia de petróleo e bancar o alto grau de eficiência capitalização necessários para que ela ( empresa) seja competitiva.

Que soberania é esta que obriga que o povo pague mais caro em nome do governo e seus interesses polí­ticos eleitoreiros? Por que o brasileiro incauto ainda se orgulha de ser dono do Banco do Brasil, quando as taxas de juros, as taxas de serviço e os outros atributos do banco funcionam de forma  quase similar aos bancos privados? Será somente para que nos orgulhemos de pagar salários de bancários acima dos bancos privados? Que soberania é esta que faz o brasileiro pagar agencias reguladoras de preço que regulam preços de gasolina í  mando de uma estatal de Petróleo, a Petrobras, que por sua vez é única e decide como, quem, onde e quando alguma empresa ira fazer alguma coisa no mercado de petróleo no paí­s?

O brasileiro está institucionalmente sendo enganado, e possui o apoio da grande mí­dia para tal. Talvez porque a Petrobrás é uma das maiores anunciantes dos meios de comunicação ditos dominadores, o povo acabe caindo na cilada da tal de soberania nacional, caindo na lorota de se orgulhar por ser dono de uma companhia que, afinal, obriga que a população pague o preço do combustí­vel mais caro do mundo. E os partidos polí­ticos vibram com tudo isto. Afinal de contas, dentro de seus feitos de poder, a possibilidade de encostar companheiros nas diretorias e gerencias do Banco do Brasil, da Caixa Federal, da Petrobrás, dentre outras dezenas de estatais, acaba ficando uma possibilidade viva, atraente, promissora e dinheirista, muito dinheirista, por sinal.

Enquanto não houver um partido polí­tico sério no Brasil, que proponha que SEJAM VENDIDAS TODAS AS COMPANHIAS ESTATAIS para que o povo usufrua do dinheiro destas vendas com mais estradas, mas estrutura de Saúde, mais estrutura de Educação e mais estrutura de Segurança Pública, a sociedade vai ficar de boba da corte nestes acordos com interesses dinheiristas entre governo e mí­dia de massa. O governo afirma que ser dono de uma empresa se trata de ser um pais soberano; e a mí­dia apóia porque o mesmo governo patrocina horários nobres nas TVs e nos jornais dos donos dos meios de comunicação que militam a mesma soberania, com o dinheiro da própria estatal… compreenderam os senhores aí­ da poltrona?

No caso da Petrobras podemos fazer uma analogia. Para o brasileiro, o método atual ficaria similar ao dono de uma vaca leiteira que não pode consumir o leite da própria vaca… O governo obriga-o a comprar o leite no supermercado, supermercado este em que os donos são acionistas capitalistas multinacionais. E a mí­dia cuida da propaganda chapa branca.


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