Por: Fausto Araújo Santos Junior
PROGRAMA RUIM, MILITíƒNCIA CONCORRIDA…
O Programa Bolsa Família se trata da política pública mais preguiçosa que já vi. Ao invés do Estado levar a sério o seriíssimo problema da miséria em familiais desestruturadas de valores e de cultura civilizada com programas estruturados e completos, o governo atual resolveu atuar de forma superficial e hipócrita, com uma espécie de tele entrega de dinheiro. Fugiu da raia do enfrentamento, atendendo um problema bem maior de forma simples e superficial, colocando dinheiro na conta das pobres pessoas como se isso fosse solução. Pior é que ele – o Bolsa Família – é uma unanimidade entre os políticos brasileiros e agora virou palco de disputa de paternidade. Que tristeza…
O crescimento financeiro de baixa renda no país aconteceu somente pela estabilidade econí´mica iniciada no governo FHC e inteligentemente mantida nos governos Lula e Dilma. Quem viver verá.
Minha opinião sobre a CICLOVIA nova
Acho bonita e inteligente a nova ciclovia no calçadão, que está sendo construída pelo governo atual de forma diferente da construída e projetada no governo anterior. Sempre a opção por lajotas ao invés de asfalto é mais inteligente, principalmente quando se as colocam em locais onde não há trafego pesado, a realidade das Ciclovias.
Mas temos de assumir que as duas ciclovias, a do governo anterior e a atual, são equipamentos que ficarão na maioria do tempo OCIOSOS. A Avenida Beira mar é muito pouco utilizada por trabalhadores ou estudantes para seu dia-a-dia produtivo (trabalhar e estudar). Uma via como esta seria muito mais importante na Avenida Castelo Branco, na Avenida José Bonifácio, na Avenida Barão do Rio Branco ou na rua que liga o centro í Zona Sul (que não me recordo o nome). Portanto, as ciclovias da Beira Mar serão úteis somente como equipamentos para veranistas e turistas utilizarem na TEMPORADA. No resto do ano, são poucas pessoas que utilizarão as vias construídas í beira mar.
A grande incógnita que fica no ar é a da troca das ciclovias pelos estacionamentos. Em Audiência Pública realizada ainda no governo João Alberto, foi vencedora a proposta de não tirar estacionamento da Avenida Beira Mar. O que restaria, então, seria construir as ciclovias no CENTRO da avenida. Mas o povo foi voto vencido. Em uma decisão política e intransigente í s demandas, o governo anterior manteve o projeto das Ciclovias na Beira Mar e manteve a insistente opção e decisão política de retirar os estacionamentos oblíquos da via, diminuindo sobremaneira as vagas, o que vai gerar tumulto no veraneio, em nome de uma ciclovia que vai ser muito mais usada nos finais de tarde dos fins de semana do verão.
Sou contra a ciclovia no Calçadão da Beira Mar. Se der tempo, sugiro a prefeita Nílvia que troque o projeto, retire toda a ciclovia e coloque-a no canteiro central. Este tipo de opção (no centro de avenidas) é vencedor em vários lugares do mundo.
E sou TOTALMENTE A FAVOR de ciclovias em avenidas DE SERVIí‡O, que sejam usadas por trabalhadores, estudantes e pessoas realizando TAREFAS DIíRIAS ANUAIS. E que sejam construídas, também, NO CENTRO DAS AVENIDAS.
Briga pública
A prefeita Nílvia (provavelmente sugerida por sua assessoria política) resolveu tornar públicas suas rugas com vereadores do PP. Foi í somente dois jornais de Torres e emitiu igual recado público í vereadora Gisa Webber e ao vereador Fábio da Rosa, colocando neles certa culpa pela falta de apoio na Câmara pela base aliada, numa espécie de matéria fechada e igualitária “ como se fosse uma propaganda.
A vereadora Gisa respondeu, mas usando seu espaço formal de discurso público (mais protocolar “eu diria): a Câmara Municipal. Mas não deixou por menos na resposta. Acabou acusando a prefeita de usar seu nome para esconder sua inabilidade de trabalhar. Fora acusaçíµes públicas em estilos diferentes
As duas têm razão em reclamar. Efetivamente, a coligação entre PT e PP está difícil desde o início do governo. Não sei se pela falta de um articulador dentro do PP para fazer a relação do partido com o PT e o governo; não sei se pela falta de uma liderança firme na Câmara, que saiba ponderar entre bancadas, vendendo bem a idéia do governo… Mas o que sei é que os dois partidos não se entendem, pelo menos dentro da Câmara.
Portanto, concordo com a prefeita que existe, sim, uma dificuldade entre os dois partidos. Mas discordo que seja culpa de Fábio e de Gisa. O governo não foi bem nas coligaçíµes após eleito. Foi muito bem na campanha, mas depois a coisa não foi bem digerida, principalmente na relação entre o PT e o PP. E pode ser que Gisa e Fábio sejam vítimas de uma relação institucional mal digerida.
Mas agora, com a pessoalização, me parece difícil que Nílvia recupere para si apoio incondicional dos dois citados nas matérias fechadas e iguais nos jornais, apoio necessário para que votem com o governo, mesmo em matérias polemicas. Pessoalizar quase nunca é uma boa estratégia.
DESEDUCADO!
Foi no mínimo deseducada a atitude do vereador Ernando Elias ao anunciar que seria secretário de Obras do governo Nílvia, em discurso na frente do secretário em exercício, presente no plenário da Câmara durante o mesmo discurso. Ele demitiu o secretário Broquinha com a autoridade de prefeito municipal. O vereador “ agora líder do mais novo partido da cidade, o PROS, ainda utilizou seu discurso para criticar todos os trabalhadores da secretaria de obras, indiscriminadamente.
Acho que Nílvia comprou uma idéia de um novo caminho para buscar mais apoio para seu governo, mas pode estar recebendo um produto que mantém e aumenta um problema antigo, talvez de DNA das relaçíµes interpessoais. A postura do vereador Ernando Elias foi no mínimo mal educada, para não dizer que foi arrogante, quase que imperialista.
Em seu discurso ele criticou até a prefeita, ironizando uma briga entre Nílvia e a vereadora Gisa (PP) no mês do Outubro Rosa. Colocou-se como o salvador da pátria, afirmando submersamente que a pátria teria que ser salva, criticando a secretaria de obras do governo Nílvia; e disse que agora tudo será perfeito, desde que ele seja o secretário de Obras. Pelo discurso de Elias, a cidade agora vai ser modelo para ser seguido nos EUA.
Vamos conferir, mas não existe milagre, a menos que Ernando Elias prove que realmente é uma espécie de perfeição na terra.
Tem lingí¼iça neste arroz
E agora parece que este movimento de Ernando Elias e Tenora “ criando um novo partido que permitiu que Elias fosse secretário e abrisse espaço para que Tenora volte í Câmara, pode sofrer impasses jurídicos.
Se for verdade que o vereador Rogerinho pediu a cadeira de 2 º suplente do PP, alegando que Tenora teria pedido desfiliação do PP no início do ano, o governo Nílvia vai ter mais um problema: vai ter de conseguir uma secretaria para Tenora, nem que seja na marra, í pedido (ou exigência) do líder do PROS Ernando Elias.
Rogerinho voltaria para a Câmara, portanto, como mais um membro do PP, partido que está defendido por Gisa e Fábio da Rosa, onde pelo menos Gisa está em rota de colisão pessoal com a prefeita Nílvia. E assim Rogerinho teria a opção de entrar na casa legislativa escolhendo o lado: se apóia ou não apóia o governo, se vai para a ala do PP que está apoiando o governo ou se entra direto na ala de questionamentos, diferente de Tenora, que teria sido alçado na cadeira de vereador para apoiar incondicionalmente Ernando Elias e o governo Nílvia, pois o vereador do PROS têm uma secretaria (dizem que são duas – a secretaria de Agricultura seria incorporada í secretaria de Obras).
Nílvia terá um tabuleiro de xadrez na frente. Dificilmente conseguirá formatar um xeque mate somente com estes movimentos. Pode não tomar um xeque mate, mas, para ganhar o jogo da estratégia deverá fomentar outros grandes movimentos pela frente. Veremos.


