EDITORIAL – Prioridades irresponsáveis

11 de novembro de 2013

 

Em tempos de polí­tica í  flor da pele e em tempos de manifestaçíµes de ruas, o perfil dos gestores públicos acaba aparecendo de forma estampada para a sociedade. í‰ na pressão que se conhece a alma dos seres humanos. E pressão foi o que aconteceu no ano de 2013. E o que infelizmente se constata nas avaliaçíµes de posturas de todos os partidos polí­ticos e de todos os planos de governos apresentados í  nação, nas três esferas – federal, estaduais e municipais “ é que o chamado paradigma do politicamente correto acaba suplantando o modelo responsável: o de dar prioridade aos temas vitais de um organismo coletivo: o paí­s, os Estados e os municí­pios, gestados pelos poderes executivo, legislativo e judiciário. Efetivamente fica muito mais fácil se eleger prometendo projetos superficiais, supérfluos e populistas do que se eleger propondo projetos firmes e diretos, que funcionem, que sejam eficientes e que, efetivamente, deixem legados concretos para a população. Nos âmbitos federal, estadual e municipal, nota-se a proliferação de açíµes midiáticas superando em muito as açíµes responsáveis, superando í quelas açíµes que são vitais para o crescimento econí´mico e social de um paí­s, um Estado federativo ou uma cidade. Os três poderes da polí­tica brasileira estão especialistas em priorizar aquilo que vai dar ibope para o responsável, deixando de lado o que vai gerar melhorias estruturais para que o ambiente social seja mais progressista para os simples viventes das cidades.

 Não é responsável fazer campanhas de marketing sobre a prevenção ao Câncer de Mama, sem antes estruturar hospitais e postos de saúde com aparelhos e médicos que façam mamografia de forma rápida; não é responsável montar uma nova secretaria de Estado, gerar vários empregos para companheiros partidários de polí­tica, que, a seguir, não vai ter recursos para trabalhar na base de suas ideias por falta de recursos orçamentários; não é responsável colocar policiais fazendo blitz cobrando que os motoristas utilizem cintos de segurança, quando existem bandidos assaltando, estuprando e realizando outros maus feitos pelas ruas da cidade; não é responsável implementar delegacias de apoio í s mulheres quando o instituto de perí­cias do Estado não consegue fazer um teste de DNA em dois dias, para descobrir se um suspeito é ou não o criminoso acusado de estupro; não é responsável um prefeito desfazer uma obra inteira de seu antecessor, perder verbas conseguidas por seu antecessor – mesmo que adversário – somente para dar mais espaço as suas idéias administrativas, colocando no ralo dinheiro que foi duramente conquistado pela sociedade, independente de partido polí­tico. Não é responsável o MP dar mais espaço para açíµes midiáticas alegando listas de culpados por crimes eleitorais (na moda) e não trabalhar firme em açíµes que são esperadas por milhares de cidadãos incautos, que caí­ram em pegadinhas e estão perdendo patrimí´nio, perdendo moral, perdendo bons horizontes em suas vidas; não é responsável deputados, senadores e vereadores utilizarem seu tempo mais para aprovarem nomes de rua, homenagens póstumas, dentre outras açíµes populistas, quando a sociedade espera deles que resolvam muitas mazelas coletivas espalhadas pelo seu dia-a-dia.

Trata-se de cacarejar antes de colocar ovos. E cacarejar antes de colocar ovos se tornou o modus operandi dos polí­ticos atuais. Prender maconheiro na rua dá manchete em jornais; mas fazer operaçíµes inteligentes, que evitem que o crime organizado se prolifere custa tempo, gera risco, e os polí­ticos não vão querer se indispor com a BM. Proporcionar um batalhão de pessoas disponí­veis para tratar as mulheres agredidas dá muito mais manchete em jornal do que economizar para que testes de DNA possam ser feitos pelo menos em uma semana, para evitar que um estuprador ataque mais ví­timas. Plantar árvores e chamar eucalipto de planta exótica dá mais ibope aos polí­ticos. Mas a prioridade seria implantar redes de esgoto e um sistema inteligente de captação e descarte de lixo. Mas isto não dá ˜ibope

Finalmente, a tal de promessa que a Educação é a saí­da do desenvolvimento de uma sociedade é a prova mais cabal da escolha dos polí­ticos em se elegerem em cima de utopias, de promessas futuras filosóficas. Nada é mais saudável para qualquer ser, em qualquer estágio de situação financeira e cultural, que enxergar, na janela de sua casa, oportunidades de desenvolvimento pessoal, de empregabilidade, de possibilidade de promoçíµes nos empregos, de caminhos que possam tornar realidade ideias empreendedoras. A melhor educação de um povo é a vivência em um ambiente crescente de oportunidades. í‰ no dia-a-dia que o ser humano aprende e escolhe o que quer ser, onde vai chegar, e como vai competir para seus intentos. E em um paí­s com crescimento econí´mico pí­fio como o nosso, esta idéia de crescimento na prática se torna utópica. Tão utópica como imaginar que um pais sem crescimento poderá se educar somente aumentado salas de aula e melhorando a educação de seu povo. Mas este mote Educação, Educação e Educação é uma forma muito mais fácil de obter a eleição, quando a prioridade responsável de qualquer nação é trabalhar para que o PIB per capita cresça ao menos em ní­veis de paí­ses de primeiro mundo.

Não adianta propor a uma mesa pratos a base de lagosta, se a famí­lia não tem dinheiro sequer para comprar o Feijão com Arroz.

 


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