Por: Fausto Araújo Santos Júnior
A promotoria de justiça de Torres no ano passado entrou com vários anúncios de açíµes que sugeriam irregularidades envolvendo o nome de políticos ligados í prefeitura de Torres na gestão João Alberto e Pardal. Somente durante a campanha foram duas açíµes hipotéticas, o que gerou com certeza prejuízo í chapa que concorreu no pleito. Mas depois do pleito outras açíµes, do mesmo MP, contra pessoas do mesmo grupo, acabaram sendo desencadeadas.
Algumas delas (açíµes de hipótese do MP) foram rejeitadas pela juíza eleitoral. E outras estão em andamento.
Mas a fama da promotoria local de entrar com açíµes investigativas baseadas em denúncias sem provas é espalhada, também, para outras áreas. Em anos passados, o mesmo promotor da comarca, quando atuava na área ambiental, embargou obras de empreendedores e recorreu ao tribunal de justiça quando o juiz local não aceitava que a tese efetivamente se transformasse em processo. Foram várias obras que tiveram de ser interrompidas. Os funcionários foram demitidos e ficaram sem emprego; os empresários perderam credibilidade perante seus clientes e até tiveram de devolver dinheiro de imóveis comprados na planta e com prazos para entrega. E os resultados finais relativos í quelas hipóteses do MP que embargaram obras foram quase todos iguais, qual seja: Nada havia de errado, muito menos sugeria na realidade os horizontes sombrios marqueteados pelo promotor.
Acho que a sociedade de Torres pode estar sofrendo por prejuízos reais e morais por conta de, talvez, um excesso de fertilidade na mente de um promotor. E algo deve ser feito. Não entendo bem como poderíamos, nós, torrenses, ao menos questionarmos estes exageros… Talvez a OAB de Torres junto com a corregedoria do MP possam ter alguma idéia que dê chance para que a sociedade possa estancar esta sangria de boatos que se tornam noticia crime ou embargos í empreendimentos sem motivos maiores. A Câmara Municipal poderia ajudar, talvez… Pelo menos com uma nota de repúdio aos exageros, só aos exageros…deixa-se claro!
Muito barulho, pouca objetividade II
Outras duas açíµes de cunho eleitoral foram protagonizadas pelo mesmo promotor aqui em Torres. Um vereador foi acusado de comprar votos após eleitos pela contagem de votos, mas antes de ser diplomado. O nome do edil “ que hoje tem uma bancada na Câmara “ foi colocado na capa do blog do MP de Torres, com clara intenção de dar publicidade ao fato e denegrir a imagem do mesmo. Até o apelido do vereador foi publicado, numa ironia submersa ao cidadão eleito nas urnas em um bairro popular, em minha opinião mostrando arrogância e prepotência do promotor, que utilizou seu cargo para minimizar a importância do cargo de seu colega também servidor público, servidor público este que na minha opinião possui muito mais méritos: pois conseguiu seu cargo através de uma eleição, foi submetido a julgamento popular democrático.
E a causa parou por falta de provas. Pessoas da comunidade comentam í boca pequena que os delatores do vereador que foi queimado publicamente pelo MP seriam vários parentes de um concorrente político direto do mesmo bairro, que ficou na suplência no pleito em outro partido. Mas o fato é que atualmente nada evoluiu, mas o nome do vereador está lá, ainda, na capa do BLOG do MP.
Muito barulho, pouca objetividade III
Outra ação espetaculosa, também referente í compra de votos na eleição de 2012, foi também protagonizada aqui em Torres, também pelo mesmo promotor. Desta vez coincidentemente durante a realização do festival de Balonismo de 2013, há uns nove meses atrás, o promotor pediu ajuda ao BOE (Batalhão de Operaçíµes Especiais) da BM do RS, e a cidade assistiu a passagem de comboios de carros seguindo para vários locais de Torres para realizar mandados de busca e apreensão. A hipótese que o promotor sugeria mais uma vez foi a de compra de votos. Desta vez ele omitiu nomes de pessoas, embora tenha citado uma característica de um ex-oficial da BM com tantos detalhes que qualquer pessoa do meio político sabia de quem se tratava.
Mas o show ficou mesmo por conta das batidas em comércios da cidade e outros estabelecimentos. Nas buscas, moradores e transeuntes da pacata Vila São João assistiram homens com armamentos pesados ficarem defronte a um supermercado daquele bairro, supostamente protegendo os servidores do MP que queriam ter acesso í supostas provas que supostamente estariam dentro dos computadores do estabelecimento. Parecia que, em pleno festival de balonismo, um membro da Al Quaed tinha sido localizado em Torres e o pessoal do Barack Obama tinha mandado capturá-lo… solenemente… no padrão EUA…
Passados nove meses, nada se ouviu sobre avanços nesta operação. Parece que mais uma vez se trata de uma hipótese da cabeça fértil de um promotor, que acreditou num delator, que possivelmente é adversário político dos acusados. E desta vez parece que é outro partido que estaria envolvido nas denúncias, o que mostra que o promotor pelo menos aparentemente não age com viés ideológico ou preconceituoso.
Muito barulho, pouca objetividade IV
E na semana passada, o mesmo promotor afirmou publicamente na Coletiva de imprensa que anunciou mais uma ação espetaculosa, denuncia espetaculosa feita mais uma vez mesmo antes da justiça aceitar a denúncia, que havia uma quadrilha atuando na prefeitura de Torres na gestão passada. A sociedade e a imprensa querem mais dados sobre esta acusação. Trata-se de denúncia muito séria, principalmente pela generalização, que coloca todos que trabalhavam naquela prefeitura como quadrilheiros". E não podemos mais uma vez ficar í mercê de mentes criativas, que acusam aos sete ventos, e o resultado final da novela todos sabem: a justiça, ou não aceita a denuncia, ou absolve facilmente os acusados, o que sugere que a a hipótese era no mínimo fantasiosa. E nomes de famílias inteiras são jogados na lama, independente do sentimento dos acusadores sobre o trauma que denúncias vazias podem causar a pessoas e famílias.
Que venha o wi Fi
O novo presidente da Câmara Deomar Goulart, o Dê (PDT) parece que está resolvido em colocar sinal de internet nas dependências da Câmara Municipal, para que jornalistas, visitantes, autoridades e publico em geral possam assistir í s sessíµes da casa sem perder o contato com o mundo, hoje interagindo quase com a obrigatoriedade de conexão com a WEB.
Para quem trabalha com edição de jornal ou blog, a ligação com a web é fundamental. Temos este recurso nos escritórios e não vale í pena investirmos em equipamentos e mensalidades para ficarmos conectados quando estamos fora. Mas as sessíµes da Câmara de Vereadores iniciam í s 16 horas de segunda-feira (hora utilíssima) e encerram entre 18:30 hs e 19:30 hs. E nelas existem muitos ritos protocolares que são necessários, mas que para quem trabalha com informação e vai sistematicamente í s sessíµes (como é meu caso), acaba ficando perda de tempo assistir a estes ritos. E, se nestes momentos pudermos ter acesso á nossos e-mails, í s redes sociais e í sites que temos de monitorar 24horas, podemos ao menos ir trabalhando enquanto estes ritos protocolares são vencidos.
O que importa para o jornalismo na Câmara são os fatos e alguns posicionamentos opinativos sobre os mesmos; os ritos são supérfluos para a profissão. E por tudo isto, trata-se de simplesmente se adequar a realidade a colocação de Wi Fi na Câmara Municipal de Torres. Que sejamos bem-vindos aos tempos modernos na casa legislativa torrense.


