HOSPITAL NAVEGANTES COMEMORA 60 ANOS E ANUNCIA MAIS HUMANIZAí‡íO E MELHORIAS

28 de fevereiro de 2014

 

 Dr. Marcelo: humanizar é o lema para o futuro

 

 

Esteve participando na Tribuna Popular durante a sessão da Câmara Municipal de Torres, realizada na segunda-feira (24), o diretor do Hospital Nossa Senhora dos Navegantes, aqui de Torres, o médico Marcelo Fagundes. Ele foi í  casa legislativa anunciar formalmente a comemoração do aniversário da instituição, que completa 60 anos neste ano de 2014.

Pela manhã, autoridades convidadas pelo aniversariante e funcionários da instituição realizaram um ato simbólico de abraço ao hospital. O evento busca comemorar o aniversário e simbolizar um dos objetivos da modernização da entidade de saúde – que quer colocar a humanização na relação entre seus profissionais de saúde e os pacientes como centro dos seus objetivos futuros. E este foi o âmago da fala do diretor durante a sessão da Câmara. Conforme Marcelo Fagundes, a falta de humanização se trata de um sintoma em todo o sistema de saúde, de todas as esferas de atuação. Para ele, a automação de procedimentos, o aumento dos serviços prestados e dos direitos aos cidadãos acabaram provocando certa ˜automatização do comportamento humano™ perante os pacientes, que acaba  gerando a mazela da desumanização das relaçíµes interpessoais. E a reversão deste quadro será o foco do trabalho do Hospital Navegantes daqui por diante: aproximar mais médicos e profissionais de saúde da parte sentimental das pessoas, ao invés de tratar as doenças e sintomas como produtos de prateleira. Pelo que o diretor explanou para A FOLHA em entrevista na terça-feira, este seria o âmago dos objetivos do hospital.

O Hospital Nossa Senhora inaugurou oficialmente em 1954. Teve suas obras iniciadas em abril de 1949, com um pequeno auxí­lio do governo estadual, como busca da comunidade em ter um hospital regional. Devido a dificuldades financeiras, o hospital em construção foi doado í  Mitra Diocesana, de Caxias do Sul para que houvesse, então, a continuação da obra até a inauguração.

    E em 1997, a administração do hospital passou para o Sistema Mãe de Deus, ligado í  Congregação das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo Scalabrinianas, sediado em Porto Alegre e atuante em todo o Estado do RS.

 

As complexas relaçíµes do hospital com o sistema

 

O nosso hospital navegantes atende 87% demandado pelo SUS (Sistema Universalizado de Saúde “ Brasil) e o restante dos 13% em atendimentos a todos os convênios e de atendimento particular. Inclusive, o atendimento particular e de convênios é um diferencial que poucos torrenses sabem. A entidade está bem aparelhada para atender demandas locais de conveniados ou dos que querem pagar os serviços de forma particular. E isto pode evitar que cidadãos locais desinformados tenham de ir í  Capital – em muitos casos de cirurgia ou de tratamentos que necessitam de hospitalização – quando poderiam ser atendidos aqui, em sua cidade, próximos í s suas residências.

No SUS, o Mão de Deus está ligado hierarquicamente ao Sistema de Saúde Público do Estado (Rio Grande do Sul), como é formal em todos os hospitais conveniados no Brasil. Ele faz parte de uma microrregião que atende as cidades gaúchas de Torres, Arroio do Sal, Mampituba, Morrinhos do Sul, Dom Pedro de Alcântara, Três Cachoeiras e Três Forquilhas; e de Santa Catarina (por conta do SUS ser Universal e se obrigar a atender qualquer demanda) acaba atendendo as cidades próximas í  Torres como Passo de Torres (principalmente), São João do Sul e Praia Grande.

Por ser do SUS e ligado hierarquicamente ao sistema público do RS, o Navegantes recebe verbas federais e estaduais. As federais são encaminhadas pelas hospitalizaçíµes. O governo Federal paga í  instituição as chamadas AIHs (Autorizaçíµes de Internação Hospitalar), verbas que são repassadas mensalmente conforme o números de baixas hospitalares feitas aqui na instituição. Do Estado, o hospital recebe verbas para pagamento de alguns convênios, pagos por uma espécie de aluguel – que o RS contrata í s instituiçíµes hospitalares conveniadas ao SUS para que atendam gratuitamente os gaúchos. E o Estado recebe verbas de convênio com o governo federal para este serviço. Tudo para que a entidade ( hospital) consiga atender a demanda calculada pelo sistema do Estado do RS para suprir as cidades que buscam o hospital. Portanto, a responsabilidade do atendimento gratuito em Torres, embora seja de fato do Hospital, é de direito do sistema público do RS: é dele ( Estado) que a sociedade deve cobrar melhorias. Do Hospital Navegantes, o Estado define que se cumpra aquilo que está compactuado contratualmente. Somente isto.

Os municí­pio de Torres e região colaboram com verbas mensais para que seus cidadãos sejam atendidos no hospital. Não se trata ( atualmente) de contratos com direitos e deveres, trata-se de apoios financeiros ao sistema. Somente as cidades de Torres e Três Cachoeiras colaboram com valores razoavelmente significativos destinados ao hospital. Torres paga em torno de R$ 40 mil mensais ao Navegantes, e Três Cachoeiras paga R$ 20 mil. Os outros municí­pios colaboram com cotas irrisórias. E esta é uma cobrança dos vereadores de Torres há anos: eles querem mais participação de outros municí­pios neste rateio institucional.

Em administraçíµes municipais passadas de Torres, as prefeituras daquelas gestíµes optaram por terceirizar para o hospital o Pronto Atendimento e emergência, através de contratos que pagavam mais de R$ 100 mil mensais. Mas no final de 2011 este contrato foi rompido. E o Posto Central de Saúde de Torres passou, então, a realizar estes procedimentos, sendo a ligação com o hospital somente acionada em casos de hospitalização ou de risco mais altos.

 

Divisão de especialidades na região

 

O Hospital Navegantes também aderiu hierarquicamente ao atual sistema estadual de atendimento de Saúde. í‰ que já há alguns anos está havendo uma espécie de divisão de especialidades, por conta de não haver viabilidade econí´mica para que todos os hospitais do RS tenham todas as especialidades em tratamentos e cirurgias. Por exemplo: em alguns casos, o Navegantes encaminha seus pacientes para Capão ou Osório. E o contrário também acontece: Osório e Capão encaminhando pacientes ao Navegantes, quando estes não possuem as especificidades em seus estabelecimentos. Trata-se de uma cooperação entre hospitais, que não concorrem entre si e o resultado é a busca de eficiência e qualidade em tratamentos especí­ficos. E esta é uma polí­tica pública estadual: faz parte do contrato de aluguel dos hospitais pelo sistema de saúde público do Estado do Rio Grande do Sul, que faz parte do grande sistema do SUS.

 

Oncologia a caminho.

 

Para a Capital, Porto Alegre, somente pacientes que necessitam de transplantes, cirurgias cardí­acas e tratamento contra o Câncer são obrigados a ser encaminhados. Isto por não haver este tipo de serviço no Litoral e por ainda, também não haver volumes que viabilizem estes trabalhos em algumas regiíµes do Estado. Mas o serviço de oncologia caminha para que tenhamos uma unidade pública (gratuita) aqui em Torres. Já existe o serviço no Navegantes, mas para os pacientes de convênios privados e particulares. Falta somente uma reforma no bloco cirúrgico (em andamento) para que o Navegantes seja finalmente conveniado pelo SUS para atender pacientes em tratamento de câncer. Isto está previsto já para o segundo semestre deste ano, se as obras e as burocracias andarem como se espera.

A reforma e ampliação da UTI (Unidade de Tratamento Intensivo), que dobrará a capacidade de 5 para 10 leitos; a reforma do Bloco Cirúrgico; a ampliação de Tomografias locais (tomógrafo próprio); a aquisição de mais monitores cardí­acos e um plano de construção de uma torre edificada em seis andares para dividir melhor as instalaçíµes do hospital são realidades e planos nosso Hospital Navegantes, que completa neste ano 60 anos de serviços em Torres & região.


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