Após a fúria climática, a luta para reconstruir casas no bairro Guarita

5 de março de 2014

A redação de A FOLHA esteve no bairro Guarita na semana passada, ouvindo os anseios do povo que perdeu muito do que tinha na histórica chuva e vendaval do dia 13 de fevereiro. Passadas 2 semanas, muitos moradores da área lutam para tornar suas casas lugares habitáveis novamente.

 

 

Por Guile Rocha

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Segundo a prefeitura, as sessenta e quatro casas atingidas já estão com os telhados colocados e a limpeza das ruas, com a retirada dos entulhos, foi realizada pela Secretaria de Obras e Serviços Públicos. Também já foi realizada para satisfação dos moradores. Porém, quando fomos até o bairro para averiguar a situação na quinta passada (27)  percebemos, que ela é bem diferente da descrita pela prefeitura.

Muitos moradores agradecem a ajuda da administração municipal, da defesa civil e dos bombeiros “ que foram verdadeiros heróis do resgate no dia da chuva, quando as ruas do bairro se tornaram em verdadeiros dilúvios , e a água chegava pela cintura em vários pontos. Também houve doaçíµes de empresários e boas almas de nossa cidade. Mas por outro lado, muito ainda havia que ser feito para reestabelecer a ordem nas casas de vários moradores.

 

Ficou na promessa?

 

Casa de Maria Selena tem que ser reconstruí­da

 

Maria Selena, moradora da rua Santo Antí´nio, perdeu quase tudo com o vendaval. Ainda assim, mantinha o bom humor O telhado foi literalmente arrancado em um segundo, fiquei na rua desabrigada. A fiação elétrica da casa foi comprometida, perdi sofá, roupeiro, mesa, quase tudo com a chuva. Só me sobrou um quartinho, onde estou ficando de improviso, conta a moradora. A prefeita, em pessoa, havia prometido a reconstrução da casa de Maria Selena, mas até então a moradora dizia que só o que chegou foram telhas e algumas tábuas de madeira. Agradeço pelo socorro prestado, mas é pouco ainda. A prefeitura havia prometido reconstruir minha casa, disponibilizar mão de obra e fiação elétrica. Mas por enquanto ficou só na promessa, nada disso chegou para mim. E pagamos um IPTU alto aqui, apesar da estrutura do bairro ser precária, lamenta.

Já na Travessa São Pedro, Elí­dio teve o muro de seu terreno arrancado pela combinação da chuva com a ventania. Isso aqui vira um rio nos dias de chuva, transborda tudo. No dia 13 então, a agua vinha até a cintura. Fiquei chateado com a situação do bairro e coloquei meu terreno a venda. Meu filho fez a mesma coisa no passado, vendeu sua casa porque tava sempre transbordando de água. A falta de saneamento e locais para dar vazão í  água são um problema muito sério aqui no Guarita, as ruas ficam completamente alagadas, ressalta Elí­dio, que reclamava também que a prefeitura não teria recolhido o lixo das ruas conforme prometido. A verdade é que alguns moradores não fizeram sua parte, pois atiraram num terreno todas as roupas e restos que se tornaram inúteis com a chuva. Mas o lixo continuava lá, apesar do comprometimento da administração municipal em recolhê-lo.

 

Alagamentos e falta de eletricidade

O lixo se acumulava em terreno no bairro Guarita

 

Muitas casas também estavam sem fiação elétrica, que foi perdida com a chuva ou “ pior ainda “ roubada por ladríµes que se aproveitaram da situação de calamidade. Na casa de Caroline, também na travessa São Pedro, havia um ˜gato™ “ ligação de luz improvisada “ para garantir a eletricidade ao cí´modo que não ficou devastado após a chuva. Precisamos reconstruir nossa casa agora. Fomos até a prefeitura, e a Defesa Civil disse que irá demorar mais uma semana ou duas para que o material que precisamos chegue. Mas tinham que dar um jeito nessas ruas também, colocar bocas de lobo, canos novos ou algo para evitar que alague tanto.

Na rua Santo Antí´nio, a moradora Rosana também teve sua casa tomada pela chuva, e o assoalho até então“ após 2 semanas “ continuava úmido, quase apodrecendo. Me prometeram as taboas para o assoalho, mas até agora nem notí­cia. Fora o cheiro horrí­vel de esgoto, que já é ruim normalmente. No dia da chuvarada, ficou insuportável.

Já na casa onde vivem João Eusébio Ribeiro, sua esposa Everice Jacinto de Freitas e outras 5 pessoas, a água tomou conta de tudo. Além das telhas que voaram, perdemos a maioria dos nossos móveis. O colchão estava quase boiando em casa, a água quase passava dos joelhos. Mas preferimos não sair, porque senão vinham oportunistas e roubavam o resto das coisas que salvamos. João Eusébio diz que lhe foram prometidos moveis para refazer a casa, mas ele sabe que a situação é difí­cil para muitos, que dependem da administração municipal ou da doação de pessoas caridosas. Conseguimos só 12 telhas com a prefeitura, mas não serve para arrumar o estrago, precisávamos de umas 30, 40. Nossa casa está em más condiçíµes, mas somos humildes, é difí­cil sobrar dinheiro para as reformas. Só sei que terei que aterrar alguns metros minha casinha para poder reformar depois".

 

Só quero voltar para minha casinha

 

A dona Neusa ficou traumatizada após a chuvarada, dizia que estava deprimida desde então. Perdeu móveis, documentos, remédios. Temia pela sua vida e de sua famí­lia. Ela tem uma filha com deficiência fí­sica e mental, e ainda é o único sustento para outro filho e  uma senhora idosa. Graças a Deus há pessoas boas que nos ajudaram. Os bombeiros nos carregavam nas costas para que não fossemos levadas pela água. Mas perdi quase tudo que tinha, não me permitiram voltar para minha casa porque diziam que ela estava em risco. Estou com minha filha doente alugando um quartinho, sobrevivendo com doaçíµes. Mas ainda preciso muita coisa, faço um apelo para que ajudem. Só quero poder voltar para minha casinha.

Segundo o coordenador municipal da Defesa Civil, Adalberto Chagas da Silva, agora será iniciada a nova etapa que prevê a construção de seis casas que tiveram perda total, acontecendo o processo de licitação e em breve a construção das mesmas.  Já a prefeitura informou que encaminhou a avaliação dos danos das áreas afetadas para o Ministério da Integração em tempo hábil como solicitado, esperando o reconhecimento da documentação, quando a Defesa Civil Estadual voltará ao municí­pio para verificar os procedimentos realizados após a ocorrência. Doaçíµes também são bem vindas, e os interessados podem entrar em contato com a secretaria de assistência social do municí­pio


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