O Dia da Mulher: história de lutas e reconhecimento

7 de março de 2014

Comemoração do 41 º Dia Internacional das Mulheres, em Berlim Oriental (1951)  

 

As origens da data

 

A ideia da existência de um dia internacional da mulher começou a ganhar forma na virada do século XX, no contexto da Segunda Revolução Industrial e da Primeira Guerra Mundial. Nesta época ocorria a incorporação da mão-de-obra feminina, em massa, na indústria. O contexto dos operários (tanto homens quanto mulheres) era de péssimas condiçíµes de trabalho, frequentemente insalubres e perigosas e tornavam-se motivo de frequentes protestos por parte dos trabalhadores. Muitas manifestaçíµes ocorreram nos anos seguintes, em várias partes do mundo, destacando-se Nova Iorque, Berlim, Viena (1911) e São Petersburgo (1913).

Em 1910, ocorreu a primeira conferência internacional de mulheres, em Copenhague, dirigida pela Internacional Socialista, quando foi aprovada a instituição de um dia internacional da Mulher, embora nenhuma data tivesse sido especificada.No ano seguinte, o Dia Internacional da Mulher foi celebrado a 19 de março, por mais de um milhão de pessoas, na íustria, Dinamarca, Alemanha e Suí­ça.

Poucos dias depois, em 25 de março de 1911, um incêndio na fábrica da Triangle Shirtwaist mataria 146 trabalhadores – a maioria costureiras. O número elevado de mortes foi atribuí­do í s más condiçíµes de segurança do edifí­cio. Este foi considerado como o pior incêndio da história de Nova Iorque, até 11 de setembro de 2001.í‰ provável que a morte das trabalhadoras da Triangle se tenha incorporado ao imaginário coletivo, de modo que esse episódio é, com frequência, erroneamente considerado como a origem do Dia Internacional da Mulher.

 

A heroica mulher trabalhadora

 

Na Rússia, as comemoraçíµes do Dia Internacional da Mulher foram o estopim da Revolução Russa, de 1917. Em 8 de março de 1917 (ou 23 de fevereiro pelo calendário juliano), a greve das operárias da indústria têxtil contra a fome, contra o czar Nicolau II e contra a participação do paí­s na Primeira Guerra Mundial precipitou os acontecimentos que resultaram na Revolução de Fevereiro.

Leon Trotsky assim registrou o evento: Em 23 de fevereiro (8 de março no calendário gregoriano) estavam planejadas açíµes revolucionárias. Pela manhã, a despeito das diretivas, as operárias têxteis deixaram o trabalho de várias fábricas e enviaram delegadas para solicitarem sustentação da greve. Todas saí­ram í s ruas e a greve foi de massas. Mas não imaginávamos que este ˜dia das mulheres™ viria a inaugurar a revolução.

Após a Revolução de Outubro (segunda fase da Revolução Russa), a feminista bolchevique Alexandra Kollontai persuadiu Lenin para torná-lo um dia oficial que, durante o perí­odo soviético, permaneceu como celebração da "heróica mulher trabalhadora". No entanto, o feriado rapidamente perderia a vertente polí­tica e tornar-se-ia uma ocasião em que os homens manifestavam simpatia ou amor pelas mulheres.   O dia permanece até hoje como feriado oficial na Rússia, bem como na Bielorrússia, Macedónia, Moldávia e Ucrânia.

 

 


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