QUESTí•ES POLÊMICAS DA SAÚDE NA CIDADE ANALISADAS

31 de março de 2014

 

Na última semana, dois casos relacionados í  supostas falhas no sistema de saúde de Torres foram amplamente divulgados nas redes sociais “ repercutindo inclusive na Câmara dos Vereadores (onde outro caso foi relembrado). O jornal A FOLHA foi averiguar os fatos ocorridos, buscando os devidos esclarecimentos.

 

Por Guile Rocha

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CASO 1: Os palavríµes da técnica em enfermagem

 

O vereador Antí´nio Machado (PT) reclamou publicamente, na Casa Legislativa “ durante a sessão ordinária de segunda-feira (24) – de um caso que ocorreu final de semana passado, no Hospital Nossa Senhora dos Navegantes (HNSN) aqui em Torres. Uma mulher que reside aqui na cidade estava passando muito mal e foi ao Hospital. Ela chegou de cadeira de rodas com dores extremas. Foi ignorada pelo atendimento e continuou sofrendo no corredor. O marido dela (que trabalha na Câmara de Vereadores) na tentativa de ajudar sua esposa, pediu que uma enfermeira a atendesse, e exatamente com esse palavreado a enfermeira respondeu a ele: ˜Vá a puta que pariu™, relatou Machado.

O jornal A FOLHA, então, falou com o funcionário da Câmara dos Vereadores envolvido na questão. Ele disse que não querer prejudicar o hospital, mas que a instituição tem que melhorar o atendimento. Ouvir palavríµes dentro de um hospital não é algo que se espera, a população torrense não pode ser tratada desta forma.

A FOLHA conversou também com a assessoria do Grupo Mãe de Deus “ responsável pela gestão administrativa do Hospital Nossa Senhora dos Navegantes “ sobre o suposto tratamento desrespeitoso direcionado a paciente. A instituição publicou uma nota de posicionamento sobre o ocorrido, abaixo subscrita:

 

O Hospital Nossa Senhora dos Navegantes informa que a paciente em questão procurou atendimento no setor de Emergência no último domingo (23/3), apresentando dor abdominal intensa. O acompanhante da paciente solicitava medicação imediata para a mesma, mas a equipe da instituição o informou sobre a necessidade do médico plantonista realizar o exame clí­nico previamente “ prática protocolada para o correto atendimento dos pacientes. Insatisfeito com a diretriz, o companheiro recolheu a paciente antes mesmo da avaliação clí­nica, assumindo a responsabilidade por seu quadro de saúde.

Quanto í  manifestação da técnica de enfermagem, o HNSN lamenta o ocorrido e informa que já adotou todas as medidas necessárias. O Hospital ainda destaca que está contatando o acompanhante, por intermédio do SAC, a fim de prestar esclarecimentos diretamente ao familiar, bem como no sentido de tentar auxiliar na questão da paciente.

 

CASO 2: Imobilização do braço errado

 

Ainda na Câmara dos Vereadores, o vereador Machado citou um outro caso problemático relacionado ao serviço prestado pelo Hospital Nossa Senhora dos Navegantes. O mesmo teria acontecido com seu colega de legislativo, vereador Davino Lopes (PT). Levaram a filha dele ao hospital, mas lá o médico imobilizou o braço errado.  Davino, então, fez uso da tribuna para um aparte, onde melhor explicou sobre o caso, que ocorreu com sua filha há cerca de um ano. Apesar de não ser recente, o fato ainda merece menção por relembrar um erro médico bizarro.

A menina teria deslocado a claví­cula “ osso de ligação entre o ombro e o braço.  Mas era noite, e o vereador primeiramente tentou ˜recolocar™ o osso no lugar, para no dia seguinte ir ao hospital. E assim o fez. Mas ao chegar no hospital, o médico imobilizou o braço errado. Questionei sobre isso, e ele ainda disse: ˜amigo, quem é o médico aqui?™. Resignei-me e fui para casa.   Só que ao chegar em casa, minha filha deslocou novamente a claví­cula, e constatamos o equí­voco. Disse Davino

Ao jornal A FOLHA, Davino conta que considerou o fato um erro grave, bastante primário. Mas na época do ocorrido, o vereador conversou com o médico envolvido na questão “ e também com o hospital – e prometeu não prestar queixa contra o mesmo, disposto a lhe dar uma segunda chance.

 

CASO 3: Falta de pediatras no Pronto Atendimento

 

No iní­cio da semana, um cidadão torrense deslocou-se ao Hospital de Torres com seu filho bebê – este com diarreia e dor de ouvido. Lá chegando, lhe disseram que não havia pediatra para atender o caso do seu bebê,   indicando que – por não se tratar de um caso muito grave – ele deveria se deslocar ao Posto de Saúde Central. E foi o que o cidadão fez. "Mas chegando ao Posto Central, também não haviam pediatras por lá, nem de dia nem de noite! Chegamos ao fundo do poço, cadê a saúde para nossas crianças?" reclamou o cidadão.

O caso do atendimento de pediatria no municí­pio é complexo. Em 2012, o ministério Público (MP) sentenciou a Secretaria Municipal de Saúde, para que passasse a prestar atendimento de urgência no Pronto Atendimento do Municí­pio (Posto de Saúde Central) em horário integral – na especialidade de médico pediatra, em decorrência da deficiência do atendimento na área. Porém, a determinação do MP tornou-se um problema sério frente a realidade do atendimento de saúde na cidade. Tornava-se   difí­cil preencher a escala de médico pediatra, alem de onerar o municí­pio – pois havia uma discrepância no valor da hora médica. Sendo que o clinico geral realizava 170 atendimentos clí­nicos diários enquanto a média de atendimento pediátrico era em torno de 30 atendimentos diários, informou a secretária municipal de Saúde, Karla Mattos.  

E diante da concordância do MP, ficou estabelecido, em agosto do ano passado, a revogação da sentença e a substituição do pediatra por um outro clí­nico geral no Pronto Atendimento, possibilitando com isso que um número maior da população fosse assistida. O próprio CREMERS foi consultado, e nos respondeu que não há exigências de especialidade para exercer o atendimento de crianças no Pronto Atendimento, disse Karla Mattos, que complementou: Mas sendo a criança avaliada, e havendo a necessidade, o clinico passa o atendimento ao pediatra plantonista do Hospital Nossa Senhora dos Navegantes, ou em casos menos graves para os pediatras da rede.

Quanto ao caso do cidadão que não teve seu filho atendido no Hospital, a secretária informa que a triagem considerou o caso como sendo de menor urgência. Fazemos um apelo para que a população entenda que o hospital deve ser porta de entrada apenas para casos de maior complexidade. Karla Mattos lembra que, em outubro de 2013, representantes da Secretaria de Saúde, do Hospital Nossa Senhora dos Navegantes, Coordenadoria Estadual de Saúde e Ministério Público se reuniram para estabelecer o fluxo de atendimento, onde foi acordado que o Pronto Atendimento (Posto Central) atenderia, nas 24 horas, casos de baixa complexidade,  e que casos de media e alta complexidade seriam triados para o hospital.   Desde então o serviço tem funcionado muito bem, com uma fila de espera bem menor que a média nacional, e tem trabalhado em parceria com o hospital. Vale lembrar que nosso clí­nicos gerais atendem pequenos traumas, e não são ortopedistas, cardiologistas, psiquiatras, etc. Em serviços de baixa complexidade, não se exigem especialistas, ponderou a secretária.


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