O que mudou? Um ano após as manifestações populares, TORRENSES OPINAM

22 de junho de 2014

 

Foto da manifestação popular que ganhou as ruas de Torres, no final de junho do ano passado

 

   Passado um ano desde o iní­cio da onda de protestos populares que se espalhou pelo paí­s, como as pessoas aqui de Torres avaliam os efeitos que as manifestaçíµes tiveram? O que mudou no paí­s e nos próprios cidadãos?

 

 

Por Guile Rocha e Maiara Raupp

___________________________

 

 

"Algumas atitudes foram tomadas pelos governantes na tentativa de minimizar os movimentos com pequenas e rápidas mudanças, como projetos aprovados ou rejeitados para atender aos anseios da população. Cito o arquivamento da PEC-37, a redução da tarifa dos í´nibus em alguns Estados, a transformação da corrupção em crime hediondo, o fim das votaçíµes secretas em processos de cassação de parlamentares e a destinação de 75% dos royalties do petróleo para a educação e 25% para saúde. A questão agora é saber se estas medidas serão realmente colocadas em prática e quanto tempo teremos que esperar para isso.

Acredito que ainda é cedo para notar melhorias. Portanto, os brasileiros precisam ficar atentos e os protestos precisam continuar. Creio na importância das massas populares saí­rem í s ruas para protestar, no entanto, isto não é o suficiente para modificar os rumos polí­ticos e sociais de uma nação. í‰ necessário conhecimento polí­tico e participação efetiva do povo no perí­odo eleitoral, com a escolha consciente de seus representantes. Espero ver isto acontecer nas eleiçíµes deste ano.   Além disso, as pessoas precisam fazer a diferença no seu dia a dia, se reivindicamos o fim da corrupção dos polí­ticos, precisamos ser honestos e evitar a prática do conhecido jeitinho brasileiro.

 

Débora Becker, farmacêutica

 

 

"Embora os protestos tenham se difundido na maioria das cidades brasileiras, o resultado esperado não foi alcançado, pois depois de seis meses o Paí­s "adormeceu" novamente e o que foi pedido parece que não está sendo cobrado ou fiscalizado pelo povo. Talvez em virtude do pouco tempo que as autoridades tiveram ou também pelo rumo que as manifestaçíµes tomaram, com a banalização da luta pelos direitos o quebra-quebra e a falta de essência no que os protestantes pediam. Acredito que o Paí­s se desenvolveu como nunca nestes últimos 10 anos. Com os candidatos a presidência que estão por vir, acredito que as coisas continuarão na mesma, evoluindo aos poucos, mas pelo lado contrário de onde deveria começar. A educação e a cultura, na minha opinião, são primordiais para um desenvolvimento integral desta nação, e só quando mexerem nesse quesito a máquina vai começar a mudar pro destino certo".

 

Felipe Soares, estudante de Educação Fí­sica

 

 

"Os protestos foram de um impacto muito grande, onde muitos brasileiros se revoltaram com a situação da saúde e da educação. Mas não sinto que houve efeito algum. Não houve nenhuma mudança impactante no Brasil. Para as próximas eleiçíµes esperamos que as pessoas votem com a mesma coragem que foram para as ruas e que votem para um Paí­s melhor"

 

Kethelen Rosa, estudante de magistério.

 

Eu acho que a cidade mudou para melhor, e a gestão talvez tenha melhorado um pouco em decorrência das mobilizaçíµes populares. Faz parte de um contexto, penso que há mais gente fazendo pressão para que as suas demandas sejam atendidas, a população tá mais mobilizada. Mas não houve mudança muito imediata nas questíµes da educação e saúde, os baderneiros desvirtuaram um pouco os protesto também. Entretanto, não acho que faça sentido protestar contra a Copa, uma coisa não tem a ver com a outra. Se não queriam a Copa no Brasil e os gastos com obras e estádios, as pessoas deveriam ter se mobilizado muito antes, não quando já estava quase tudo encaminhado"

 

Altair Dimer Webber, cinegrafista torrense

 

 

Acho que as pessoas fizeram as manifestaçíµes num fervor muito grande entre junho e julho, mas depois estes protestos de rua pararam. Se naquela época tivesse sido levado adiante as manifestaçíµes, talvez os polí­ticos tivessem levado mais a sério a convulsão popular por mudanças. A Copa tornou-se o grande vilão da história, e eu particularmente não sou a favor que tenha um evento tão caro quando temos um paí­s com tantos problemas. Mas agora que a Copa tá ai, acho que é hora de aproveitar, curtir os jogos e ver o lado bom que a Copa do Mundo deixará no Brasil, os turistas que enchem as cidades e as obras que foram feitas,.

 

Kellen Duarte, comerciante

 

 

"Historicamente, o Brasil tem um povo acomodado, e as manifestaçíµes foram uma reação muito positiva para mudar isso. Acredito que ainda estamos em processo, mesmo tendo uma crise de sentido na população brasileira. Nos protestos, haviam pessoas que não sabiam ao certo pelo que estavam protestando, só sabiam que era necessário. São poucos que sabem e direcionam bem suas ideias, o domí­nio da mí­dia faz com que discernimento e ideias próprias sejam para poucos.

Aqui em Torres percebo que o processo de participação cidadã está acontecendo. A participação na discussão do plano diretor é um exemplo ní­tido. As pessoas estão indignadas com a possibilidade da construção de prédios na Beira-Mar. Fui em uma das reuniíµes e vi o salão cheio, fiquei muito feliz com isso, antes era sempre apenas um pequeno gupo de pessoas que decidia o futuro da cidade. A saí­da da sociedade da posição passiva é de extrema importância. Ainda que há o ‘não saber o que fazer’, o ‘porquê estou aqui?’, também há pessoas que se sentem pertencentes ao social e com a necessidade de reação."

 

Luí­s Gustavo ‘LG’ Oliveira, fisioterapeuta e artista torrense


Publicado em:







Veja Também





Links Patrocinados