Conexión: Argentina – Torres

28 de junho de 2014

 

 

A terça-feira (24) quente atraiu centenas de ‘hermanos’ na Praia Grande

 

 

Por Guile Rocha

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Terça-feira, 24 de junho. í‰ o segundo dia do inverno, e se poderia pensar que, na baixa temporada, as praias estariam vazias. Só que não. Com um dia particularmente quente para a estação – a temperatura era superior aos 23 °C próximo ao meio-dia – as areias da Praia Grande estava cheia, com mais de 100 turistas festeiros. Pelo menos três grupos travavam forças em partidas de futebol, outros bebiam cerveja ou fernet sentados em cadeiras de praia. Alguns até se arriscaram na gelada água do mar. Eram os argentinos, que durante semana coloriram nossa Torres de azul e branco, num reflexo do jogo entre Argentina x Nigéria no Beira Rio (em Porto Alegre).

Mas não era apenas nas praias. Nos restaurantes do centro, olhando as vitrines das lojas, os ‘hermanos’ deram uma cara de verão para a terça-feira de inverno. Eram centenas deles. No calçadão eles também passavam, caminhando ou correndo. Nos hotéis e apartamentos alugados na Praia Grande, haviam bandeiras e camisetas de futebol expostas, mostrando o orgulho e confiança dos argentinos com sua seleção. E foram os já conhecidos argentinos que trouxeram para Torres o clima internacional que se espera numa Copa do Mundo.

 

La palabra de los hermanos

 

O jornal A FOLHA aproveitou a oportunidade para ver o que esses turistas hermanos, que provisoriamente reivindicaram um pedaço de nossa cidade, tem a dizer sobre sua viagem. Os primeiros que falei foram Gabriel, Diego e Ezequiel, moradores de Chaco, proví­ncia no norte da Argentina. Era pouco mais de uma da tarde, e os amigos carregavam consigo a cuia do chimarrão (o mate também é bastante apreciado ao norte da Argentina). Eles realtam que vieram de í´nibus para Torres juntamente com um grande grupo, para passar um total de 3 noites na cidade antes do jogo Argentina x Nigéria (disputada no Beira Rio). "Não conhecí­amos Torres ainda, a escolha da cidade foi feita pelo organizador da excursão. Muito mais econí´mico que ficar em Porto Alegre, e Torres é uma bela cidade, nós argentinos sentimos falta da praia. Vamos querer voltar em outro momento para cá" disseram eles.

Na praça XV de Novembro, no Centro de Torres, falei com o casal Natasha e Sergio, caminhando com os filhos Joaquim e Felipe (este empurrado no carrinho de bebê). A famí­lia veio de Buenos Aires e, aproveitando a proximidade com Porto Alegre, decidiram que Torres era o lugar certo para se hospedar. "Reservamos um hotel por 6 dias na cidade. Decidimos aproveitar a oportunidade, o jogo na Copa do Mundo, para tirar umas férias por aqui. E a cidade é muito linda, o povo muito amável", contou Natasha.

Adentrei na praia e passei em meio a massa de argentinos, divididos em vários nichos. A maioria destes visitantes aproveitando a orla invernal são homens e jovens, mas também há ‘chicas’ batendo uma bola, alguns senhores mateando.   Luciano Bino e Juan Pablo Barvais são de Cordoba, e estavam sentados em cadeiras de praia, curtindo uma cerveja na orla torrense. Eles contam que, junto com suas esposas, alugaram um apartamento aqui na cidade para passar alguns dias antes do jogo no Beira Rio. "Imaginamos que as diárias estariam muito caras em Porto Alegre, e acertamos o aluguel do apartamento ainda em Cordoba, dai viemos de carro para Torres. Já havia feito essa viagem com minha famí­lia, mas há muito tempo, nos anos 90. Agora aproveitei a oportunidade (Copa do Mundo) para revisitar a cidade", diz Luciano.  

 

De la marijuana al vecino de Mascherano

 

FOTO: Gustavo Serafino (e) foi vizinho do craque Javier Mascherano, em ação na Copa 2014

 

Conversei com um grupo de quatro hermanos de Buenos Aires que visitavam Torres pela primeira vez. "Porto Alegre é muito parecida com Buenos Aires, e além do mais já tem argentinos demais lá por nesses dias", ressalta um deles.  ‘Tranquilitos no mas’, compartilhavam um baseado na beira da praia. Questionei sobre a situação da maconha na Argentina, e cada um foi falando um pouco. "Ha várias marchas de legalização, e muita gente já planta marijuana em suas casas.Mas ainda é proibido fumar e comprar maconha, apesar de que a legalização é um caminho que deve acontecer logo na Argentina.í‰ impossí­vel proibir o consumo de qualquer tipo de substância em uma democracia. Os que querem fumar, fumam. Mas deve haver respeito também, evitar fumar na frente das crianças ou perto de pessoas que não gostam".

Outro grupo estava bem animado em frente ao seu carro, ouvindo um reggaeton (ritmo musical muito popular na Argentina) na frente dos quiosques da Praia Grande. Eram 7 pessoas, os homens todos estavam fardados com a camisa da seleção da Argentina, carregando ainda a bandeira do paí­s. Eles vieram de Rosário para se hospedar num hotel em Torres (cidade que já haviam visitado previamente), e aproveitaram o momento para ‘turistar’ na cidade, consumindo em nossos restaurantes e comércio. Ao conversar com eles, descobri Gustavo Serafino, que na infância foi vizinho do craque Javier Mascherano, hoje titular da seleção argentina. "Morávamos em San Lorenzo (cidade próxima a Rosário). Ele era mais velho que eu e um animal no futebol, corria uma maratona todo dia, fazia uns 40 mil abdominais (risos). Tinha 14 anos e já treinava como um profissional, era um louco na marcação, violento. Mas já jogava bola", confidenciou Gustavo.

 


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