EDITORIAL -Háde se escolher um lado…

10 de julho de 2014

 

          Em fase de eleição, se torna didático que a sociedade brasileira como um todo seja estimulada a tentar se encaixar em um dos dois grandes lados da ideologia polí­tica. Sem exceção –  em todos os certames eleitorais –  estão por trás duas correntes distintas. Dificilmente as diferenças dos planos de governo e das promessas dos candidatos que afunilam para a disputa final não estão divididas claramente entre um projeto que sugere repasses diretos de benefí­cios í  população e outro que, nas entrelinhas, sugere que é melhor gastar recurso público em processos produtivos e autosustentáveis econí´mico e socialmente falando.

O Brasil estampa quase meia centena de partidos. Todos eles militam por uma causa. E em todos eles um lado está mais evidente. A maior liberdade para o povo ou a maior intervenção do Estado. Mas existem atualmente três projetos federais basicamente oficializados para o pleito de outubro próximo:

 Um da reeleição do PT e sua proposta mais de esquerda e com grande participação do governo no dia-a-dia das pessoas.

Outra polarizada no outro extremo, a do PSDB, que sugere mais gestão, mas resultados, mais eficiência; milita por privatização do sistema produtivo e procura, afinal, a diminuição da presença do governo nas vidas das pessoas.   O Estado neste caso entra mais na estrutura econí´mica e social.

 E existe a candidatura do centro, com ainda programa indefinido. O PSB e a Rede Sustentabilidade vêm com uma novidade ainda não estampada nas propostas públicas.

Em ambas as propostas, o eleitor poderá checar claramente em qual lado está cada uma das propostas. Certamente elas estarão mais ao lado da liberdade ou mais para o lado da intervenção.  

Os Estados Unidos são um exemplo clássico para compreensão desta teoria. E a militância na terra do Tio San funciona muito. í‰ que a exacerbação da democracia naquele paí­s provoca profundamente a sociedade como um todo, e os pleitos acabam sendo decididos por temas sutis, baseados tão somente nas caracterí­sticas pessoais e no temperamento dos candidatos de ambos os lados, justamente porque a nação está muito bem dividida entre duas propostas: uma mais conservadora e outra mais progressista. A decisão entre os republicanos mais liberais na economia e mais conservadores nos costumes e dos democratas, menos liberais na economia e mais progressistas nos costumes já mostra geralmente uma divisão quase que igualitária na nação.     í‰ que em um paí­s como os EUA, onde a constituição defende a Liberdade individual como um valor sagrado; a sociedade não admite tocar neste assunto e defende-a com unhas e dentes e o judiciário julga suas causas sacramentando este valor como âmago da alma humana, não consegue colocar a liberdade de ir e vir e falar em jogo: trata-se de tema fechado por 100% dos americanos. Portanto, as diferenças entre uma polí­tica pública mais voltada para a vara de pescar ao invés do peixe e uma polí­tica pública voltada mais para gastar dinheiro público em benefí­cios direto para a sociedade ( dar o peixe) é a grande e saudável briga entre Republicanos e Democratas nos Estados Unidos da América.

Mas nas campanhas do Brasil a liberdade individual – e não só econí´mica –  é que acaba sendo o divisor de águas entre um lado e outro, o mais liberal e o mais interventor. Nas campanhas do  Brasil, que estão prestes a  se iniciar, a sociedade haveria de se posicionar, também. Principalmente os formadores de opinião – que são, mesmo que sem muita aparência, os que indicam as tendências de escolhas das melhores candidaturas – deveriam refletir e se posicionar.

 Sempre há dois lados. Um que sugere polí­ticas públicas com alta intervenção do governo nas vidas das pessoas, em um processo que só é sustentável com alta cobrança de imposto e que torna a administração pública cara, embora clientelista. E outro, que acaba indicando um caminho mais liberal, menos intromissor, mais voltado para o sistema produtivo local. Dificilmente não se enxerga claramente a diferença quando a coisa afunila para a polarização final. Militar e sonhar com um paí­s e um Estedo melhores passa necessariamente por esta escolha.    

 

 

 


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