Prédios na Beira-Mar de Torres: OS DOIS LADOS DA MOEDA

11 de julho de 2014

 

 Petição online contra os prédios tem adesão massiva de internautas. Mas defensores das construçíµes mais altas na beira-mar também manifestam-se.

 

 

Por Guile Rocha

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Desde 1995 sem uma revisão adequada, o novo Plano Diretor de Torres está sendo debatido e deverá ser alterado ainda neste ano. O trâmite e os detalhes do processo de mudança entrarão na pauta da Câmara dos Vereadores em breve – apesar de não terem entrado na Casa Legislativa no primeiro semestre, conforme prometeu o presidente Dê Goulart (PDT)    

Através do Plano Diretor são estabelecidos os princí­pios, diretrizes e normas para as açíµes de desenvolvimento urbano, que podem tratar desde a construção de avenidas, prédios, praças, residências ou a implantação de tratamento de esgoto. Como tem sido costume nos últimos tempos, o assunto continua rendendo bons debates na cidade. E embora trate-se de um assunto muito complexo, a população torrense parece ter escolhido a construção (ou não) de prédios na chamada Zona 8 (beira-mar de Torres) como ponto de maior polêmica nas rodas de discussão.

 

Petiçíµes online í  favor e contra os prédios

 

Incluí­do nas possibilidades de revisão do Plano Diretor, está a proposta para aumentar o gabarito dos prédios das quadras localizadas na beira mar, que passaria dos atuais nove metros (de unidades multifamiliares) para edifí­cios mais altos. Por ser contra a proposta, o surfista Marcel de Rose começou uma mobilização na comunidade e criou um abaixo-assinado online na plataforma Change.org. A campanha já contava com mais de 10 mil assinaturas até a noite de quinta-feira, 10. Na petição, intitulada "# DIGA NíƒO AS TORRES DE CONCRETO", são citados o sombreamento na areia da praia e residências vizinhas, o maior adensamento urbano e seus efeitos, o aumento da carga de esgoto e lixo e a perda da paisagem natural entre os impactos negativos que a os prédios trariam ao contexto da cidade.

O apoio nas redes sociais, mostra que boa parte da comunidade (além de veranistas e simpatizantes)  parece mobilizada contra a construção dos prédios altos na beira-mar de Torres. Mas isto não desmotivou os apoiadores das grandes construçíµes í  beira-mar a desistirem de seu pleito. Isto porque uma outra petição online (na mesma plataforma Change.org) foi criada recentemente, intitulada de "DIGA SIM A CONSTRUí‡íƒO A BEIRA MAR: DESENVOLVIMENTO NíƒO QUER DIZER DESTRUIí‡íƒO". Entretanto, a mesma contava com apenas 7 assinaturas até esta quinta-feira (10). Autor da petição, o empresário da área imobiliária Carlos Souza, aponta o seguinte: "í‰ chegada a hora de Torres decidir se quer continuar sendo um balneário ou tornar-se uma cidade Turí­stica. A proposta tem vários aspectos positivos, melhores do que o atual: Altura limitada dos prédios com cuidado para não sombrear a praia, taxa de ocupação menor   e menor densidade ocupacional, recuos bilaterais proporcionando uma ótima ventilação entre as edificaçíµes futuras. PODEMOS nos desenvolver preservando nossas belezas naturais".

 

Altura dos prédios, recuos e questão de esgoto

 

Contatado pelo jornal A FOLHA, Carlos Souza conta que criou a petição online porque pensa que muitas pessoas estão com uma visão equivocada quanto a proposta dos prédios na beira-mar. "Do jeito que as coisas estão, é possí­vel a construção de um prédio ao lado do outro praticamente sem recuos, o que prejudica questíµes como ventilação e ocupação dos terrenos. Nossa ideia é possibilitar um desenvolvimento comercial e econí´mico na beira-mar de Torres de forma sustentável: prédios mais altos sim, mas construçíµes de alto padrão e com recuos bilateriais, em terrenos de no mí­nimo 750m ² . Isto ao invés de continuar com a construção de prédios grudados uns aos outros, de forma desordenada".conclui Carlos, ressaltando ainda que é preocupante a situação da Zona 9 (redondezas das Quatro Praças) exatamente pela falta de recuo e taxa de ocupação.

Além disso, o jornal A FOLHA entrou em contato com Silvio Guimarães Siqueira, chefe da Unidade da CORSAN em Torres, e questionou sobre a possibilidade de captação e tratamento de água e esgoto na Beira-Mar, caso prédios mais altos fossem construí­dos. "A região tem estrutura para receber muito mais pessoas do que atualmente há. Portanto, mais prédios não seriam um problema do ponto de vista sanitário. Temos na região da Praia Grande uma estação de recalque de esgoto, na Praça João Neves da Fontoura (quatro praças) e na Beira Rio também. A estrutura da Praia Grande e arredores é calculada para receber 200 mil pessoas no verão sem problemas".

 


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