A triste história de um ginásio abandonado

12 de julho de 2014

 

A sede do E. C. São João: de grandes festanças no passado, hoje espaço está entregue a própria sorte

 

Por Guile Rocha

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Na semana passada, houve homenagem na Câmara dos Vereadores pelos 50 anos da Sociedade Esportiva São João, tradicional clube de futebol aqui de Torres. Entretanto, a homenagem serviu de pano de fundo para uma reclamação quanto ao estado da sede do clube, que fica na Vila São João. "O que achei engraçado é que alguns que seguravam a placa comemorativa são os mesmos dirigentes que, há 10 anos atrás, abandonaram seu maior patrimí´nio: a SEDE. Esse descaso é fruto de uma gestão incompetente, que não teve capacidade de levantar dinheiro para uma dúzia de telhas que voaram durante o Catarina" disse o balonista Ricardo Lima, em sua página no Facebook. Ricardo mora exatamente ao lado do local abandonado.

Ricardo ainda complementa, mostrando fotos como a estampada nesta matéria: "Hoje,  a mesma SEDE está assim, largada as baratas, ratos, morcegos e mosquitos (…) O Povo tem memória curta, EU não. Minha pergunta é: o que será feito com esse ELEFANTE BRANCO, já que a estrutura da mesma está condenada??? Muita gente que mora na Vila já fez muita festa nesse salão ou jogou aquela bola por ai".

 

A batalha pelas reformas

 

As fotos e o texto postados por Ricardo se espalharam rapidamente através do Facebook, sendo comentadas por várias pessoas. Uma das pessoas que se envolveu no debate foi o vereador torrense Alessandro Bauer, que entrou em contato com o jornal A FOLHA para dar o seu ponto de vista sobre a questão da sede do S. E. São João. Morador da Vila, Alessandro foi presidente do clube entre 1999 e 2003, e conta que quando assumiu a sede estava em péssimas condiçíµes: o banheiro não tinha piso, não havia churrasqueira nem copa. "Daí­ decidimos fazer uma parceria com o DJ Tinica para realizar festas aos domingos na sede do clube. As tradicionais ‘domingueiras’ foram um sucesso na época, conseguí­amos angariar para o clube até R$ 3 mil mensais, verba esta que foi investida em melhorias: pintamos a sede,   arrumamos os banheiros, trocamos toda a instalação de luz e o telhado", conta Alessandro.

Entretanto, as domingueiras no clube da Vila São João estavam com os dias contados: Em 2002, pessoas vizinhas ao local entraram com ação no Ministério Público, reclamando da bagunça na rua, do barulho (poluição sonora) e da sujeira (crime ambiental). "Na época eu ainda era o presidente do clube, e respondi aos processos no MP. Assim acabaram as domingueiras e a arrecadação do clube. Além disso, no final de 2003 seriam realizadas novas eleiçíµes, mas ninguém quis assumir a presidência. Continuei no cargo, e poucos meses depois, em abril de 2004, veio o furacão Catarina, que levou as telhas e danificou a estrutura da sede. Fizemos uma comissão provisória onde os empresários da Vila São João. Cada um contribuí­a como podia e arrecadaram uns R$6 mil para arrumar o telhado. Mas em 2005 tivemos um outro temporal forte, que arrancou novamente as telhas. Dai o pessoal ficou desiludido, não conseguimos arrecadar o suficiente para outra reforma no clube", diz Alessandro, com tristeza.

 

A decadência da sede

 

De lá para cá, outras pessoas – movidas talvez por um sentimento de nostalgia, a saudade dos ‘tempos dourados’ da sede do E. C. São João – mobilizaram-se para tentar recolocar em funcionamento o espaço. Foi o caso do seu Edu de Matos Carneiro, presidente do clube em 2009 e 2010 (e que hoje ocupa novamente o cargo). Segundo Alessandro Bauer, "O Edu é o cara que mais trabalha pelo clube. Em 2009 ele fez levantamento de custos para fazer uma reforma na sede, e descobriu que gastarí­amos R$ 15 mil para tal. Mas não se arrecadou mais que R$ 3 mil entre sócios e a comunidade, daí­ a reforma foi abortada". Entre 2011 e 2013, quando o José Alexandre da Rosa Clesar foi o presidente e parecia que a coisa ia fluir positivamente para a sede (a partir de parceria com a prefeitura), o municí­pio assinou um convênio com o CTG da Vila São João (outro espaço subutilizado na época) para realização de diversas atividades. "Então ficava difí­cil justificar no tribunal de contas um investimento junto a sede do E. C. São João, se não havia necessidade. Não trata-se de uma área pública da qual a prefeitura tem responsabilidade, é uma área privada", informa o vereador.

 Nesse tempo em que não era utilizada,   a sede do clube foi lacrada e chaveada. Mas segundo relata Alessandro, em 2012 um morador da região decidiu invadir o espaço e montar um paintball clandestino lá dentro. "Esta pessoas arrombou a porta da frente, quebrou as paredes do banheiro. Fui com o vice-presidente do clube na época (o Juca do Badi) e perguntamos que autorização ele teria para fazer um paintball num clube que era da sociedade da Vila São João. O cara disse que ao menos estava utilizando o espaço, mas na verdade estava destruindo-o. Tivemos que correr ele de lá, e por muito pouco não chegamos as vias de fato".

                                             

O que fazer no local?

 

Há 15 anos inserido no clube, Alessandro pensa que o E. C. São João tem uma história enorme, que não resume-se a estrutura de um antigo prédio – a galeria de troféus e as fotos antigas (recuperadas após terem sido danificadas na época do Catarina) são prova disso. "Pode ser que nossa história esteja manchada pela situação do ginásio, mas eu e outras pessoas, que há anos participam da vida social e esportiva do E. C. São João, ficamos magoados, pois muita gente reclama sem ter real entendimento do que aconteceu. Sei que foi feito o que se podia para dar uma nova vida í  sede, peço desculpas se não conseguimos fazer mais. Só que hoje a triste realidade é que ela encontra-se obsoleta, sem utilidade".

Pragmático, o vereador conta que, conforme os levantamentos mais atuais, seriam necessários R$ 40 mil para deixar a sede do ginásio na Vila São João em perfeitas condiçíµes de uso. Mas dada a dificuldade de angariar estes fundos com a sociedade – e a pouca demanda por uso do espaço (lembrando que festas noturnas no local já foram barradas pelo MP) – Alessandro sugere que a prefeitura desaproprie a sede e lá instale a subprefeitura da Vila São João. "Hoje, a prefeitura gasta em torno de R$ 2 mil por mês para locação do prédio da subprefeitura. Com um projeto bem elaborado, estes gastos com o aluguel acabariam e o poder público poderia aproveitar a sede obsoleta, para uma ação que beneficiaria toda a comunidade da Vila São João" finaliza Alessandro.


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