Por Fausto Júnior
Um vídeo colocado na web já algum tempo, (mas pinçado por nós agora) mostrou a forma politiqueira que alguns políticos trabalham para se eleger conseguindo os votos de eleitores incautos ou incultos… A filmagem – feita em evento pequeno e de trabalho – mostrou um deputado discursando em defesa dos agricultores, que estavam – e ainda estão – retirados pelo governo federal de suas terras no RS para assentamentos de movimentos sociais (quilombolas e índios). No discurso, o deputado escolhidos chama gays, negros e índios de tudo de ruim. Mostra uma veia preconceituosa que ainda existe na sociedade e mostra como maldosos atuam, no caso, colocando agricultores contra PESSOAS e não contra UM FATO: Se a militância fosse do bem, os interlocutores colocariam os agricultores contra as DESAPROPRIAí‡í•ES, contra o governo ou contra o sistema jurídico da nação. Talvez contra algumas mazelas da constituição do Brasil, que é relativista nestes itens que se referem aos direitos humanos. Mas não houve por parte deste deputado a intenção de colocar agricultores contra a outra parte do processo, movimentos sociais que – com ou sem razão – estão sendo incluídos no processo e buscam seus direitos, mesmo que estes direitos sejam eventualmente exagerados, ou que estes direitos não possuam segurança jurídica para ser buscado, o que parece ser o fato central.
Na verdade este deslize pessoal do deputado é fruto de outros deslizes protagonizados por seus concorrentes políticos. Estes "oponentes" também se posicionam no outro extremo, e também discursaram (e discursam) contra segmentos sociais, discursos estes que colocaram índios e quilombolas e muitos outros segmentos considerados "de vulnerabilidade social contra segmentos sociais inteiros (agricultores), numa também generalização politiqueira. Uma busca para utilizar massas de pessoas como manobra eleitoreira. Um exemplo didático desta mazela é a classe chamada das elites por boa parte da esquerda do Brasil. Esta classe foi (e ainda o é – mesmo que menos) demonizada por políticos de esquerda em palanques eleitorais e em movimentos políticos. Empresários ou grupo de pessoas bem sucedidas profissionalmente foram colocadas neste balaio de gatos, numa campanha suja de selar segmentos inteiros, que consequentemente gerou ódio (e ainda gera) em pessoas incautas e de pouco alcance cultural “ infelizmente a maioria da população do Brasil – que dão bola a estes discursos generalistas.
Políticos despreparados e imediatistas usam muito a generalização como forma de conseguir se eleger. Outros, efetivamente psicopatas, utilizam esta manobra de forma orquestrada: eles prevêem a oportunidade e colocam as chamadas massas de manobra em seus planos eleitorais (ou melhor, eleitoreiros). Ao invés de, em palanque e em campanha política, criticarem a má distribuição de terras, (o real problema), criticam os donos das terras, como se eles fossem todos diabos que querem ver os pobres e necessitados mortos por inanição, o que está muito longe de ser a verdade. Em outro exemplo, políticos manipuladores de massa criticam os baixos salários no mercado de trabalho, ao invés de criticarem a falta de regras mais justas na relação entre capital e trabalho, a única verdade absoluta neste tema. E o resultado disto é a plantação, adubação e colhimento do ódio de segmentos fragilizados. í“dio este que não é direcionado para um tema; acaba sendo direcionado para segmentos de pessoas de forma generalizada, que acabam sendo agredidas de graça por conta desta ótica obtida tão somente por manobras eleitoreiras.
Como em toda humanidade e em todos os segmentos sociais, existem empresários e líderes sociais mal intencionados. Mas a maioria deste segmento – chamado pela esquerda generalista do Brasil de das elites – são pessoas do bem, que querem participar do coletivo e somente usufruem ter mais recursos por pura capacidade de trabalho e por pura capacidade competitiva. Se a regra social está errada, que se mude a regra, mas que se critique a regra e não quem se beneficia dela.
Como em toda humanidade e em todos os segmentos sociais, também existem negros, gays e índios mal intencionados: eles não são deuses para serem perfeitos. Mas assim como existe gente má nestes segmentos colocados na sociedade como discriminados, a maioria deles são gente do bem, que quer tão somente não ser enxergado como ser inferior, o que não são, efetivamente.
E como em toda a humanidade e em todos os segmentos sociais, existem políticos maus e políticos bons. A maioria deles (políticos) é de gente de bem, que quer melhorar a vida coletiva. Muitos acabam sendo medíocres por não terem o alcance necessário quando diplomados í função, mas são gente de bem. Ou seja: o problema são os maus políticos. E esta mazela social é encontrada na maioria das vezes naqueles que utilizam grupos sociais para conseguirem seus feitos eleitoreiros. E infelizmente esta classe (de maus) está em evidência no Brasil: a sociedade brasileira está sendo manipulada dos dois lados (esquerda – mais progressista e direita “ mais conservadora) por táticas de manobrar massas, táticas estas que sistêmica e insistentemente colocam segmentos sociais contra outros segmentos sociais, de forma generalizada. Ao invés de se comportarem como uma minoria de políticos bons e bem sucedidos eleitoralmente, que brigam por causas sem pessoalizar as mesmas, estes (os maus) colocam gente contra gente, e aí o conflito está montado.
O vídeo pinçado estrategicamente (por ser ano eleitoral) do deputado gaúcho Luiz Carlos Heinze demonstra o quão esta luta de generalizaçíµes está na moda na política brasileira. O próprio pinçamento do vídeo e sua divulgação em jornais de alcance nacional mostra que é moda estimular esta verdadeira guerra de generalizaçíµes artificiais e politiqueiras. Os oponentes (que pinçaram o vídeo) talvez usem a mesma tática, mas colocam gente buscando desatençíµes de seus militantes do outro oposto. Mas o vídeo em si também denuncia e prova cabalmente esta prática: mostra um político em campanha colocando a categoria dos pequenos produtores rurais contra índios e outros segmentos, quando o problema está na forma de fazer esta reforma fundiária. E a culpa é do sistema e não dos índios nem dos pequenos agricultores, ambos vitima de incompetência do governo do Brasil em gerir o processo de forma justa.
E esta mazela se repete por palanques de todos os pagos deste Brasil. Basta filmar ícones da esquerda e ícones dos conservadores que veremos as generalizaçíµes expostas em vídeo, numa covarde luta por um lugar no poder.


