EDITORIAL – LIBERDADE OU PATERNALISMO?

27 de março de 2015

 

Por Fausto Araujo Santos Júnior

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Esta mais uma vez prestes a ser realizada mais uma edição do  Fórum da Liberdade, um evento de iniciativa genuinamente gaúcha, realizado pelo Instituto de Estudos Empresariais do RS. Trata-se de um evento polí­tico-institucional, que, de certa forma, defende a Liberdade de mercado em confronto com fóruns mais votados para modelos que defendem o Socialismo de Estado. Mas a cada ano que passa o legado que este tipo de encontro de defesa incondicional da liberdade individual, da liberdade de ir e vir e da liberdade de empreender e de manter a vida í­ntima longe de invasíµes do Estado acaba clarificando um fato que talvez seja o âmago dos debates principais. Nota-se que a defesa de fundo é a preservação do livre arbí­trio dos seres. Nota-se que a defesa de métodos econí´micos e administrativos debatidos nada mais é do que o confronto entre a intervenção – seja   lá de  quem for – nas vidas das pessoas, intervenção esta comparada com a busca de liberdade, que cada um dos seres possui, instintiva e racionalmente.

Defender, por exemplo, a privatização de empresas públicas e a livre concorrência de mercado frente aos oligopólios estatais como o do petróleo, do sistema financeiro, dentre outros, não significa tão somente a venda de patrimí´nio nacional como acaba virando o centro dos debates. Esta atitude significa que a nação brasileira, quando privatiza, está dizendo para o seu povo que ele, tão somente ele – o povo “ tem o direito de escolha do que consome, do que adquire, do que opta em todo o escopo de suas vidas. Empresas nacionais ou associaçíµes entre empresas nacionais com a iniciativa privada em setores vitais da economia quer dizer, ao contrário, que o Estado está dizendo para seu povo que é ele “ Estado – que está dizendo qual a escolha de consumo, de aquisição, de opção que nós – simples viventes – teremos de ter. Defender empresa estatal em setores produtivos é paternalismo em todos os casos. E paternalismo, na história da humanidade, só serve para crianças e adolescentes – estes sim dependentes dos pais até os 18 anos. Paternalismo após os 18 anos de idade, na prática, nada mais é que submissão.

Sistemas polí­ticos que entrevêem na economia através de empresas estatais, de tributaçíµes exageradas, de sistema burocrático de controle do sistema produtivo das naçíµes acabam sendo altamente influenciados por invadirem, também, a privacidade da sociedade. Geralmente, naçíµes intervencionistas são intervencionistas num todo. São sociedades que caminham para a ditadura de estado. Começam a pipocar leis e decretos que invadem as escolhas das pessoas dentro de suas casas; começam a surgir debates demonizando pessoas que possuem costumes ou culturas diferentes do que é estabelecido como politicamente correto. Pessoas consideradas do bem acabam sendo aquelas que defendem toda e qualquer causa onde existe um lado mais frágil, independentemente do contexto onde os fatos ocorrem, e o inconsciente coletivo acaba caminhando para uma ditadura de estado, de corporaçíµes, de clichês sociais.

Debater a diferença do Fórum da Liberdade de Porto Alegre, que defende a Liberdade, a propriedade e o livre comércio de bens e serviços como forma de desenvolvimento sustentado de nação, comparando-o com o Fórum de São Paulo – considerado um encontro que defende idéias marxistas, onde o Estado comanda quase tudo – não se trata tão somente de confrontar o mercado livre com a arbitragem pesada do Estado na economia, como parece. Trata-se de debater se o modelo de nação moderna é paternalista ou liberal.

E as campanhas polí­ticas também deveriam ser pautadas por estes dois pólos. Seria saudável que todos os polí­ticos ao menos se posicionassem de que lados estão: liberdade do povo ou pela submissão do povo ao Estado. E deveriam justificativr do por que preferem determinado lado.

 

 


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