ÔNIBUS E HISTÓRIA: Torres nasceu como barreira ou como porteira de entrada do estado do RS?

Num primeiro momento, sim — foi uma barreira, uma proteção, uma linha de defesa do Estado (província, à época). Depois, transformou-se numa porteira, com cobrança de impostos para a entrada de pessoas e mercadorias.

25 de janeiro de 2026

Num primeiro momento, sim — foi uma barreira, uma proteção, uma linha de defesa do Estado (província, à época). Depois, transformou-se numa porteira, com cobrança de impostos para a entrada de pessoas e mercadorias. Mais tarde, descobriu sua vocação turística e escancarou a porteira para os banhos curativos, que logo se tornaram apenas Sol e Mar. E assim permanece até hoje.

Como barreira ou porteira de entrada, Torres sempre viu as pessoas chegarem — ou apenas passarem por aqui. Ao tentar imaginar como chegaram os primeiros visitantes, a primeira imagem que me vem à mente são os cavalos. Mas também poderiam ser mulas (ou burros), carroças puxadas por juntas de bois ou cavalos. Sim, certamente vieram a cavalo ou em carroças. Os serranos, por exemplo, desciam a serra em jornadas de cinco dias montados em cavalos e mulas.

Com o turismo já em crescimento, outras formas de transporte foram surgindo.

Picoral, ao implementar o turismo balneário em seu hotel, instituiu o primeiro serviço de “jardineiras” — carroças com dois rodados e tração animal — que traziam seus hóspedes diretamente da capital. Na primeira viagem, levou quatro dias, mas, com o tempo, aprimorou o serviço e conseguiu reduzir o trajeto.

Mais adiante, agregou-se ao percurso uma mescla de navegação lacustre com conexão por carro até Torres. E, com a experiência e o avanço das tecnologias, novas formas de transporte surgiram: carros adaptados para levar mais passageiros, até a chegada dos novíssimos ônibus.

O transporte regular de passageiros por ônibus no litoral norte do Rio Grande do Sul começou apenas em 1935, com a Empresa Jaeger. O ônibus saía de Porto Alegre rumo às praias, passando por Gravataí, Glorinha, Miraguaia, Santo Antônio da Patrulha, Osório, Tramandaí, Três Forquilhas, Terra de Areia e, por fim, Torres.

O jornal O Torrense, de fevereiro de 1949, comprova a existência dessa linha, com propagandas da “Empreza Jaeger” e os horários de saída de Torres com destino a Porto Alegre: terças, quintas, sábados e domingos, às 6h e às 13h30.

Já em abril do mesmo ano, o mesmo jornal traz propaganda de outra empresa: a “Empreza Ibañez”, com a linha Tôrres–Pôrto Alegre e vice-versa. As saídas de Tôrres ocorriam nas segundas, quartas e sextas, às 6h e às 13h30. De Pôrto Alegre, partiam aos domingos, terças e quintas, às 5h e às 13h30 (respeitando a grafia da época).

Como se vê, havia o serviço de duas empresas operando a linha Porto Alegre–Torres. Uma delas, ao que parece, atuava somente na temporada; a outra, durante todo o ano.

Mais tarde, já na década de 1950, a linha operada pela Jaeger passou para a Empresa Santos Dumont, que manteve o serviço até 1966, quando foi vendida à Unesul — empresa que, desde então, opera essa e várias outras linhas ligando o litoral à capital.

Era assim, coletivamente, que as pessoas vinham para Torres — e para as demais praias do litoral norte do RS.

A abertura da BR-101, em 1947 (ainda sem asfalto), inaugurou um novo ciclo. Um novo caminho, uma nova forma de ir e vir da capital.

Bem… mas essa já é outra história.

 

Fontes: http://pioneiro.clicrbs.com.br/rs/geral/cidades/noticia/2020/03/arroio-do-sal-aventuras-a-bordo-de-um-onibus-12191484.html; Alessandro Medeiros Torres, Atos e Relatos; http://showroomimagensdopassado.blogspot.com/2011/08/showroom-busologia.html

 




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