OPINIÃO – A MARCHA DA INSENSATEZ

Há já algumas décadas, a historiador Barbara Tuchman escreveu um livro com o título desta coluna – 'A marcha da insensatez' -, no qual analisa como governos adotam políticas autodestrutivas, mesmo quando alternativas racionais estão disponíveis

Donald Trump (imagem via veci-verejne.sk)
9 de abril de 2026

Há já algumas décadas, a historiador Barbara Tuchman escreveu um livro com o título desta coluna – A marcha da insensatez -, no qual  analisa como governos  adotam políticas autodestrutivas, mesmo quando alternativas racionais estão disponíveis, a saber:

“Guerra de Tróia: A entrada do cavalo de madeira na cidade, simbolizando a falta de razão diante de avisos claros.

Reforma Protestante: A fragmentação da Santa Sé e suas consequências políticas e sociais.

Independência dos Estados Unidos: A perda das colônias americanas pela Grã-Bretanha sob George III, destacando a insensatez nas decisões políticas.

Guerra do Vietnã: O envolvimento dos Estados Unidos em um conflito que subestimou a determinação do povo vietnamita, resultando em um desastre militar”

 

Imagino o que não estaria pensando a referida autora diante dos fatos que estamos assistindo no ataque dos Estados Unidos e Israel contra o Irã. Desnecessário lembrar a absoluta disparidade de poder entre as partes em conflito: De um lado que, aliás, tomou a iniciativa do ataque, duas das maiores potências militares do planeta, detentoras, inclusive de poder nuclear, de outro, um país em desenvolvimento, embora populoso, com 90 milhões de habitantes e sólida herança histórica. Inicialmente, o Presidente Trump, iludido com a operação na Venezuela, ainda que advertido das grandes diferenças com o Irã, acreditou numa operação decapitação das lideranças iranianas, na esperança ingênua, para não dizer, ignorante, de que a população sairia ás ruas na tomada do poder. Putin, a propósito, também iludiu-se com a hipótese de que aos primeiros ataques russos, haveria um golpe na Ucrânia contra Zelenski.

Trump, arrastado à guerra pelos apelos do governo israelense, está literalmente empantanado. Já disse e se desdisse diversas vezes, ora alegando vitória, ora dando prazos, ora ameaçando ofensiva aterradora sobre o Irã, a ponto de levá-los de volta à Idade da Pedra. Vê corroer a cada dia sua popularidade junto á própria base, com reflexos na opinião pública, tendo chegado ao ponto mais baixo de popularidade: 33%.

Mas o grave é que os problemas não se resumem à esfera política, mas também institucional. Nos últimos dias vários altos escalões militares têm se demitido, quando não exonerados. Fala-se que um circuito de sionistas, tanto judeus como cristãos conservadores, imbuídos de uma estranha convicção de que o mundo deverá sofrer um novo dilúvio para que regenere, estão tomando conta de postos chaves do Departamento de Guerra, levando o Presidente a medidas cada vez mais estapafúrdias. Já há rumores de que um ataque nuclear ao Irã seria o único meio de acabar com o país

Lembremo-nos que Trump já falou em ataque nuclear, no seu primeiro mandato, em 2017. Chegou a cogitar de destruir “preventivamente” a Coreia do Norte, com um ataque nuclear, o qual seria atribuído a outra potência, eximindo-se da responsabilidade. Tratava-se da operação ‘fire and fury and frankly power’, inédita, como o mundo já vira antes, como relatou o correspondente do New York Times Michael Schmidt. Disse este jornalista que o Chefe de Staff, General John Kelly, general reformado da Marinha, teve que mobilizar diversos especialistas que acabaram demovendo Trump da “bad Idea”. Ao final, declarou que jamais o povo americano sonhou o perigo que passara naqueles dias, embora tenha também admitido que nunca chegou à conclusão se tudo não passava de bufonaria trumpista…




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