OPINIÃO – DESAFIO AS AUTORIDADES DE SEGURANÇA EM TORRES

Os equipamentos furtados fazem parte dos chamados totens de videomonitoramento, estruturas verticais equipadas com câmeras inteligentes, capazes de atuar de forma ostensiva e preventiva.

Câmera de segurança instalada na Prainha, em Torres
8 de abril de 2026
A VOZ DOSBAIRROS Por Dani dos Santos Pereira - A FOLHA - Torres - RS

Em ações ousadas e preocupante tem chamado a atenção das autoridades e da população na cidade de Torres. Criminosos estão vandalizando e furtando câmeras de monitoramento do programa de segurança, sistema da Prefeitura de Torres de inteligência artificial para reforçar a segurança pública e auxiliar na identificação de foragidos da Justiça.

O caso mais recente ocorreu na Rua Coronel Pacheco, esquina com a Rua Joaquim Hoffmaister, e impressiona pelo grau de planejamento envolvido. Para remover os equipamentos, os criminosos não se limitaram a escalar os postes. Eles serraram completamente as estruturas em fibra que sustentavam os totens de videomonitoramento, derrubando-os para facilitar o furto das câmeras, sendo o segundo Totem levando pelos meliantes do mesmo local.  Moradores residentes nas redondezas temem pela segurança dos seus, pois eles estão desafiando as autoridades policiais, ameaçando em retirar novamente caso seja colocado. Portanto,  moradores estão com medo de um conflito entre as duas partes.

A escolha do local não parece aleatória. De acordo com informações, os postes vandalizados estavam instalados em pontos estratégicos, utilizados frequentemente como ponto de encontro e vendas de drogas, em local de limites entre os bairros Getúlio Vargas e Predial e rota de veículos que circulam entre Torres/RS e Passo de Torres/SC. A intenção seria clara: “cegar” o sistema de vigilância para facilitar a prática de crimes e evitar a identificação por meio da tecnologia.

Os equipamentos furtados fazem parte dos chamados totens de videomonitoramento, estruturas verticais equipadas com câmeras inteligentes, capazes de atuar de forma ostensiva e preventiva. Além de registrar imagens em alta definição, esses totens contam com recursos de inteligência artificial, integração com centrais de monitoramento e, em muitos casos, botão de emergência para acionamento rápido da Guarda Municipal ou da Polícia.

Apesar do prejuízo material e do impacto operacional causado pelo vandalismo, a Prefeitura de Torres informou que a manutenção, o reparo e a substituição dos postes e das câmeras são de responsabilidade da empresa que administra o sistema. Segundo a administração municipal, não há custos adicionais para os cofres públicos nesses casos. Atualmente, o programa é composto por câmeras integradas espalhadas por toda a cidade.

Cabe a Polícia Civil trabalhar na análise das imagens captadas pelo próprio sistema e por outras câmeras da região para identificar e localizar os responsáveis. Trata-se de um crime que chama a atenção não apenas pela audácia, mas também pela tentativa explícita de desafiar e neutralizar as novas tecnologias de segurança pública.

 

Comentário sobre o ocorrido – Episódios como esse reforçam uma discussão antiga e necessária sobre os limites da tecnologia na segurança. Embora sistemas eletrônicos de alta tecnologia sejam fundamentais, eles não podem ser vistos como solução única ou definitiva. A crença de que equipamentos podem substituir integralmente os profissionais de segurança, muitas vezes baseada apenas em argumentos financeiros, mostra-se frágil diante da realidade.

A tecnologia deve ser encarada como uma aliada estratégica, capaz de ampliar a eficiência do trabalho humano, fornecer informações qualificadas e apoiar a tomada de decisão. No entanto, ela não possui capacidade de intervenção física, análise contextual completa ou resposta imediata a situações imprevistas sem a atuação de pessoas treinadas.

Os furtos recentes de câmeras evidenciam exatamente essa limitação. Uma segurança verdadeiramente eficaz é construída a partir do uso inteligente e integrado de recursos humanos e tecnológicos. Reduzir custos penalizando equipes operacionais pode gerar uma falsa sensação de economia, mas, na prática, aumenta a vulnerabilidade e potencializa prejuízos futuros.

Segurança de qualidade exige investimento, planejamento e equilíbrio. Quando profissionais capacitados e tecnologia trabalham de forma complementar, os resultados são mais consistentes, sustentáveis.

Esses totens fazem parte de uma estrutura de segurança comunitária, e a polícia investiga a possibilidade de que os furtos estejam relacionados a ações de traficantes locais. A crescente sensação de insegurança na região levou moradores a se preocupar com a eficácia dos sistemas de segurança e a possibilidade de riscos à privacidade. Esses eventos destacam a fragilidade dos sistemas de segurança e a necessidade de reflexão sobre a regulamentação e a operação desses equipamentos.

 




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