OPINIÃO – O Irã está vencendo Trump

"Estados Unidos, sob Trump, acompanhou a narrativa israelense e se lançou sobre o Irã acreditando poder ali, reeditar o feito sobre a Venezuela: uma operação cirúrgica de assassinato de lideranças iranianas, na expectativa de que a insurgência popular levasse á mudança do regime. Errou. O regime continua de pé". 

Donald Trump (imagem via veci-verejne.sk)
25 de abril de 2026

O dia 28 de fevereiro de 2026 ficará na História como o verdadeiro Dia da Infâmia. Duas potências nucleares, altamente desenvolvidas, decidem bombardear um país, além de pobre, enfraquecido por anos de sanções ocidentais que lhe impedem manter um ritmo razoável de desenvolvimento e atenção de serviços públicos à sua numerosa população – 90 milhões – : Israel+EUA x Irã. Tudo sob a argumentação de que este país é uma ameaça à civilização, desde que, em 1979, sua elite religiosa derrubou um dos regimes ditatoriais mais odiosos e sanguinários do mundo sob a tutela ocidental: a monarquia (fajuta) de Rehza Pahlevi.

Israel jogou-se nesta aventura em decorrência de um projeto milenarista, sustentado por uma coligação conservadora sionista liderada por um líder extremista, Netanyahu, de reconstruir a Grande Pátria judaica, no rastro do Patriarca Abrahão, a quem Deus incumbiu de “limpar” uma área no Oriente Médio para o assentamento de seu povo. “Povo eleito”…Custasse o que custasse. E continua custando, sobretudo em vidas palestinas deslocadas aos milhares de sua morada desde 1948. Agora exigiu a vida, também, de iranianos.

Estados Unidos, sob Trump, acompanhou a narrativa israelense e se lançou sobre o Irã acreditando poder ali, reeditar o feito sobre a Venezuela: uma operação cirúrgica de assassinato de lideranças iranianas, na expectativa de que a insurgência popular levasse á mudança do regime. Errou. O regime continua de pé.  Como errou, também, na suposição que destruiria rapidamente a capacidade bélica dos iranianos levando-os a se submeter às exigências quanto à sua capacidade de processamento nuclear. Pior, o embate de Trump no Irã, o expôs internamente, devido às repercussões da guerra sobre o aumento do petróleo e derivados, conduzindo-o a perda de popularidade: 33% de apoio. Mas muito pior, aliás, é seu confronto com a base popular, principal responsável por seu sucesso eleitoral, o MAGA. Inúmeras e ácidas críticas levantaram-se neste grupo contra a traição daquele que prometia voltar-se para questões internas dos Estados Unidos e, mais uma vez, metia-se numa guerra que nenhum benefício traz aos americanos. Trump reedita no MAGA a “Noite das Facas Longas” de Hitler, já no poder, contra aqueles que lá o colocaram: os Sturm Apteilung, cuja sigla era S.A.

Da parte do Irã, a pergunta que fica no ar é: Por que resistem tanto? A resposta é simples; Lutam pela sobrevivência de uma cultural milenar pautada por princípios e não resultados, que se reflete em sua Política Externa como inflexibilidade diante de ameaças. Compreenderam que Trump opera como todo vendedor ousado cujos primeiros lances são sempre secundados por recuos: “chiquen out”. Amarela, sempre, para fechar negócio. Sua ameaça “destruir” o Irã, ou, agora, de forçar a vigia sobre o Golfo de Oman, com vistas à amaciar a determinação dos representantes dos aiatolás nas negociações no Paquistão, apenas o ridicularizam perante o mundo. Ficou isolado não só dentre do seu próprio país, devendo sofrer derrota fragorosa nas eleições parlamentares de novembro, como está cada vez mais só no concerto internacional. Os Estados Unidos perderam a guerra no Vietname e perderam no Afeganistão, mas desta vez foi Trump o maior perdedor. Carregará pelo resto de sua vida a alcunha que tanto odeia: “loser”, perdedor.

E lá se vai a AMÉRICA AMÉRICA!, ladeira abaixo, com uma dívida impagável diante de um dólar cada vez mais fraco diante de um comércio frágil, de uma potência militar inútil, que tem na cavalaria dos porta aviões seu ponto fraco e na perda da capacidade hegemônica de seu ‘soft power’.

 

*** A opinião dos colunistas de A FOLHA Torres é independente e não necessariamente representa o posicionamento do veículo de comunicação***




Veja Também





Links Patrocinados