A previsão do tempo – conforme os modelos acessados pela coluna – sinaliza que ‘um ciclone’ com ventos fortes e temporais pode estar atingindo o MDB de Torres. Um ‘sistema de alta pressão’ está se deslocando por cima dos CCs (Cargos de Confiança) e políticos eleitos do partido, que parece estar captando para dentro dele, integrantes de outros partidos da política de Torres, levando de arrasto a posição dos que se acomodaram nas ofertas dada a eles pelo MDB após tomar o poder, o que pode estar gerando ‘ventos fortes e chuvas torrenciais’ em cima do governo Delci.
SISTEMA DE ALTA PRESSÃO SE MONTANDO NO GOVERNO DELCI II
É que o prefeito Delci Dimer que, como sua característica de pessoa conciliadora das diferenças entre seus seguidores, optou por acomodar desejos de vários lados e posições ideológicas, mas não está conseguindo na prática operar da forma que estas articulações bondosas (como ele) se transformem em programas de governo. Isso justamente porque, na prática, o mundo é bastante binário, e quando se opta por algo, sempre terá uma parte de pessoas que optaria pela decisão contraria, justamente obedecendo o sistema de dois polos, mas que não estariam sendo parceiros das articulações para aceitarem fazer sua parte nas concessões, em troca de receber a paciência ( e concessões) da outra parte… e também aceitar coisas frente ao seu contraditório.
SISTEMA DE ALTA PRESSÃO SE MONTANDO NO GOVERNO DELCI III
Esse ‘temporal’ acabou gerando dois lados na base do governo em Torres: na prefeitura e na Câmara (mais uma vez o sistema binário funcionando). Não se sabe se por disputa de egos entre líderes das partes dissidentes, ou se por, efetivamente, sentimento de desilusão acerca das decisões da administração até agora. Mas o embate gerou até uma demonstração cabal da divisão, ao ser criada dentro da Câmara (pelos menos nos bastidores) duas candidaturas do mesmo MDB para disputar a posição da presidência da Casa Legislativa. Por um lado, o atual presidente Igor Beretta quer ser reeleito para mais um ano de mandato. E do outro, o vereador Dilson Boaventura, que inclusive abriu mão de sua posição como secretário de Obras para voltar à Câmara e buscar ser eleito presidente, afirmando que queria isto “para defender os projetos e ações do governo”, o que para ele (talvez para um dos lados dos polos também) não estaria acontecendo atualmente.
SISTEMA DE ALTA PRESSÃO SE MONTANDO NO GOVERNO DELCI IV
Igor Beretta realizou uma gestão progressista e independente na Câmara em 2025 (talvez fazendo sua parte na conciliação buscada pelo prefeito Delci também lá), ao chamar ‘gregos e troianos’ para o centro do jogo. Buscou assessores para seu gabinete, atendendo pedidos de pessoas de outras agremiações (inclusive concorrentes políticos diretos no pleito anterior – em 2024) e abrindo espaço para contratações de maiores assessorias políticas para todos os 13 vereadores, dobrando o número de assessores em cada gabinete (de um para dois). E, acha que, por isso e por sua gestão progressista, conta, então com alguns dos votos dos colegas para se reeleger.
Já Dilson Boaventura busca ocupar sua posição de defender mais as ações do governo Delci. E tem como arma de negociação os CCs oferecidos no poder executivo aos ocupantes dos vários partidos na Câmara como método de conciliação política utilizado pelo prefeito e pelo presidente da Câmara (e do MDB), Igor, como moeda de “troca de favores” (se Delci assim quiser… ou deixar). Mas tem alguns vereadores na Câmara que não aceitaram receber CCs no governo, embora estejam agradecidos pela abertura no organograma de mais um assessor em cada um de seus gabinetes, abertura esta que foi feita por lei ( onde somente o vereador Claudio Freitas votou contra) e que só pode ser modificada por outra lei que mude (ou retroaja. Ou seja: o cargo é do vereador e não do presidente da Casa Legislativa.
A eleição para Presidente da Câmara é no dia 1º de dezembro e a sociedade poderá ver de que lado dos polos cada um dos vereadores estará, inclusive os que se dizem independentes. Mas poderia também aparecer OUTRA chapa, talvez para levar os votos dos que não querem se posicionar em nenhum dos lados polarizados. Será?
Olho… no gato… e no peixe!
CERCAMENTO ELETRÔNICO É SALVAÇÃO. MAS QUEM PAGA?
O cercamento eletrônico que foi prometido pelo governo Delci, em minha opinião, é a salvação do sistema de segurança em todos os seus vieses e em todos os lugares: ajuda e resolve na opressão inicial, passando pela ajuda nas investigações e, após, para um julgamento coerente com o crime (ao produzir provas).
Inclusive acho que se trata de uma forma da sociedade (toda) automatizar o sistema, diminuindo custo com pessoas em troca de inteligência e captação de dados pelas câmeras de vigilância, quando sobra dinheiro para mais investimentos em outras áreas, inclusive de prevenção à insegurança como consequência desta economia inicial.
Só não sei se essa atividade não deveria ficar com a responsabilidade (e custos) do sistema de segurança estadual, já que é dos Estados Federativos no Brasil a responsabilidade de gerir e operar a segurança pública, em todos os municípios das unidades federativas. Ou não?
Quem irá se beneficiar pela instalação de Câmeras na cidade (além dos cidadãos) é o sistema ESTADUAL de segurança pública, formado pela Brigada Militar, Polícia Civil, Bombeiros e pelo Tribunal de Justiça e pelo Ministério Público, todos estaduais e que possuem orçamento bastante grande para operarem. Mas quem está implementando o sistema é a prefeitura de Torres. Por quê?
Acho (e repito) que o sistema está colapsado. Há de se realizar uma reforma administrativa, tributária e política em todo o Brasil, mas principalmente no RS, para arredondar essas pontas que cada vez mais surgem ‘espetando’ os gestores nas administrações, principalmente dos municípios, onde tudo acontece na prática e onde os direitos humanos são cobrados por nossa constituição diretos aos prefeitos, mesmo que sejam de responsabilidade de gestores estaduais e federais em vários casos.

