OS 400 ANOS DAS MISSÕES

No dia 3 de maio de 1626, o jesuíta Roque Gonzalez funda, na banda oriental do Rio Uruguai, território hoje do Rio Grande do Sul, a redução indígena de São Nicolau.  Daí a lembrança, neste ano de 2026, dos 400 anos da ocupação missioneira. 

FOTO via jesuitasbrasil.org.br
8 de maio de 2026

No dia 3 de maio de 1626, o jesuíta Roque Gonzalez funda, na banda oriental do Rio Uruguai, território hoje do Rio Grande do Sul, a redução indígena de São Nicolau.  Daí a comemoração, neste ano, dos 400 anos da ocupação missioneira.  Este seria o primeiro gesto do processo colonizador nesta região, levado a cabo sob a égide de Espanha, a cargo da Companhia de Jesus, nos termos do Tratado de Tordesilhas, que limitava os direitos portugueses numa fatia do continente sul-americano cujo limite ao sul seria ao sul da Capitania de Santa Catarina (Laguna).

Outras reduções se seguiriam, depois de São Nicolau, não sem reações da comunidade indígena, acarretando, inclusive o assassinato de Roque Gonzalez. Com o tempo praticamente toda a área ao sul da referida Capitania de Santa Catarina, até o Prata, seria ocupada por essas aglomerações guaranis supervisionadas pelos jesuítas, fator determinante da formação da futura sociedade riograndense. Elas se constituíam num desdobramento da ação espanhola de conquista do interior do continente que já se processara no Paraguai e nordeste da Argentina.

Importa registrar que Espanha e Portugal levaram a cabo sua expansão na América do Sul por caminhos distintos. Espanha aportou no Caribe em 1492, chegou rapidamente ao México, centro mais desenvolvido dentre os povos ditos primitivos, e foi descendo pelos Andes, onde conquistou os incas, daí escorregando para a planície do Paraguai até fundar Buenos Aires, no extremo sul, em 3 de fevereiro de 1536, por Pedro de Mendoza, chamada “Real de Nuestra Señora Santa María del Buen Ayre”, que foi abandonada devido a conflitos. A fundação definitiva ocorreu em 11 de junho de 1580, por Juan de Garay, estabelecendo a cidade de forma permanente. Neste percurso acabou descobrindo , em 1545,  as reservas de prata em Potosi, na Bolívia, que viria a se constituir na maior riqueza daquela época, chegando a ser exportada diretamente para a China, a partir de um porto do litoral do Peru.

Já os portugueses, “arranharam a costa atlântica como caranguejos” até o século XVIII, quando se depararam com o ouro de Minas Gerais. Nenhum interesse tinham ao sul, sendo de ressaltar que a Capitania de Santa Catarina foi um notório fracasso. Só em 1680 iriam despertar para a importância da região do Prata, fundando a cidade de Colônia defronte a Buenos Aires, erigindo o Presídio do Rio Grande em 1737 como ponto de apoio àquela bacia. Com a ocupação pelos “castelhanos”,  desta cidade, que se alongaria até a margem esquerda do Guaíba, em 1763, o Comandante José Marcelino de Figueiredo  se desloca para Viamão e Porto Alegre, transformando-a em capital pouco depois.

Aqui, portanto, no Rio Grande do Sul, os processos de colonização de Espanha e Portugal começam a se tocar, provocando aguerridas disputas e confrontos. Neste meio tempo, outra incursão portuguesa, partindo da Vila de São Vicente, em São Paulo, não oficial, também se encontrará com os espanhóis, justamente na área missioneira, onde capturavam indígenas para levarem ao centro do país como escravos. Outro ponto, portanto, que faria com nossa história fosse pontilhada desde seus primórdios por conflitos bélicos, a tal ponto que Érico Veríssimo, em sua obra monumental “O Tempo e o Vento” tenha dito que nossas mulheres jamais desvestiam o luto.

Com efeito, com o passar do tempo, as “reduções” indígenas da primeira metade do século XVII foram praticamente devastadas pelos “bandeirantes”, vindo, porém, a serem logo reconstruídas e disseminadas tão logo arrefeceu o tráfico com indígenas escravizados, á luz da retomada do tráfico negreiro que abastecia os engenhos retomados por nacionais com a expulsão dos holandeses. Foi o tempo dos SETE POVOS DAS MISSÕES, estes, também pulverizados novamente, desde vez nas Guerras Guaraníticas de 1756/7, quando pereceu Sepé Tiaraju. Era o resultado da aplicação dos termos do Tratado de Madrid, entre Portugal e Espanha, que determinava a troca de Colônia pelas Missões.

Com esta nova arremetida “civilizadora” sobre os territórios nativos, parte dos guaranis sobreviventes deste genocídio atravessam o Uruguai, outros se esparramam como, párias pelo pampa, contribuindo fortemente na formação da nossa gente gaúcha. Um filme, “Anahy de lãs Misiones” , bem o demonstra.

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