11ª Feira do Livro de Torres: Consolidando a força da cultura na cidade

27 de setembro de 2011

 

 

 

 

 

 

Por Guilherme Rocha

 

 

   

í‰ difí­cil explicar com palavras o sentimento que presenciei nesta 11 ª Feira do Livro de Torres. Percebi a nossa comunidade envolvida com a literatura de uma forma que, sinceramente, não imaginava.   Presenciei esclarecedoras palestras com renomados escritores que marcam a cultura e as tradiçíµes de nossa terra. Me diverti com as brincadeiras no palco, com as diferentes atividades culturais proporcionadas por interessados alunos, mostrando como vêm crescendo o envolvimento das escolas na propagação do conhecimento e da criatividade. Me emocionei com pais e filhos que, lado a lado, dividiam experiências e fortaleciam juntos o hábito da leitura.   Graças a união de diferentes setores da sociedade, da Rádio Cultural (transmitindo direto da feira), do SESC, da ULBRA, dos livreiros, principalmente a Superlivros,  da Prefeitura Municipal da cidade e principalmente da comunidade, Torres concluiu mais uma exitosa Feira do Livro, o segundo maior evento cultural de nossa cidade, provando com competência que temos muito mais a oferecer do que apenas praia, sol e belezas naturais. Temos também muita cultura, da qual devemos nos honrar e propagar aos quatro cantos do mundo!

 

         

  Os livreiros: O termí´metro do público

 

 

       

                                                                                                    Um número cada vez maior de livreiros

 

 

     

Na Feira do Livro, ninguém melhor que os livreiros para passar uma visão detalhada de como está sendo o interesse e as demandas do público. í‰ o que podemos perceber após uma conversa com Bianca Duarte Monteiro, que representa a Livraria Nobel na feira. Tem sido grande a procura por obras infanto-juvenil, e é interessante perceber que os filhos vêm trazendo os pais para cá. Esse fato parece deixar claro que as crianças vêm sendo mais estimuladas a ler pela famí­lia, e ao mesmo tempo passam esse interesse para os pais, que também acabam sendo incentivados. Bianca ressalta ainda a popularidade de sagas voltadas para o público jovem, como Harry Potter e Crepúsculo. São séries que têm um papel importante na criação de um hábito de leitura, pois são livros com histórias mágicas e envolventes, que fazem com que o leitor tenha o prazer de folhear as páginas e acompanhar a história. E para saber o final da história o leitor deve acompanhar os outros livros da série também. Por isso, ao invés de lerem apenas um livro, eles lêem vários, e desenvolvem suas capacidades de compreensão para leituras mais complexas Além da grande saí­da de obras infanto-juvenil, Bianca indica que o público adulto tem comprado significativamente livros de história e polí­tica, e convida os interessados em um acervo maior de obras a visitarem a nova loja da Nobel em Torres.  

 

  Já Sinara Avila é proprietária (juntamente com seu marido Paulo Ricardo) da livraria e distribuidora Fênix, também presente na feira do livro de Torres. Segundo a livreira, o movimento da feira vem sendo bom, apesar de o tempo não estar ajudando muito. As pessoas estão comprando bastante, se destacando a venda de obras básicas sobre espiritismo. Creio que os livros espí­ritas vêm se popularizando,  pois, enquanto nossa vida cotidiana encontra-se cada vez mais atribulada e confusa, nas obras do espiritismo as pessoas encontram   palavras alentadoras que as auxiliam a encontrar um caminho, a encontrar respostas para muitas dúvidas Sinara destaca a boa vendagem do livro Em busca de uma nova vida, da autora espí­rita Ana Cristina Vargas (que esteve presente palestrando na feira), e reflete sobre o papel da leitura na formação das pessoas. Algumas obras marcam o leitor, trazendo alguma história ou ensinamento que a pessoa não quer guardar apenas para si, mas sim passar adiante. E desta forma o conhecimento se propaga, e as pessoas constroem uma visão mais completa sobre o mundo.

 

     

Comunidade demonstra seu gosto pela leitura

 

 

 

 

 

 

     

                                              Participação de jovens da cidade

   

  No domingo, um belo final de tarde serviu de incentivo para que centenas de pessoas lotassem a Feira do Livro. O público se movimentava entre as bancas, com sua grande variedades de livros, e as cadeiras, para se acomodar e assistir as interessantes palestras e atividades que aconteciam no palco da feira. Em meio a este público encontrava-se João Gabriel Duarte, de doze anos, acompanhado pela mãe Maria Cláudia Duarte. Eu estou aproveitando a feira, é um lugar que eu me sinto bem, pois gosto bastante de ler. Inclusive sonho em ser um escritor quando crescer, pois escrevo bastante também. João Paulo carregava embaixo do braço um exemplar do livro Percy Jackson e o Mar de Monstros, segundo livro de uma saga juvenil que mistura aventura e fantasia com mitologia. Segundo Maria Cláudia, a iniciativa de comprar o livro partiu do próprio filho. Ele tem gosto pela leitura, e na verdade já tem uma capacidade de entender algumas obras bem complexas para a sua idade.   Acho que isso se deve em parte pela escola, que faz trabalhos e ensina o aluno a interagir com o livro, mas também por influência da famí­lia, já que tanto eu, quanto meu marido e meu pai, gostamos de ler e incentivamos o João Gabriel a continuar com este bom hábito.

 

  Já Leopoldo Bertrich é aposentado, morador de Santa Maria e turista eventual de nosso municí­pio. Ele diz que veio passar o feriado na cidade sem saber que a Feira do Livro estava acontecendo, e ficou contente em perceber um lado cultural que ainda não conhecia de Torres. Acho bom que Torres esteja incentivando um evento importante do porte da Feira do Livro, pois é uma forma de difundir cultura e conhecimento para todos da cidade. Fiquei positivamente surpreso, pois vejo que trata-se de uma iniciativa organizada, que além da venda de livros conta com boas palestras Aproveitando o momento e a inspiração, Leopoldo também comprou um livro, Uma Breve História do Mundo, que conta de forma sucinta os principais acontecimentos da história humana. Me interesso muito por história e pela evolução do homem, por isso acho que esse livro foi uma boa pedida. Essa é uma das vantagens da terceira idade, a gente tem mais tempo e paciência para ler aquelas coisas que gostamos, concluiu o aposentado.

   

  Visconde de Sabugosa e Emí­lia fazem a festa na Feira

 

 

 

     

 Recepção organizada e temática ao público

   

  A 11 ª   Feira do Livro de Torres foi marcada pela presença de grandes escritores da literatura nacional, pelos livreiros expondo e vendendo uma variadas gama de obras,   e a interação do público com este ambiente agradável. E quem merece palmas por ter mediado tão bem essa relação entre o público e as muitas atividades do evento é a dupla Emí­lia e Visconde de Sabugosa. Os personagens da obra de Monteiro Lobato ganharam vida no palco da feira,  e com muita simpatia, descontração e criatividade foram os mestres de cerimí´nia ideais para o evento, cativando todo o público (principalmente as crianças) com jogos e brincadeiras.

 

João Cláudio Petrillo, que encarnou o Visconde de Sabugosa, e Tieli Gomes, que deu vida a boneca de pano Emí­lia, mostraram uma incrí­vel afinidade no palco, numa parceria de sucesso que começou no teatro. Eu e a Tieli representamos uma peça chamada Um casal de dois  (no momento fora de cartaz) e a partir deste trabalho começamos a nos entender cada vez   melhor em palco. Eu penso que o importante para cativar o público é ter sensibilidade em relação ao momento,   interagindo de acordo com o que a situação pede, indicou o ator João Cláudio. Já Tieli se diz honrada com a possibilidade de participar da feira. Foi uma grande alegria interagir com o público e, ao mesmo tempo, incentivar a leitura. As crianças também estão de parabéns por participarem com tanto entusiasmo das brincadeiras e atividades, finaliza a atriz.

 

 

 

      A importância de uma organização competente para que

 um grande evento aconteça

 

 

 

 Alexandre Porcatt, coordenador geral da Feira do Livro:

União de todos os setores da sociedade para fortalecer a cultura

 

     

Alexandre

 

   

Se a organização e o resultado da Feira do Livro foram   tão significativos, isso deve-se em muito ao trabalho do sempre presente Alexandre Porcatt, Coordenador Geral da 11 ª Feira do Livro e representante do SESC-Torres. A feira do livro é mais que um evento, é a culminância de todo um trabalho de leitura estimulado nas escolas e nas famí­lias. í‰ uma troca de experiências, uma forma de fortalecer o senso crí­tico daqueles que lêem e criar o hábito de leitura aos que não lêem, estimulando a evolução cognitiva da sociedade, indicou o coordenador geral da feira. Ele ressalta ainda a articulação entre escolas, alunos, órgãos públicos e privados e a comunidade para tornar possí­vel que a feira acontecesse, com todo o destaque e atrativos que se viu. E a partir da união de todos esses setores da sociedade é que vamos fortalecendo a cultura da nossa cidade, pois a feira é voltada principalmente para o torrense, num trabalho contí­nuo pela valorização e estí­mulo ao crescimento da literatura por aqui.

 

Alexandre salientou a importância da divulgação do evento e a integração com os livreiros. Todo o tipo de livros foi contemplado durante a feira, mas os dois principais pilares do evento deste ano foram a literatura infanto-juvenil e a literatura espí­rita. Assim, trabalhamos com uma divulgação especí­fica a estes dois grupos, focado em informar as escolas e centros espí­ritas, com resultados bastante positivos de retorno. í‰ importante frisar   também o envolvimento dos livreiros neste processo, até por que são eles que tem uma visão mais detalhada do que acontece na feira, são um termí´metro do público. O representante do SESC falou ainda da ligação entre o povo gaúcho e a leitura, comemorando também o sucesso desta edição da feira. Passo Fundo é a cidade que mais lê livros no Brasil, e o Rio Grande do Sul o estado que mais lê. í‰ gratificante ver que o gosto pela leitura cresce também por aqui, já que neste ano foram comercializados na Feira do Livro em torno de 5.500 tí­tulos, 16% a mais que na edição anterior. Parabenizo a todos que ajudaram no evento e a comunidade torrense, que mostrou que Torres tem muito mais a oferecer do que praia e belezas naturais, finalizou o coordenador geral.

 

 

   Secretário Roniel Lummertz:

 A juventude de hoje é a base para o futuro

 

 

 

 

 

                                            Roniel: 7 anos de capitaneio

   

í‰ impossí­vel falar da Feira do Livro aqui em Torres sem citar Roniel Lummertz, que participa da organização do evento já faz sete anos. Secretário de  Turismo, Comércio e Indústria (que congrega também a pasta de cultura), ele celebra o crescimento da feira. A estrutura vêm aumentando ano a ano, e as escolas contribuem cada vez mais. í‰ bonito ver os alunos participando da feira com espetáculos de dança, ballet, capoeira, mí­mica, música, mostrando o potencial de nossos jovens.   Esta 11 ª edição se destaca também pela grande interação entre o público e os autores nas palestras, bem como estão de parabéns nossos Visconde e Emí­lia, entretendo e mobilizando o público sempre com bom humor.   Roniel frisou também o interesse cada vez maior das crianças pelos livros A juventude de hoje é a base para o futuro, e aqui elas têm o que é muitas vezes o primeiro contato com a literatura, compram seu primeiro livro. í‰ um bom momento para nossa cidade, tivemos platéias lotadas, algumas sendo assistidas por quase 600 pessoas, e tanto pais quanto filhos tiveram participação significativa nestas atividades.

 

O secretário municipal ressalta a importe presença de autores renomados da literatura gaúcha na Feira do Livro, e fala da identidade que este evento vem criando com a nossa cidade. A feira precisa de atrativos culturais que chamem a atenção do público, e neste quesito a organização está de parabéns. A presença de grandes autores como Tabajara Ruas e Letí­cia Wierzchowiski, além de satisfação de ouvir em pleno dia 20 de setembro as palavras de Paixão Cí´rtes, um dos grande sí­mbolo de nossa tradição gaúcha,   são sinal da grandeza que nossa Feira do Livro está consolidando   em Torres. Roniel finalizou agradecendo a parceria do SESC-Torres, ULBRA-Torres e Superlivros com a Prefeitura Municipal, trabalhando juntos pela valorização da cultura do municí­pio.

 

   

Liege Barbosa, anfitriã da feira:

 

 

 

 

Escolas estão de parabéns pelo
 trabalho de incentivo í  cultura

 

     

Ser anfitriã de uma Feira do Livro é uma grande responsabilidade, função que Liége Barbosa soube abraçar com elegância e competência. Frente a frente com grandes nomes da literatura de nosso estado, Liége mostrou serenidade, simpatia e segurança na condução das palestras, mostrando ao público e aos autores entrevistados a melhor hospitalidade torrense. Foi uma grande honra ser lembrada para participar desta feira como anfitriã, uma tarefa que encarei como um desafio e que espero que tenha sido tão agradável ao público como foi para mim. A anfitriã se disse muito satisfeita com o resultado da feira, que lhe passa uma visão otimista sobre o futuro. As escolas estão de parabéns, por incentivar com que o aluno não só leia o livro, mas interaja com as obras de forma criativa. Isso fortalece o interesse dos jovens pela cultura, como pudemos perceber na grande presença da juventude na Feira do Livro.  

 

Liége destacou ainda a participação dos escritores   nas palestras. Tratam-se de nomes importantes da nossa literatura, que representam diferentes formas de se expressar com seus livros. Foi em particular uma emoção poder conversar com Paixão Cí´rtes, í­cone da cultura gaúcha. A organização foi muito feliz na escolha dos autores, e o público se interessou e aprendeu com o que eles tinham a dizer. Ano que vêm, as próprias escolas irão sugerir os escritores para palestrar na Feira do Livro, o que tornará esta escolha mais democrática finalizou Liége, desejando boa sorte aos organizadores para a próxima edição da feira.

 

       

Palestras com grandes nomes da literatura nacional promovem

a leitura e o crescimento cultural de Torres

 

 

   

A Feira do Livro deu um show com sua organização, apresentaçíµes de diversos grupos artí­sticos, e um público interessado em participar e ouvir o que os autores convidados tinham a dizer. Escritores consagrados no cenário nacional como Letí­cia Wierzchowiski, Tabajara Ruas e Paixão Cí´rtes estiveram presentes nesta 11 ª edição da feira, dividindo suas experiências em produtivas palestras, disseminando o poder e o prazer da leitura entre jovens e adultos.

   

Literatura infanto-juvenil: criando gosto pelas palavras

   

Destacou-se também a grande presença das crianças no evento, mostrando que a literatura vem conquistando fãs cada vez mais jovens, que sentem curiosidade e desejo de interagir com o fascinante mundo das palavras. E foi pensando nestes jovens leitores que os organizadores trouxeram para nossa cidade alguns tarimbados autores de livros infantis, que dividiram experiências com o público, contando sua trajetória e inspiraçíµes, conversando sobre os muitos caminhos da literatura. Hermes Bernardi Junior foi quem abriu o ciclo de palestras da XI Feira do Livro. Autor de diversos livros infantis, como Planeta Caiqueria e Casa Botão, o escritor falou sobre sua paixão pelos livros, sua infância no interior do Estado e das inspiraçíµes para escrever suas obras. Meus livros eu escrevo buscando inspiração na verdade que as crianças possuem, elas são minha fonte de criação, explicou Hermes.

 

Outro que cativou os pequenos leitores foi o escritor Dilan Camargo. Em dois tempos, o autor conversou com mais de 600 alunos da Educação Infantil até a 5 ª série, declamando, em parceria com as crianças, poesias de suas obras BrincRIar e Bamboletras. Gaúcho de Itaqui, Dilan é um escritor que gosta de brincar com as palavras, e com essa brincadeira ganha seus pequenos leitores. Entre uma história e outra, ele salientava para as crianças a importância da leitura para o sucesso, não só na escola, como também na vida.  Autor de 18 tí­tulos, dos quais oito infantis, Dilan revelou que este ano está lançando um livro no formato eletrí´nico voltado ao público adulto.

   

As idéias (e a irreverência) de Marcelo Carneiro da Cunha

   

Marcelo Carneiro da Cunha é jornalista formado pela UFRGS, e um dos bons nomes da literatura gaúcha. Autor de 18 livros teve dois deles adaptados para as telas do cinema (Insí´nia e Antes Que o Mundo Acabe). Presente na Feira do Livro em três diferentes momentos, o escritor interagiu com o público falando de suas obras, viagens e experiências que viveu ao longo de sua carreira. Ele explicou que seus livros, por mais que tenham muitas vezes   temáticas e personagens jovens, não são voltadas para um público especí­fico. Não sou ligado em nenhuma categoria de literatura. Penso que os livros sim possuem duas categorias: ou são bons ou são ruins. Marcelo indicou seu gosto pela criação de personagens nos livros, e deu conselhos aos espectadores que assistiam as palestras. Eu gosto de conhecer o outro lado, não quero falar de mim em meus livros, e sim dos outros, eu sou muito chato. Penso que a arte não deve ser empurrada goela a baixo, as pessoas tiram das histórias o que querem e o que podem.

 

Crí­tico e irreverente, o escritor soube interagir bem com os espectadores, a grande maioria adolescentes na faixa etária entre 12 a 17 anos. As obras de Machado de Assis e O Diário da Queda, do gaúcho Michel Laub, foram as recomendaçíµes de Marcelo Carneiro da Cunha para indecisos que querem começar a ler, mas não sabem por onde começar. Os clássicos de Machado de Assis são fantásticos e o de Laub por se tratar de uma ficção breve e densa sobre o poder de escolhas e como elas podem mudar a nossa vida, destacou.

   

Torres em Transe:

     Fernanda Carla Borges retorna a sua terra natal

para lançamento do livro

   

Outro momento especial da Feira do Livro se deu com o lançamento do livro Torres em Transe.  Isto porque o tí­tulo, além ser ambientado na mais bela praia gaúcha, foi escrito por uma filha da terra: Fernanda Carlos Borges, que atualmente reside em São Paulo. Assim, o momento também oportunizou o encontro entre a autora e velhos amigos. Fernanda, além de filósofa e doutora em comunicação e semiótica, é autora de outros três tí­tulos

 

Ela contou que a obra nasceu de três motivos diferentes. O primeiro deles é porque eu sou torrense, e essa cidade tem uma história com caracterí­sticas muito locais e pouco conhecidas. O segundo motivo é relacionado í  literatura. Em meu processo acadêmico, estudei duas coisas que mexeram comigo particularmente. Uma delas foi um romance de Sartre, A Náusea e o outro foi o estudo de Antropofagia Cultural, na qual o criador, Oswald de Andrade, diz que o brasileiro não é existencialista. A obra ˜Torres em Transe™ passa por esses dois elementos, no que chamo de releitura antropofágica. O terceiro está relacionado í  passagem em que a cidade de Torres se encontra, que se confunde no livro com a iniciação da personagem, Maria, na medida em que ela vai ampliando sua consciência, saindo do lugar comum.

   

A crescente literatura espí­rita marcou presença

   

A Literatura Espí­rita também esteve presente na Feira do Livro de Torres. Nos últimos tempos, a busca constante das pessoas pelo entendimento da própria espiritualidade faz com que muitas delas procurem nos livros de auto-ajuda e espí­ritas as respostas para as angústias do cotidiano. Estes assuntos foram a base da palestra com a escritora Ana Cristina Vargas, natural de Pelotas, que falou sobre suas obras psicografadas.

 

Ana Cristina Vargas é advogada, fundadora e presidente da Sociedade de Estudos Espí­rita Vida, e desde 1985 ela vem estudando sobre o tema. Autora de várias obras possui dois importantes livros reconhecidos nacionalmente: O Bispo, e Dramas da Paixão. Para a autora, os livros espí­ritas não buscam converter seguidores religiosos. Nossos livros têm apenas o objetivo de falar coisas boas e ajudar as pessoas a se tornarem melhores, esclareceu Ana.

 

 

   Tabajara Ruas, um dos mais cultuados escritores

gaúcho, fala de cinema e do poder da leitura

   

Considerado um dos grandes nomes da literatura gaúcha e brasileira, Tabajara Ruas agraciou os torrenses com sua participação na Feira do Livro. Autor de obras baseadas nas tradiçíµes e na história do Rio Grande do Sul, como Netto Perde sua Alma (que, além de livro, tornou-se um filme de   grande qualidade) e a saga Os Varíµes Assinalados, Tabajara também ganhou destaque como cineasta, trabalhando em diversos projetos (Anahy de las Missiones é um dos filmes dele que recomendo).   Sobre o seu trabalho, o artista analisou algumas de suas caracterí­sticas Eu me inspiro na vida, na observação eu consigo ver diversas possibilidades diferentes. A leitura também me inspira, recomendo Drummond, ele é um grande formador de bons textos. Ao ser perguntado sobre a diferença do cinema e da literatura,  Tabajara explicou: Ao ler um livro você se envolve durante dias e ele vai ficar na memória durante muito tempo, já em   um filme a absorção da informação é mais rápida, conta.

 

Entre 2002 e 2003, Tabajara Ruas foi consultor especial da Rede Globo para a produção da minissérie A casa das sete mulheres, baseado no livro homí´nimo da patrona da Feira do Livro deste ano, Letí­cia Wierzchowiski. Durante o bate-papo com Tabajara, Letí­cia esteve presente e declarou sua admiração pelo escritor. Se hoje eu sou uma romancista é por causa dele. Meu pai mandou para o Tabajara minha primeira obra, que após ler meu livro me indicou para várias editoras, o que eu agradeço eternamente, destacou a patrona, que recebeu um elogio digno de suas obras. A Letí­cia tem um dom e também uma cruz, pois escrever romances não é fácil. Ela sem duvida é a melhor escritora do Brasil dos últimos 20 anos, declarou o escritor. A parceria entre Tabajara e Letí­cia se estende também ao cinema, onde eles juntos vêm trabalhando no roteiro cinematográfico de O Continente, baseado na obra de í‰rico Verí­ssimo. O escritor fechou sua apresentação aconselhando o público que, para se escrever bem, o melhor caminho é exercitar a leitura.

 

 

 

 

   Leticia Wierzchowiski: Patrona da feira conta sua

 história e dá show de simpatia

 

       

E falando em Letí­cia Wierzchowiski, a escritora e patrona da 11 ª   Feira do Livro foi um dos grandes destaque do evento. A autora gaúcha, de origem polonesa, ganhou destaque no cenário nacional com o seu romance A casa das sete mulheres, adaptado pela Rede Globo numa minissérie que foi ao ar em 2003 e re-exibida em 2006.  

 

Parte da história de Letí­cia já virou até livro. Começou com seu romance de estréia, publicado em 1998 e relançado em 2001, O anjo e o resto de nós, que conta a saga da famí­lia Flores, ambientada no iní­cio do século XX no interior do Rio Grande do Sul.  

 A também gaúcha Martha Medeiros sugeriu a leitura do primeiro romance de Letí­cia a um amigo paulistano de naturalidade gaúcha e descendente, como Letí­cia, de poloneses. O publicitário Marcelo Pires gostou tanto do livro que enviou, em dezembro de 1998, um e-mail í  autora, e ambos passaram a se corresponder regularmente pela internet. Menos de um ano após a primeira mensagem, em 17 de setembro de 1999, Letí­cia e Marcelo casaram-se. Na cerimí´nia de casamento, o casal distribuiu aos convidados um pequeno livro com algumas das mensagens trocadas por eles na rede. Um dos participantes da festa, o editor Ivan Pinheiro Machado, da LP&M, acreditou que a história do casal poderia fazer sucesso, e lançou uma edição comercial. Nascia assim, em 1999, o livro Eu@teamo.com.br, que teve suas duas ediçíµes  rapidamente esgotadas.  

 

Na feira, Letí­cia narrou a sua trajetória profissional e contou da admiração pela cidade de Torres. Hoje é um dia especial para mim, e o curioso é que Torres sempre tem relação com momentos importantes na minha vida. Meu pai mora aqui em Torres e nos últimos 20 anos visito a cidade. E hoje, venho participar da feira e comemorar meus 12 anos de casamento, lembrou a autora que, além da obra A casa das sete mulheres,publicou outros dez romances e quatro livros infantis. Gosto muito de escrever para o público infantil. Os pequenos são mais sinceros, e falam logo se gostaram ou não das coisas, contou Letí­cia.  

 

A anfitriã da Feira do Livro de 2009, Dora Laidens, ouviu com atenção a palestra de Letí­cia Wierzchowiski e se interessou pela sua história de vida e humildade. A Letí­cia me passou a imagem de uma pessoa simples e criativa, que transitou por várias profissíµes antes de despontar como uma mestre das palavras. Ainda foi interessante saber dos laços dela aqui com Torres, e seu orgulho pelas tradiçíµes e histórias do Rio Grande do Sul, analisou Dora.

     

 

Paixão Cí´rtes, pai do tradicionalismo gaúcho:

 

 

 

 

 

 

 O litoral é a região mais rica em manifestaçíµes

folclóricas do Rio Grande do Sul

           

Realmente nossa Feira do Livro deu um show a parte em 2011. Mas o bolo na cereja deste espetáculo ( ou a costela do churrasco, aos que preferem) foi realmente a participação daquele que, para pessoas como eu, representa o espí­rito encarnado do gaúcho e uma das figuras mais marcantes de nossa terra, que faz lembrar do espí­rito peleador de heróis sulistas como Bento Gonçalves, David Canabarro e Antí´nio de Sousa Neto. O folclorista, historiador, compositor, dançarino, escritor, radialista e fundador do tradicionalismo gaúcho João Carlos D’ívila Paixão Cí´rtes, ou simplesmente Paixão Cí´rtes, abrilhantou a 11 ª edição da Feira do Livro com suas palavras de experiência, se fazendo presente em nossa cidade exatamente no 20 de setembro, dia que marca o orgulho e a presença do valoroso espí­rito gaúcho. Mais de 500 pessoas assistiram a apresentação que teve como mediadores a anfitriã Liege Barbosa e o tradicionalista Ajos Dutra.    

 

Nascido em 1927, em Santana do Livramento, Paixão Cí´rtes é Engenheiro Agrí´nomo, mas tornou-se mundialmente conhecido como estudioso da Tradição Riograndense, sendo o maior divulgador de nossa tradição pelos quatro cantos do globo. O próprio renascimento do tradicionalismo gaúcho confunde-se com a figura deste í­cone rio-grandense. Em 1947, um grupo de alunos do colégio Júlio de Castilhos, liderado pelo jovem Paixão Cí´rtes, levantou suas vozes em favor da conservação da cultura, costumes e tradiçíµes do povo gaúcho. Era um tempo onde a cultura nacional vinha sucumbindo frente a uma onda de influências estrangeiras. Antes de 47 havia um grande preconceito contra o gaúcho pilchado e as tradiçíµes da nossa terra, as pessoas não aceitavam o diferente,  até mesmo tomar um mate era visto com maus olhos. Mas aquilo não estava certo, e por isso nos mobilizamos em nome do orgulho de ser gaúcho, instituindo a Chama Crioula e as bases para o Movimento Tradicionalista Gaúcho. Mas importante desta mobilização está na defesa pelo respeito as diferenças, aceitar o outro da maneira que ele é ao invés de criar preconceitos .      

 

Em uma época onde as tradiçíµes rio-grandenses eram ignoradas em nome de modismos norte-americano, Paixão Cí´rtes  foi atrás das raí­zes de seu povo e, junto com Barbosa Lessa, cruzou a América do Sul atrás do resgate da rica cultura gaúcha. Como pesquisador, minha preocupação estava em resgatar e transmitir a tradição popular presente na história do Rio Grande do Sul, para que este sentimento fique vivo também nas geraçíµes futuras. Nossa cultura é marcada por ricas singularidades, algumas das quais eu tive o prazer de vivenciar. O que eu ouço e o que vejo eu registro, as danças, cançíµes, poemas, lendas e causos, todas as manifestaçíµes artí­sticas são boas, indica o tradicionalista.

 

   

O eterno laçador (e tradicionalista bem vivo)

 

   

Na memória gaúcha, a figura de Paixão Cí´rtes está eternizada em bronze na estátua do Laçador, localizada em Porto Alegre e um dos grandes sí­mbolos de nossa cultura. Mas o historiador brica com a situação. Não sou estátua ainda, sou o Paixão Cí´rtes, bem vivo e atento (risos). Mas o Laçador é uma obra importante internacionalmente, que representa que o homem do Rio Grande não é só parte do passado, mas continua vivo e lutando por seus ideais. Trata-se de uma bela homenagem a este povo batalhador e que sabe manter suas raí­zes, e por isso me orgulho de fazer parte desta história.

 

Paixão Cí´rtes destacou também  a importância do Litoral Norte na preservação do tradicionalismo gaúcho, confessando sua admiração pela nossa região e toda a cultura aqui presente. O litoral não é só marcado por praia, mar e mulheres de biquí­ni na areia, temos aqui o mais rico manancial de folclore do estado. São mais de 100 músicas e danças originárias dessas paragens, é simplesmente extraordinário o quanto a tradição gaúcha está presente aqui. Torres sempre foi um referencial histórico do Rio Grande do Sul, foi aqui que, há muitos anos, aprendi   importantes danças e cançíµes do folclore gaúcho, como a dança da cana verde e do caranguejo, originárias desta região. E fico feliz em saber que, até hoje em dia, ainda descobrem-se novas manifestaçíµes culturais.

 

Ainda falando sobre sua relação com o litoral, Paixão Cí´rtes defendeu a continuidade do tradicionalismo gaúcho em tempos contemporâneos. A cultura está sempre em mutação, transformando-se, e é importante que a cultura gaúcha saiba se incorporar a mudança dos tempos, mas sempre se mantendo fiel as sua raí­zes. O respeito as tradiçíµes não é algo que se compra, é um sentimento que a pessoa tem dentro de si ou não. Mas volto a citar que esta região, entre Torres e São José do Norte, é a mais rica em manifestaçíµes folclóricas do Rio Grande do Sul. O litoral tem sua consciência e potencialidade, o que deve ser divulgado cada vez mais. O poder público também deve participar, olhando com maior atenção e respeito para as origens de nossa terra, ao que representa o espí­rito gaúcho, para que a cultura popular possa ser vista lado a lado com a cultura erudita.

   

Somando o conhecimento para progredir

   

Autor de 87 publicaçíµes durante  sua vasta pesquisa sobre o folclore gaúcho, como Danças e andanças da tradição gaúcha (com Barbosa Lessa) e Gaúchos de faca na bota – Uma dança alemã no folclore gauchesco, Paixão Cí´rtes destacou o seu prazer em participar da Feira do Livro de Torres. í‰ uma oportunidade de ver os escritores, livreiros e o público reunidos lado a lado, interagindo em nome da cultura, por isso é uma honra estar presente nesta feira. Meus livros são o registro eterno de todo esse trabalho de preservação sobre as tradiçíµes gaúchas, uma forma de compartilhar com as geraçíµes futuras aquilo que aprendemos com o passa dos anos. O tradicionalista citou ainda .

 

Finalizando, o tradicionalista explicou o significado de alguns simbolismos gaúchos, e fez um apelo pela propagação do conhecimento. O cavalo, no passado, representava que o gaúcho tinha valor, a liberdade de se mover pelos campo, já o homem pilchado representava que o vivente tinha dinheiro na guaiaca para se vestir bem. Muitos pensam que o acordeão é o instrumento das raí­zes do gaúcho, mas na verdade a viola de 10 cordas e a rabeca que são os instrumentos base de nossa cultura. Por isso penso que é importante que a pessoa conheça origem de suas tradiçíµes para conhecer a si próprio, sabendo situar cada fato dentro de seu tempo. Hoje vejo muita gente baseada em um espí­rito competitivo ao invés de buscar a solidariedade, o crescimento do povo como um todo. E nossa função como seres-humanos é somar para progredir, propagar a cultura e as tradiçíµes de nossa terra para perpetuar aquilo que conquistamos com muita luta, concluiu Paixão Cí´rtes.

 

 

   

Organizadores comemoram sucesso da 11 ª Feira do Livro  

 

 

                                                        Autoridades merecedoras de boa parte dos créditos do sucesso da Feira

   

 E a 11 ª Feira do Livro de Torres encerrou na terça-feira (20/09) em clima nativista e com bons resultados. Nem o tempo, que oscilou em dias de sol, chuva e de vento tirou o brilho da festa literária e impediu que o público fosse até a Praça Borges de Medeiros, na Prainha. Cerca de 20 mil pessoas circularam pelo local nos quatro dias de evento, foram comercializados em torno de 5.500 tí­tulos, 16% a mais que no ano anterior. í‰ bom ver que a Feira do Livro de Torres cresce a cada, tanto em infraestrutura quanto em publico e atraçíµes, isso é uma satisfação enorme para nós, comemorou o prefeito João Alberto Machado.

 

Sesc, Ulbra e Superlivros, parceiros da Prefeitura de Torres na realização, consideraram a 11 ª edição como a melhor feira de todos os tempos em termos de estrutura, organização e atraçíµes. Somos parceiros há sete ediçíµes da feira do livro de Torres, e neste perí­odo o evento cresceu preservando o conceito. Hoje nossa feira do livro é referencia em planejamento e organização no Litoral Norte Gaúcho e Sul Catarinense, considerou o Auxiliar de Cultura, Lazer e Turismo Social do Sesc Torres, Alexandre Porcatt. A Prefeitura de Torres tem sido uma grande parceira de trabalho, em especial o prefeito João Alberto, que confia no trabalho da comissão organizadora e nos dá liberdade para trabalhar com categoria na curadoria de escritores e atraçíµes, complementou.

 

A empresária Dárcia Santos que começou em 2006 como expositora, no ano seguinte passou í  apoiadora e há dois anos participa efetivamente da realização também comemora a parceria. Trabalhamos bem juntos. E este ano, com as inovaçíµes recebemos muitos elogios pelo novo piso, lona de circo e pela qualidade dos debates entre os autores e o público, ressaltou. As inovaçíµes do evento também foram destacadas pelo diretor da Ulbra Torres, professor Luí­s Antí´nio Longo que também manifestou alegria pelos investimentos educacionais realizados no Municí­pio. í‰ bom viver em uma cidade com gestores municipais preocupados com a formação do ser humano, que investem na educação e em eventos culturais como a feira do livro, salientou o professor.

 

Entre as novidades apresentadas na 11 ª edição estava a escolha do novo piso. Um deck substituiu o tablado utilizado nas ediçíµes anteriores. Anexo ao setor de exposição da feira foi erguido um novo setor. Uma lona de circo, com capacidade para 600 pessoas sentadas, abrigou as palestras e demais atraçíµes do evento. A estética melhorou com a retirada da poluição visual da área de venda. Além disso, também houve uma formação maior de público pelas escolas. Estima-se que 65% dos estudantes de Torres tiveram contato com alguma das obras dos sete autores que participaram da feira, garantindo assim um maior envolvimento do público com os escritores.

   

A solenidade de encerramento ocorreu após palestra do historiador Paixão Cortês e apresentaçíµes da invernada artí­stica mirim do CTG Porteira Gaúcha e do interprete Sergio Mello, que também é dirigente cultural de Torres. Presentes a anfitriã Liege Barbosa, o prefeito João Alberto Machado, vice-prefeito Valmir Daitx Alexandre (Pardal), vereador José Ivan, secretário de Turismo Roniel Lummertz, gerente de Educação Infantil Vânia Minotto, proprietária da Superlivro Dárcia Santos, representando ao Ulbra Gabriela Mello e do Sesc Alexandre Porcatt.

 

 

   *Com informaçíµes da assessoria de imprensa da prefeitura municipal                


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