30 anos de luta

1 de abril de 2012

 

Maria Helena Tomé Gonçalves

 

18/03/1982 “ Magistério se reúne hoje “ Hoje í  tarde o Cpers se reúne no Gigantinho para decidir sobre a proposta do governo em relação ao cumprimento de uma cláusula do acordo de reajuste salarial firmado em 1980.

19/03/1982 “ Magistério para por cinco dias “ Os professores da rede pública estadual rejeitaram ontem em Assembléia Geral uma greve por tempo indeterminado, mas aprovaram paralisação por cinco dias em repúdio ao não cumprimento de acordo salarial firmado em 1980.

20/03/1982 “ Greve dos professores é ilegal “ A greve dos professores foi considerada ilegal pelo governo e os professores que aderirem sofrerão puniçíµes.

21/03/1982 “ Greve mobiliza professores “ O Cpers reitera a intenção de exigir o cumprimento do acordo salarial firmado em 1980 e o governo diz não ter como pagar.

23/03/1982 “ Governo ameaça fechar o Cpers “ A pedido do Governador Amaral de Souza o Governo Federal decretou como ilegal a paralisação dos professores gaúchos suspendendo as atividades do Cpers através de uma portaria.

24/03/1982 “ Acaba greve dos professores “ 80 mil professores optaram pelo fim da paralisação a fim de evitar a suspensão das atividades do Cpers, mas o Governo manterá puniçíµes aos professores grevistas..

25/03/1982 “ Governo mantem punição a professores “ O governo gaúcho reabriu o diálogo com os professores sobre a questão salarial mas manterá as puniçíµes: demissão de diretores e corte do ponto dos professores com desconto em folha dos dias parados. (Fonte Jornal Zero Hora)

                      Vale agora lembrar qual era a bandeira do Cpers no governo Amaral de Souza em 1980, quando os professores descobriram a greve como instrumento de pressão: O cumprimento do piso salarial de 2,5 salários mí­nimos que o Governador Jair Soares implementou apenas em 1986 e seu sucessor Pedro Simon derrubou na justiça no ano seguinte. Se essa lei não houvesse sido derrubada, o piso do magistério gaúcho seria hoje R$ 1.555,00. Entretanto, mesmo com o reajuste de 22,2% decretado pelo Governo Federal e que o atual governador gaúcho Tarso Genro diz não ter como pagar, o piso foi oficialmente para R$ 1.450,00, ainda abaixo do que era reivindicado 30 anos atrás.

                      Se tudo isso não fosse tão trágico e tão triste, seria cí´mico porque há 30 anos o magistério gaúcho luta por uma causa inglória, pois não importa nem o polí­tico nem o partido que está no governo, a norma de todos parece ser cumprir um pacto surreal de tratar mal o professorado gaúcho ao longo da história. Em ordem cronológica o piso de 2,5 mí­nimos acordado com o governador Amaral de Souza e por ele negado, depois concedido por Jair Soares/PDS e derrubado por Pedro Simon/PMDB, foi negado por Alceu Collares/PDT, por Antonio Brito/PMDB, por Olí­vio Dutra/PT, por Germano Rigotto/PMDB, por Yeda Crusius/PSDB e por Tarso Genro/PT e mesmo lutando por melhoria salarial ao longo de todos esses anos com todas as estratégias possí­veis, inclusive greves repetidas, longas e humilhantes, os professores continuam ganhando salários miseráveis, cada ano é uma discussão incansável sobre a impossibilidade financeira do governo de melhorar a educação começando pela valorização profissional do professor e, pasmem, o governo tem a cara de pau de alegar que não pode cumprir a lei federal de 2008 porque a maioria dos professores tem curso superior, mestrado e até doutorado o que encarece a folha de pagamentos porque muitos estão no topo do Quadro de Carreira. Deduz-se que é melhor para o governo ter um quadro de professores com baixa formação, pois é mais barato. EDUCAí‡íƒO SE NIVELA POR BAIXO.

 


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