A busca de novos caminhos na compreensão da queixa escolar

6 de maio de 2012

 

As queixas referentes í  saúde do escolar mobilizam psicólogos da saúde mental em todo paí­s, ao comprovarem através de uma pesquisa, que 50% das queixas apresentadas nas Unidades Básicas de Saúde são relativas a dificuldades de aprendizagem e 21% referentes a problemas de comportamento na sala ou fora dela. Essa constatação agrava no momento em que se analisa a faixa etária onde estariam localizados os problemas, isto é:  pelo menos um terço das crianças pesquisadas possui entre 6 e 7 anos de idade e são frequentadoras de escolas públicas estaduais e municipais. Outro dado contundente é que aproximadamente metade das crianças encaminhadas não teve nenhuma reprovação escolar.

Esses dados,  embora circunscritos a uma pesquisa exploratória, trazem í  tona uma questão bastante séria,  há muito vivida no cotidiano do profissional de saúde e educação. Ou seja, basicamente a criança que é atendida por psicólogos é portadora de uma queixa escolar (e não familiar). Diante desta realidade, perguntamos: Qual seria a expectativa da escola em relação í  sua clientela? A escola teria um modelo ideal de aluno ao qual essas crianças não se enquadram,  e portanto seriam todas portadoras de problemas de saúde, basicamente de saúde mental?

Em nossa prática, aceitando o pedido de atendimento dessas crianças- problema , tentando dar conta dessa demanda da forma como ela nos chega, como casos individuais, não estarí­amos sendo coniventes com a ideia de que a criança e/ou a famí­lia seriam os únicos responsáveis pelo fracasso escolar da criança? Desta forma não estarí­amos legitimando a condição de exclusão social a que esta criança é submetida logo no iní­cio de sua vida escolar?

A forma em que a queixa escolar se apresenta, na maioria das vezes parte do ponto de vista do aluno, referindo-se í  sua história pessoal. Por outro lado, a outra forma de buscar faria nos entender como proveniente do âmbito escolar, entendida enquanto instituição.Do ponto de vista do aluno, localiza-se no mesmo possí­veis causas psí­quicas que estariam interferindo em sua aprendizagem ou em seu mau comportamento em sala de aula. Assim, o encaminhamento de uma criança com problema de aprendizagem e/ou comportamento para um psicólogo pressupíµe, na maioria das vezes, um problema emocional.

Esta suposição feita pela escola a respeito do aluno tem como primeira consequência o atendimento pelo profissional de saúde, que muitas vezes não consegue compreender o motivo pelo qual pais e criança aí­ se encontram. Considerando e questionando a realidade da qualidade da escola pública oferecida í  criança e seus pais, nos leva a  repensar a inserção do psicólogo na questão dos problemas apresentados pela escola. Esse repensar passa de uma visão unilateral (a criança “ problema) para uma compreensão e olhar multifatorial, como, por exemplo, a de considerar o que se passa na escola em seu interior e funcionamento, bem como outros aspectos, como psicopedagógicos, institucionais.  


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