Umas das abordagens para analisar a moda enquanto manifestação simbólica diz respeito ao caráter revelador desta segunda pele. O apropriar-se de determinados trajes funciona, em vários casos, como "falsificação" do "eu". Não se deixa ver o que se é, mas sim o que se gostaria de ser. Fabrica-se, desse modo, através do vestuário, um ser ideal, objeto de desejo que supostamente vai ser bem acolhido por todos.
O sujeito que se relaciona através de uma tela com outra pessoa, pode também esconder sua verdadeira face. Ele só irá expor o que lhe for interessante ou bonito para ser mostrado. A maioria das respostas define este sujeito como alguém que tenta ser o que não é, ou seja, alguém que se utilizando de uma máscara , interage com outras pessoas mostrando somente aquilo que lhe agrada, e que por conseqí¼ência ele acha que agradará a outra pessoa. Essa relação se parece muito com uma relação de escopia: O sujeito procura pela visão de si mesmo, por seus iguais, só por aquilo que lhe dá prazer.
Desta forma podemos pensar numa fixação narcísica, tanto naquele indivíduo adepto das tendências da moda quanto do sujeito num chat. O indivíduo então desinveste parcialmente seu interesse/libido do mundo externo, passando a tomar a si próprio como objeto de amor. Ele é sua tela, ele é sua roupa. A esteticidade de nossa sociedade é gritante se observarmos o boom das grandes marcas para que o sujeito possa cada vez mais possa blindar-se, mostrar“se , se expor. Assim como Andréa no filme O Diabo Veste Prada, o sujeito inserido num chat tem apenas uma falsa promessa de neutralidade e de autoria.
A internet vem tornando-se um lugar onde supostamente há leite e mel em abundância. Lá se é amigo do rei, tem-se a ilusão de um lugar seguro, onde há a possibilidade – mesmo que ilusória – de ser o que não se é na vida real. A tela é um espelho de identificaçíµes, é a tela que sofre as marcas de um sujeito senhor de si e dono de sua liberdade. A solidão na tela, a dor na tela, e um sujeito supostamente isento de tudo isso sentado atrás de um personal computer.
A indumentária (roupa) existe quase que desde o surgimento do homem. Surgiu por necessidade de proteção e com o tempo adquiriu o poder de diferenciar os nobres dos plebeus. Arrisco dizer que a necessidade de proteção criou não apenas as roupas, mas também castelos de marfim, onde as pessoas se trancafiaram a fim de se defenderem de um mundo cada vez mais competitivo e hostil. A moda poderia dar ao indivíduo maior singularidade e a internet pode promovê-lo a senhor de si. Supostamente livre na navegação, o sujeito crê que está isento da influência de outras pessoas, e a tela que se torna uma extensão de seu próprio corpo, entra e caminha por onde seu mouse e sua vontade o levam.
Hoje em dia, moda parece fundamental para as pessoas, pois através dela se passa uma mensagem, diz-se quem é, qual sua classe social e esta é a "senha" para entrar em alguns lugares. A moda pode ser tratada como um discurso além de estar associada í estética.
As formas discursivas acompanham as ideologias de cada cultura e época, por exemplo, a ditadura da magreza na moda institui novas formaçíµes e sintomas como os transtornos alimentares, assim como uma cultura que supervaloriza do externo, a imagem, o belo, a embalagem, contribui para formaçíµes de patologias narcísicas, onde existe um prazer no exibir-se, mostrar-se, no enaltecimento da imagem em detrimento da essência do ser


