A infãncia éo paraí­so perdido?

27 de agosto de 2011

                      As descobertas da Psicologia Infantil resultaram em um novo olhar sobre a criança. Por meio delas, aprendemos que, já nos primeiros anos de vida, as crianças experimentam não só impulsos, angústias; como também sofrem grandes desilusíµes. Neste sentido, o mito do paraí­so da infância tornou-se questionável.  

 

              O que pensar, então, sobre aquelas crianças lançadas ao mundo, espalhadas, abandonadas e marginalizadas nas ruas, sem um lar, desprovidas de segurança, e concebidas sem um plano e um projeto de vida da famí­lia?  

        Será que estamos dirigindo nossos olhares a elas? Estamos chamando-as para perto de nós? Ou fechamos os vidros de nossos carros blindados, desviando os olhos e esperando que as autoridades resolvam o problema? Será que estamos fazendo alguma coisa por elas? Ou estamos de alguma forma contribuindo através da nossa indiferença, para a manutenção deste quadro crí­tico?  

Sendo a criança um ser frágil e inocente, acaba sendo alvo de exploraçíµes, de trabalho infantil, como também, de maus tratos e abuso sexual. O que podemos esperar destas crianças para seu futuro?Terão elas um futuro digno?Se pensarmos que elas serão os futuros expoentes de nossa sociedade, então, como será configurada esta sociedade?  

                      Estas crianças, sofrendo as mazelas sociais, possivelmente perderão a esperança, restando-lhes a desilusão e amargura. Poucas serão aquelas que vencerão na vida, numa busca desenfreada para não sucumbirem na delinqí¼ência. Pois, hoje o que vemos em algumas delas, é que não existe infância, magia, fantasia e faz de conta, onde habitam bruxas e fadas; o que existe sim são monstros e personagens   de uma história real e cruel, em que o mocinho virou ladrão, o herói dotado de bondade se transformou num chefe de quadrilha, e sua arma não são mais os super poderes do bem, mas uma arma que mata e que, por inversão de valores, mostra status diante do grupo, servindo de anti modelo ou anti herói.Que destino terão este impulsos agressivos inatos? Poderão ser, em tempo, humanizados?Quem se responsabilizará por elas?  

                      A violência cresce em proporçíµes alarmantes, tanto é que se constroem mais celas do que escolas. Ela, também, é silenciosa e velada em nossas atitudes, quando ficamos alheios í  realidade.  

                                Na nossa onipotência, por acharmos que deverí­amos fazer muito, e que o que fazemos é pouco, insuficiente; alguns de nós nos acomodamos em nossa ilusória segurança de nossos carros, e em nossas casas, escolas, clí­nicas, sem atuarmos ativamente no âmbito social, principalmente familiar, com nossos filhos, deixando a tarefa de educar para escola.Pequenas medidas educativas, acolhedoras e sensibilizadoras trazem grandes resultados. O social somos nós, a sociedade é cada um de nós, e esta criança, este ser não tem muito tempo para esperar, pois a fome, a dor fí­sica e da alma deixam cicatrizes para toda a vida, e estas feridas abertas em cada umas destas crianças poderão ser as nossas dores futuras.  


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