Afinal, a palmada faz mal?
6 de agosto de 2010
O presidente Lula quer proibir a palmada, assinando um projeto de lei onde ficará vedado aos pais usar castigos corporais na educação dos filhos. Mas será que é de uma nova lei que dependa tanto a vida de nossas crianças, ou muito mais do bom-senso e equilíbrio dos pais? De acordo com a nova lei, os pais que, por exemplo, derem uma palmada no filho que insiste em uma conduta de risco como colocar o dedo numa tomada, poderão se sujeitar a pena que variam da advertência í obrigatoriedade de se submeter a acompanhamento psicológico. Mesmo que a intenção seja educativa, a lei anti-palmada está levantando uma série de questionamentos e discussíµes nas áreas cultural, social, legal e psicológica.
Ninguém que tenha bom senso defende o espancamento de crianças. Mas, afinal a palmada é prejudicial? O Estado tem o direito de intervir no que se passa dentro da família, no sentido da educação? Na literatura psicológica e pedagógica, existe a idéia predominante de que a palmada moderada pode ser positiva na educação infantil. Não é o mesmo que maus tratos e espancamento aonde vêem o descontrole por parte dos pais, ou cuidadores, que acabam surrando a criança com raiva. Precisamos ponderar que no caso da criança muito pequena (aproximadamente de 0-4 anos), não adianta tentar segurá-la com a palavra, porque ela ainda não tem uma compreensão subjetiva e abstrata da linguagem. í‰ preciso agir com o corpo, pois ela funciona e se expressa pela descarga corporal. Por isso, segurá-la pelo braço ou dar um tapa leve no bumbum, pode ser mais adequado e eficiente que discursar horas sobre uma regra.
Muitas crianças, pela imaturidade emocional normal, não toleram frustração. Portanto é esperado que elas reajam se jogando no chão, fazendo birra, gritando, esperneando após um não. O que fazer nestas horas? Devemos segurá-la firmemente nos braços, contendo-a fisicamente até que se acalme, em outros casos é preciso sacudi-la, ou dar a palmada, já que esta é a única maneira de ajudá-la a sair da crise de birra, quando é comum ela possa ficar fora de si. Neste sentido, o castigo físico aceitável e adequado é aquele que não machuca, mas estabelece uma comunicação imediata num nível de linguagem que ela possa entender, ou seja, numa etapa não verbal em que ela se encontra, pois apenas o uso da palavra geralmente não tem força para segurá-la, quando está inundada de excitação instintual, esperado neste momento da vida. Agir desta forma, é agir com amor, firmeza e proteção. Por outro lado, beliscíµes, puxíµes de orelha, surras de cinta são inadequados, porque se tratam de violência, humilhação e abuso físico e psicológico. Portanto, a palmada poderá ser um problema, quando se torna a única forma de correção e educação.
Além disso, existem outras maneiras de violência veladas, ou mais sutis, como a violência verbal (palavras depreciativas, humilhantes), a omissão de cuidados, chantagem emocional, exigências e expectativas exageradas sobre os filhos, dentre outras, que podem levar as mesas a um grande traumatismo ou sofrimento emocional, deixando, consequentemente, cicatrizes mais profundas na personalidade do indivíduo do que a própria palmada.


