Antoniela Vieira
A restrição alimentar materna durante a gestação causa alteraçíµes no intestino dos filhos que perduram até a vida adulta. E, essas alteraçíµes podem colaborar para o estabelecimento da obesidade.
O estudo realizado com animais de laboratório por pesquisadores a Universidade Estadual Paulista (Unesp) não estão isolados. Eles dão suporte í chamada hipótese da programação fetal, já levantada por outros cientistas, segundo a qual o organismo do feto se adapta não apenas í s condiçíµes do ambiente intrauterino adverso, mas do ambiente em geral. Por exemplo, já se demonstrou que atividades físicas adequadas durante a gravidez melhoram o coração da mãe e do bebê.
No caso do efeito adverso, causado pela alimentação inadequada, como esse metabolismo poupador se mantém após o nascimento, o indivíduo se torna mais propenso a engordar caso o padrão de ingestão calórica melhore.
Foram investigados os efeitos da baixa ingestão proteica durante a gestação sobre a atividade e a expressão gênica de enzimas intestinais, e sobre a expressão gênica e imunolocalização de transportadores intestinais da prole, que são fundamentais para a absorção de nutrientes no intestino.
Para um nutriente ser absorvido, ele primeiro precisa ser digerido por enzimas até alcançar um tamanho pequeno o suficiente para atravessar a membrana das células do intestino. E para que essa travessia ocorra, as moléculas precisam se ligar a proteínas que atuam como transportadores.
O experimento da Unesp foi iniciado com dois grupos de ratas-mãe. Durante o período de gestação, a rata do grupo controle recebeu uma dieta com 17% de proteína. A outra recebia apenas 6% de proteína na ração.
Assim que os filhotes nasceram e teve início o período de amamentação, as fêmeas passaram a receber uma dieta idêntica, com 23% de proteína. As primeiras análises foram feitas quando os filhotes estavam com três semanas de idade, o que corresponde ao período de desmame.
Das três enzimas estudadas, percebemos uma elevação estatisticamente significante na lactase, que é justamente a responsável pela digestão do açúcar do leite, no grupo que sofreu a restrição alimentar. Assim, maior quantidade de açúcar do leite foi absorvida pelo grupo que recebeu dieta restrita em proteínas, e por conta disso, ganhou mais peso.
Após o desmame, os filhotes dos dois grupos passaram a receber uma dieta idêntica, normoproteica. Na segunda análise feita com 16 semanas, considerada a fase adulta nos ratos, verificou-se novamente um maior poder de absorção no grupo cuja mãe havia sido privada de proteínas durante a gestação.
Os resultados mostram que alteraçíµes do intestino delgado observadas na idade adulta podem ser programadas durante a gestação, e que esta resposta pode ser atribuída, pelo menos parcialmente, ao aumento no poder absortivo intestinal. Essas alteraçíµes talvez possam contribuir para o acúmulo de gordura observado em outros estudos.
Cientificamente sabe-se que muitas doenças crí´nico-degenerativas se iniciam no interior do útero. Existe um termo médico chamado programming que mostra evidências clinicas da desnutrição ou da super-alimentação durante o período gestacional, gerando doenças no adulto. Então, cabe ressaltar aqui que, assim como a restrição alimentar é prejudicial ao feto, o consumo excessivo também acarreta danos í saúde, tanto do bebê quanto para a mãe. Dentre os problemas relacionados neste caso está a Diabetes Gestacional, problemas cardíacos (bebê e mãe), estímulo a lipogênese fetal e conseqí¼ente obesidade no recém nascido.


