ALIMENTOS PODEM AGIR COMO DROGAS QUE VICIAM
26 de fevereiro de 2011
Assim como apresentado na coluna anterior, além do álcool funcionar como válvula de escape emocional e viciar, a superalimentação também pode provocar dependência.
Um estudo com ratos publicado na revista Nature Neuroscience sugere que o consumo de alimentos ricos em gordura leva ao desenvolvimento de um tipo de dependência parecida com a que afeta os viciados em cocaína ou heroína. O cérebro dos ratos superalimentados, assim como nos dependentes químicos, apresenta uma queda acentuada nos níveis de substâncias responsáveis pelas sensaçíµes de prazer, conhecidas como receptores de dopamina. Com menos receptores, o organismo precisa de quantidades de gordura cada vez maiores para que o cérebro registre satisfação. í‰ o mesmo mecanismo cerebral do vício humano em drogas. A pesquisa, feita apenas em ratos, confirmou em laboratório pela primeira vez aquilo de que muitos especialistas já suspeitavam: certos tipos de comida viciam.
Na teoria comportamental, todo comportamento é conseqí¼ência da interação do indivíduo com seu ambiente. O comportamento de auto-administração de drogas, ou uso abusivo de alimentos, característicos da dependência, é também então resultado da interação dos indivíduos com o meio em que vivem:
O comportamento do drogado obedece í s mesmas leis do comportamento normal de todos os animais… São os eventos ambientais que determinam o comportamento, e não a consciência e autocontrole; assim, aqui não tem sentido a consideração da falta de controle voluntário do drogado sobre seu comportamento compulsivo, ou de características morais da sua personalidade. Na abordagem comportamental, a adição e a dependência geram um comportamento inadequado e lesivo, mas não desviante. (Silva, Guerra, Gonçalves, & Garcia-Mijares, 2001, p. 424).
Assim o papel da indústria e mídia dos fast- foods e da inversão de valores que a sociedade vive hoje funciona do mesmo modo como jovens são aliciados por traficantes na porta das escolas, induzindo e seduzindo clientes ao consumo excessivo de alimentos não saudáveis.
No entanto, a ciência da nutrição tem observado, através de estudos, que alguns alimentos saudáveis podem ajudar nosso cérebro a produzir sensaçíµes boas, como o bem estar, a redução da ansiedade e da tensão nervosa. O que ocorre é que estes não são divulgados por que sua venda não é tão rentável vistas aos produtos produzidos em indústrias. Cabe aqui, então, uma bela reflexão sobre como estamos fazendo nossas escolhas.


