Amor ou obsessão?

29 de julho de 2012

 Paula Borowsky

 

 Por mais que amemos uma pessoa, todos nós necessitamos de espaço para respirar, de um tempo com os amigos, com os familiares e até mesmo de solidão. O amor liberta aobsessão aprisiona, sufoca e destrói qualquer relacionamento. O grude excessivo tanto oprime quanto angustia. Em geral está associada a muita carência e baixa autoestima. í‰ uma doença que impede o desenvolvimento de relaçíµes amorosas saudáveis e, portanto, necessita de tratamento. A descrição perfeita do amor obsessivo,parece estar na letra da música de Hebert Vianna Eu só Sei Amar Assim, em que o companheiro acredita que as 24horas do dia não são suficiente para estar junto de seu amor: Muito para mim é nada/Tudo para mim não basta/Eu quero cada gesto/cada palavra/cada segundo da sua atenção.

 No começo da relação isso pode parecer só um grude inofensivo, mas, com o tempo, vira ví­cio, prisão, doença. Quem traz dentro de si uma obsessão dessas carrega também em sua estrutura psicológica imenso vazio de Ser, que se traduz naquele não sei o que será de mim sem você. Para sobreviver, a pessoa se agarra ao seu sentimento com unhas e dentes e até esqueceo amor do outro, porque o seu é tão cego que absorve a relação por completo. Apegado í s suas fantasias, o amante obsessivo nega o fato de que diante de si tem uma outra pessoa, com seus desejos e escolhas, que não precisa da sua presença em tudo e que não pode absorver todo este amor como uma esponja mergulhada na água. A música A maçã, de Raul Seixas, traz essa percepção. Diz a letra: Mas compreendi que além de dois existem mais…/Amor só dura em liberdade….Pois é, mas quem ama de forma obsessiva, ou seja, doentia, qualquer sinal do desejo do outro de caminhar sozinho, o que não significa deixar a pessoa amada, é interpretado como rejeição e abandono.

E isso, para quem ama í s margens da loucura, é a morte! A pessoa vive em ansiedade, com um medo constante da perda. O que vale, portanto, são suas necessidades atendidas em primeiro lugar, ou seja a pessoa busca apenas receber e menos doar-se, sendo esta uma postura infantil. í‰ comum que pessoas assim, trazem um histórico de abandono em suas vidas, levando o medo da rejeição para outros relacionamentos e precisam ter consciência disso. Precisam entenderprincipalmente que o amor e a felicidade devem estar, antes de tudo, dentro de nós, não no outro, e que a pessoa amada não pode ser o alicerce da sua existência e não será a única capaz de realizar seus sonhos oupreencher os vazios da sua vida. Quando se tem este tipo de expectativa, a relação só pode dar errado, porque ninguém sadio n vida psí­quica consegue viver com a obsessão alheia por muito tempo, precisa voar para poder voltar e, se quiser, ficar.


Publicado em:







Veja Também





Links Patrocinados