Paula Borowsky
Por mais que amemos uma pessoa, todos nós necessitamos de espaço para respirar, de um tempo com os amigos, com os familiares e até mesmo de solidão. O amor liberta aobsessão aprisiona, sufoca e destrói qualquer relacionamento. O grude excessivo tanto oprime quanto angustia. Em geral está associada a muita carência e baixa autoestima. í‰ uma doença que impede o desenvolvimento de relaçíµes amorosas saudáveis e, portanto, necessita de tratamento. A descrição perfeita do amor obsessivo,parece estar na letra da música de Hebert Vianna Eu só Sei Amar Assim, em que o companheiro acredita que as 24horas do dia não são suficiente para estar junto de seu amor: Muito para mim é nada/Tudo para mim não basta/Eu quero cada gesto/cada palavra/cada segundo da sua atenção.
No começo da relação isso pode parecer só um grude inofensivo, mas, com o tempo, vira vício, prisão, doença. Quem traz dentro de si uma obsessão dessas carrega também em sua estrutura psicológica imenso vazio de Ser, que se traduz naquele não sei o que será de mim sem você. Para sobreviver, a pessoa se agarra ao seu sentimento com unhas e dentes e até esqueceo amor do outro, porque o seu é tão cego que absorve a relação por completo. Apegado í s suas fantasias, o amante obsessivo nega o fato de que diante de si tem uma outra pessoa, com seus desejos e escolhas, que não precisa da sua presença em tudo e que não pode absorver todo este amor como uma esponja mergulhada na água. A música A maçã, de Raul Seixas, traz essa percepção. Diz a letra: Mas compreendi que além de dois existem mais…/Amor só dura em liberdade….Pois é, mas quem ama de forma obsessiva, ou seja, doentia, qualquer sinal do desejo do outro de caminhar sozinho, o que não significa deixar a pessoa amada, é interpretado como rejeição e abandono.
E isso, para quem ama í s margens da loucura, é a morte! A pessoa vive em ansiedade, com um medo constante da perda. O que vale, portanto, são suas necessidades atendidas em primeiro lugar, ou seja a pessoa busca apenas receber e menos doar-se, sendo esta uma postura infantil. í‰ comum que pessoas assim, trazem um histórico de abandono em suas vidas, levando o medo da rejeição para outros relacionamentos e precisam ter consciência disso. Precisam entenderprincipalmente que o amor e a felicidade devem estar, antes de tudo, dentro de nós, não no outro, e que a pessoa amada não pode ser o alicerce da sua existência e não será a única capaz de realizar seus sonhos oupreencher os vazios da sua vida. Quando se tem este tipo de expectativa, a relação só pode dar errado, porque ninguém sadio n vida psíquica consegue viver com a obsessão alheia por muito tempo, precisa voar para poder voltar e, se quiser, ficar.


