Por Guilherme Rocha*
Em 2011, o Brasil melhorou sua posição na maioria dos rankings internacionais que medem diferentes aspectos do desenvolvimento, e começou 2012 como a 6 ª maior economia do mundo, ultrapassando a Grã-Bretanha. Mas por trás destes avanços, o país ainda tem desempenho fraco quando comparado a naçíµes do chamado mundo desenvolvido. í‰ o que se constata ao analisar algum dos principais indicadores divulgados ao longo de 2011, que vão além do Produto Interno Bruto (PIB) e inserem o Brasil em um contexto global em áreas como renda, desigualdade, corrupção, competitividade e educação.
Renda per capita baixa
Ainda que o Brasil tenha se tornado a 6 ª maior economia do mundo, o país já despenca dezenas de posiçíµes quando se considera a renda per capita, resultado da divisão do Produto Interno Bruto (PIB) pela população. Nessa média, o brasileiro ganha, por ano, o equivalente a US$ 10.710. Se compararmos com os levantamentos de 2009, quando o brasileiro ganhava em média US$ 8.615 por ano, é inquestionável que houve avanços, nossa renda cresceu. Mas, segundo os últimos dados do Banco Mundial, 44 países têm renda per capita superior í do Brasil, entre eles a própria Grã-Bretanha.
A renda dos britânicos, US$ 36.144, é três vezes maior do que a dos brasileiros. Essa diferença, no entanto, vem caindo. Além disso, a renda média do brasileiro continua superior í de seus colegas dos Brics: russos recebem em média US$ 10.440 por ano, e na índia, onde a miséria reina entre as classes mais pobres, a média é de míseros US$ 1.475. A China (US$ 4.428) e a ífrica do Sul (US$ 7.275) também ficam atrás do Brasil neste quesito.
Apenas sete naçíµes apresentam distribuição de renda pior do que a do Brasil
Essa simples divisão do PIB pelo total da população, no entanto, sofre críticas de especialistas em desenvolvimento por ignorar aspectos como a má distribuição da renda. Quando a desigualdade entra na equação, a posição do Brasil no cenário global despenca ainda mais, apesar dos avanços alcançados no país nesse quesito.
Tomando como medida o coeficiente de Gini, que mede a desigualdade na distribuição da renda em 187 países, apenas sete naçíµes apresentam distribuição pior do que a do Brasil, segundo dados da ONU: Colí´mbia, Bolívia, Honduras, ífrica do Sul, Angola, Haiti e Comoros.
Nesta comparação, quanto mais perto de 100 é o coeficiente, maior a desigualdade. O Brasil marcou 53,9 pontos, um valor altíssimo se posto lado a lado com a Suécia, um dos países com menor concentração de renda, com coeficiente de 25.No Brasil, o país mais desigual da América Latina (juntamente com a Bolívia), os 10% mais ricos concentram 50,6% da renda. Na outra ponta, os 10% mais pobres ficam com apenas 0,8% da riqueza brasileira.
O problema da má distribuição de renda afeta a América Latina como um todo. Segundo documento divulgado durante o quinto Fórum Urbano Mundial da ONU (em 2010), os 20% latino-americanos mais ricos concentram 56,9% da riqueza da região. O relatório ainda indica que "é nas cidades menores e, certamente, nas áreas rurais da América Latina, onde a população é mais pobre".
Ainda longe do alto desenvolvimento, mas IDH vêm crescendo
Apesar dessa péssima posição no quesito desigualdade de renda, o desempenho em outros aspectos do desenvolvimento (medidos pela ONU) píµe o Brasil em uma posição melhor no índice de Desenvolvimento Humano (IDH).
O IDH do Brasil em 2011 é de 0,718 na escala que vai de 0 a 1. O índice é usado como referência da qualidade de vida e desenvolvimento sem se prender apenas em índices econí´micos. O Brasil tem progredido no IDH, e sua posição geral (em 84 º lugar), píµe o país no grupo de alto desenvolvimento humano, mas ainda longe do grupo mais seleto com desenvolvimento considerado "muito alto". A lista de 47 países dessa elite é encabeçada pela Noruega, com 0,943 pontos, e conta com países sul americanos como o Chile e Argentina (na 44 ª e 45 ª posiçíµes, respectivamente).
Alta competitividade e grande mercado interno
O IDH engloba diversas áreas como educação, saúde, expectativa de vida, mas dados de outras organizaçíµes servem para complementar o quadro do Brasil no cenário externo.
A competitividade da economia brasileira, por exemplo, é medida por instituiçíµes como o Fórum Econí´mico Mundial (WEF, na sigla em inglês). No ranking do fórum, o Brasil subiu cinco posiçíµes em 2011 e passou a ser a 53 ª economia mais competitiva entre 142.
A organização destacou o grande mercado interno e o sofisticado ambiente de negócios como pontos fortes do Brasil, mas enfatizou o sistema educacional, as leis trabalhistas (consideradas muito rígidas) e o baixo incentivo í competição como entraves í competitividade brasileira. Pois é inegável que um microempresário brasileiro tem que batalhar muito para fazer de seu estabelecimento um negócio estável e lucrativo. A Suíça é a primeira nesse ranking, seguida por Cingapura.
Corrupção e Jader Barbalho
Em outros quesitos que influenciam a economia, como Corrupção, Ciência e Tecnologia e Educação, o Brasil continua mal, mas teve pelo menos algum avanço. A nota do Brasil avaliada pela Transparência Internacional sobre corrupção passou de 3,7 para 3,8. Mas apesar dessa "melhora" decimal, o Brasil caiu da 69 ª para 73 ª entre 182 países.
A queda se explica pelo progresso mais acentuado de outros países e pela entrada de novas naçíµes na lista da ONG. O país mais bem colocado no ranking é a Nova Zelândia (com nota 9,5), seguida pela Dinamarca (com nota 9,4). Apesar da queda, o Brasil tem a menor percepção de corrupção entres potências emergentes como Rússia, índia e China.
"Mas o Brasil não deve se orgulhar disso. Deve ver que há muito a avançar para alcançar o nível dos países desenvolvidos. Os brasileiros tem uma grande tolerância sobre corrupção. Eu vejo que í s vezes o tema é colocado em segundo plano, dentro de um contexto de muito otimismo dos brasileiros em relação ao crescimento econí´mico e do novo papel que o país ocupa no mundo. Por outro lado, há iniciativas muito importantes da sociedade, como a lei da Ficha Limpa", diz o mexicano Alejandro Salas, diretor da Transparência Internacional para as Américas.
Apesar da lei da Ficha Limpa, os juízes do Supremo Tribunal Federal usam das antagí´nicas leis políticas brasileiras para permitir que mestres da corrupção, como Jader Barbalho, voltem ao poder da pomposa câmara de lordes brasileira (vulgo Senado)com sua bela ficha suja. Jader, que renunciou ao mandato de senador em 2001 (para fugir de um processo de cassação ligado a corrupção), assumiu no final de dezembro para, malandramente, receber uma ajuda de custo de R$ 26 mil. Dinheiro este que Jader (se fosse minimamente honesto) deveria recusar, pois configura claramente um desrespeito ao bolso do povo brasileiro (ainda que o dinheiro seja seu direito adquirido pelos bem pagos senadores).
Para piorar sua situação, Jader ainda levou a família para a cerimí´nia de posse, Seu filho Daniel Barbalho, de 9 anos, disparou caretas para todos os lados, virou piada e ilustrou o retrato de um país conivente a corrupção em Brasília, um circo onde os políticos corruptos são os palhaços, que sabem como entreter o povo, alienado dentre tantas mentiras e mal-caratismo.
Engatinhando na ciência e tecnologia
Outra área em que o Brasil ainda tem pouca representatividade nos rankings é a de Ciência e Tecnologia. Ainda assim, um estudo divulgado em março pela Royal Society, academia nacional de ciência britânica, mostrou um pequeno progresso do Brasil. A representatividade dos estudos brasileiros teve um ligeiro aumento de 1999 para 2003. Passou de 1,3% do total de pesquisas científicas globais para 1,6%. São Paulo subiu de 38 º para 17 º lugar como centro com mais publicaçíµes científicas do mundo.
O estudo indica que existe uma diversificação pelo mundo, com alguns países demonstrando lideranças em setores específicos, como a China em nanotecnologia e o Brasil em biocombustíveis, mas as naçíµes avançadas do ponto de vista científico continuam a dominar a contagem de citaçíµes", analisou o relatório. Mas neste ponto nosso país ainda tem muito a aprender. A China, por exemplo, segue em uma velocidade muito superior í do Brasil e já superou Europa e Japão na quantidade anual de publicaçíµes científicas.
As mazelas da educação
Na área de Educação, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento (OCDE) divulga comparaçíµes internacionais que incluem o Brasil. Os últimos dados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) pí´s o país em 51 º lugar entre 65 no ranking de leitura, em 55 º no de matemática e em 52 º no de Ciências. O país ficou entre os últimos, mas a nota nas três áreas melhorou em relação í pesquisa anterior.
Ainda assim, o professor brasileiro de primário é um dos que mais sofre com os baixos salários, como mostra pesquisa feita em 40 países pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a Organização das Naçíµes Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco). Um brasileiro em início de carreira, segundo a pesquisa, recebe em média menos de US$ 5 mil por ano para dar aulas.
Na Alemanha, um professor com a mesma experiência de um brasileiro, ganha, em média, US$ 30 mil por ano, mais de seis vezes a renda no Brasil. No topo da carreira e após mais de 15 anos de ensino, um professor brasileiro pode chegar a ganhar US$ 10 mil por ano. Em Portugal, o salário anual chega a US$ 50 mil, equivalente aos salários pagos aos suíços. Na Coréia, os professores primários ganham seis vezes o que ganha um brasileiro.
A OIT e a Unesco dizem ainda que o Brasil é um dos países com o maior número de alunos por classe, o que prejudica o ensino. Segundo o estudo, existem mais de 29 alunos por professor no Brasil, enquanto na Dinamarca, por exemplo, a relação é de um para dez.
Custo de vida alto e as dificuldades com impostos
Na contramão dos avanços, ainda que lentos e graduais, há pesquisas como a do banco suíço UBS (feita em 73 países) sobre o custo de vida nas metrópoles. Segundo o relatório, o poder de compra no Rio e em São Paulo vem caindo nos últimos cinco anos, apesar da elevação dos salários. A pesquisa ilustra a tendência comparando o custo de vida no Rio e em São Paulo com o de Nova York, modelo de cidade cara para se viver.
Há cinco anos, o custo de vida das duas principais metrópoles do país representava pouco mais da metade do custo de vida em Nova York. Hoje, representa 74% (São Paulo) e 69% (Rio de Janeiro) do custo de vida na metrópole americana. São Paulo aparece como a 10 ª cidade mais cara do mundo, subindo 11 posiçíµes em um ano. O Rio foi a 12 ª, subindo 17 posiçíµes.
O Brasil também piorou no ranking que tenta medir a facilidade de se fazer negócios em 183 países. Perdeu seis colocaçíµes, caindo da 120 ª para a 126 ª posição, segundo o Banco Mundial. As avaliaçíµes levam em conta dez indicadores, e se concentram no ambiente de negócios entre pequenas e médias empresas. O Brasil ficou bem, por exemplo, no item "proteção a investidores", mas mal no que avalia a facilidade para se pagar imposto. Nenhuma novidade, tendo em vista que estamos entre os maiores pagadores de impostos no globo, e as taxaçíµes são tão complicadas de se entender que fazem com que paguemos quase sem pensar.
Apesar dos problemas, otimismo continua
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi realista ao comentar o estudo que aponta o Brasil como a sexta economia do mundo, dizendo que os brasileiros podem demorar entre 10 e 20 anos para ter um padrão de vida semelhante ao europeu."Isso significa que vamos ter que continuar crescendo mais do que esses países, aumentar o emprego e a renda da população. Temos um grande desafio pela frente", analisou o ministro.
Mas entre avanços e retrocessos, o otimismo entre os consumidores brasileiros foi um indicador que manteve, em 2011, o Brasil no topo das pesquisas globais. Uma enquete da empresa Nielsen com 56 países, divulgada em outubro, por exemplo, mostrou que, apesar dos sinais de desaceleração na economia, a confiança do consumidor brasileiro foi a que mais cresceu, ficando atrás somente da de indianos, sauditas e indonésios.
*Com informaçíµes de BBC Brasil, Folha de São Paulo, Estadão e Wikipedia


