ANTECIPAí‡íO NO CALENDíRIO ESCOLAR ATRAPALHA MOVIMENTO DE VERANEIO EM TORRES

8 de março de 2014

 

Calorão de janeiro fez aumentar movimento na beira de praia e nos hotéis  

Por Fausto Júnior

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Foi coincidência ou não? Eis a questão… Mas o veraneio foi bom – conforme dados de lideranças do comércio e dos serviços de hotelaria & gastronomia “ só que durante 45 dias… Do Réveillon até o dia 13 de fevereiro.

Casualmente, dia 13 de fevereiro foi o dia que caiu aquela chuva torrencial aqui na cidade, que por sua vez terminou com um ciclo de dias de calor acima da média histórica local. Mas teve também a influência da Copa do Mundo, que será realizada no Brasil em junho. O calendário escolar de todo o Estado e do Brasil foi antecipado. Uns começaram bem cedo, outros nem tanto, mas houve antecipação em todos os casos. E os comerciantes e hoteleiros da cidade debitam certa culpa ao fato.

 

Para comércio, o movimento foi irregular

 

Conforme informa o presidente da CDL de Torres Gilberto Lumertz, o mês de janeiro foi ruim, pior que em anos anteriores. Neste caso, para o lí­der empresarial, o motivo da queda de vendas em relação aos anos anteriores foi o calor excessivo. Tava tão quente que o comércio de bens de consumo semiduráveis acabou ficando em segundo plano para as pessoas – Turistas e torrenses, afirma Gilberto. O dinheiro foi gasto para espantar ou aproveitar o calor, explica. Mas o mês de fevereiro melhorou, e no resultado final acabou quase empatando com o do veraneio anterior (janeiro e fevereiro). Lumertz credita esta melhora a vários motivos, mas acha que o movimento reagiu por conta da promoção Liquida Torres, onde lojistas baixaram preços e ofertaram suas pontas de estoque í  população, com divulgação inclusive em jornal, o que raramente acontecia. Mas Gilberto acredita que a volta í s aulas e a quebra do calor no meio de fevereiro possa ter adiantado alguma compra de torrenses, que sentiram que o ano útil iria começar.  E o movimento acabou ficando igual ao de 2013, conforme planilha de sua loja, que acaba historicamente representando a maioria de seus vizinhos de comércio e associados da CDL.

Gilberto reconhece que o público principalmente da Avenida José Bonifácio não é muito de turistas, é mais de torrenses moradores daqui o ano todo. Para o presidente da CDL de Torres, a cidade necessita aumentar muito o movimento de turistas para que aquela área de Torres possa, aos poucos, ir usufruindo do movimento dos turistas de veraneio e aumente a participação neste mercado das lojas tradicionais de moradores, o perfil da Bonifácio, diz. Lumertz lembra que para isto as praias e os serviços públicos – principalmente de limpeza urbana – devem melhorar, pois são as principais reclamaçíµes de clientes de fora.

Já para o Sindilojas, que pega outro segmento de lojistas da cidade e alguns que são associados í s duas entidades (CDL e Sindilojas), o movimento foi ao contrario. O presidente do sindicato dos Lojistas em Torres, Nasser Samham, imagina que a diferença seja justamente porque a abrangência das lojas avaliadas é de estabelecimentos mais próximos ao dia-a-dia dos veranistas, e também próximos í  hotéis da cidade – na Avenida Barão do Rio Branco e arredores. Nesta área o movimento de janeiro foi quase 5% acima de 2013; mas o de fevereiro caiu 20%, o que indica queda nas vendas gerais do perí­odo de alto verão.

O motivo disto, para Nasser, foi a antecipação do calendário escolar. Para o presidente do Sindilojas esta mudança “ por conta da realização da Copa do Mundo – quebrou com os planos dos lojistas para o verão. Ou seja: conforme a região da cidade – mais ou menos ligada ao turismo – o movimento do comércio teve um comportamento distinto. E foram inversos. O que se deduz é que caiu, como um todo, o faturamento do varejo em geral em Torres. Dificilmente as estatí­sticas mentem.

 

 Excursíµes de argentinos caem e brasileiros compensam

 

Na hotelaria e gastronomia não foi diferente: efetivamente o verão teve duas fases. Os primeiros 45 dias – do Ano Novo ao dia 15 de fevereiro; e a outra, do dia 15 até este final de semana pós-Carnaval, que encerra oficialmente a temporada alta de verão (no domingo, dia 9 de março). O presidente da Associação de Hotéis Restaurantes, Bares e Similares de Torres (AHRBS) Euclides Rodrigues, carinhosamente chamado de Kidinho, já havia adiantado o panorama em reportagem para A FOLHA no iní­cio de fevereiro. E as previsíµes se confirmaram.

Fomos abençoados por Deus nos primeiros 45 dias do ano com um calor – clima perfeito para o turismo de verão, comemora o hoteleiro e presidente da AHRBS. Mas quando precisávamos de força própria “ após o término do calor acima da média “ sentimos que falta muito trabalho para trazer e para reter clientes em Torres, como merecemos e podemos, complementou.

Para Kidinho o calor bem acima de média fez com que aumentasse muito – também acima das previsíµes – o movimento de pessoas que vieram í  cidade passar suas férias. Muitos adiantaram perí­odos planejados para fevereiro para janeiro por conta do calor excessivo apresentado em suas cidades de moradias, e vieram para Torres, fazendo a alegria de todos que sobrevivem do movimento do veraneio ligado ao calor, ao verão, ao mar e suas delí­cias paralelas.

Mas após a queda de temperatura e o iní­cio do calendário escolar a situação inverteu.   Limpou a cidade, afirma Kidinho. "Não tivemos armas para trazer pessoas para cá e tivemos a segunda quinzena e o Carnaval muito abaixo do necessário, reclama.

A FOLHA recebeu informaçíµes especí­ficas do Hotel A Furninha sobre o movimento.   Eles possuem um sistema estatí­stico que mostra com clareza as variaçíµes anuais e mensais no hotel, que acaba sendo o reflexo de muitos estabelecimentos locais, que “ como eles – trabalham bastante em cima de excursíµes compradas com antecedência, voltada para argentinos. Conversamos com Clarissa e Danilo Raupp – donos do Hotel – e eles informaram que o movimento de argentinos caiu no estabelecimento em 40%.  í‰ que a o perfil econí´mico de turistas argentinos -que costumam vir ao Brasil e se hospedar na hotelaria por excursíµes-  é médio, oriundos em geral do interior da Argentina. E esta categoria sofreu muito com as restriçíµes que o governo daquele paí­s implementou, justamente para evitar que dólares e pesos saí­ssem de lá. O governo argentino e suas medidas ˜anti-turismo externo™ criaram barreiras alfandegárias, taxaram cartíµes de crédito para compras e gastos fora da argentina. E o resultado foi que os turistas que conseguiram mesmo assim viajar para Torres foram menos: a possibilidade econí´mica ficou mais com os que têm melhor poder de compra ou usufruem de salários mais altos.

Mas a notí­cia boa dada pelos diretores do hotel para A FOLHA foi que esta queda – de 40% dos argentinos – foi compensada inteiramente por brasileiros, que ocuparam as dependências do hotel, mudando o perfil mas mantendo o movimento, que acabou sendo igual se relacionado com o último veraneio.

 

Mais profissionalismo

 

Na avaliação do Presidente da AHRBS, Euclides Rodrigues, a cidade precisa urgentemente profissionalizar mais a gestão dos cuidados com o Turismo local, principalmente í queles voltados para a infraestrutura urbana e captação de turistas. Temos que ter metas e gente comprometida com elas. Não adianta colocar amigos ou gente de partidos na secretaria se eles não sabem o que fazer na pasta, reclamou Kidinho. Não me refiro a partido nenhum nem pessoalizo nada neste governo ou no anterior, queremos – os hoteleiros e restauranteiros – que a cidade tenha cada vez mais verba para investir em estrutura e em divulgação locais, explica. E não é com diminuição de verbas como aconteceu neste ano, nem convivendo com um Calçadão í s escuras por falta de troca de lâmpada, ou com um calçadão em obras em plena área do turismo de verão, que conseguiremos andar adiante, temos que profissionalizar, desabafou o dirigente dos hoteleiros.

 

Carnaval para turistas

 

Outra sugestão dada por Kidinho para melhorias no Turismo de Torres é a troca do paradigma atual de nosso Carnaval. Ele acha que a festa está formatada para que torrenses usufruam dela, quando para ele a festa deveria ser formatada para que turistas de fora venham para a cidade, para que turistas fiquem aqui ao invés de irem para outros lugares, por conta, também, do Carnaval. Para o dirigente a festa não mexe com nenhuma estrutura no movimento do turismo nos veríµes em Torres, serve tão somente para divertir a população.

Kidinho sugeriu também que o tema Turismo seja o âmago dos debates na polí­tica na cidade. Publicamente – aqui em A FOHA e também em rádios locais, o dirigente apela para que a cidade entenda de uma vez por todas que vive do Turismo.

Casualmente a bandeira da cidade de Torres escreve em seu bojo as palavras Turismo e Agricultura, mas parece que não segue o que indica nossa bandeira, critica o dirigente. Não podemos tratar nosso ganha pão da comunidade como se fosse assunto coadjuvante; temos que fazer com que melhorias quantitativas e qualitativas no Turismo aconteçam; que sejam debatidas na Câmara Municipal e nas ruas, continua Kidinho. Mas o que vemos é que os dois menores orçamentos da cidade são, justamente, no Turismo e na Agricultura: algo está errado ai, desabafa encerrando o presidente da AHRBS de Torres.


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