Por Paula Borowsky
Na literatura médica sobre a asma, pouco se encontra a respeito de fatores psicológicos como precipitantes ou mesmo mantenedores da doença. Isto sugere que tem sido pouco estudada a interação dos fatores emocionais nas pessoas asmáticas. O que não deixa dúvida é que a asma é uma doença multifatorial, ou seja, predisposição genética, a sensibilização alérgica, o perfil psicológico e a natureza das relaçíµes familiares, principalmente entre mãe e filho.
Geralmente, dentre os fatores psicológicos associados, encontramos um perfil mas mães do asmático de superprotetora, sufocantes no extremo cuidado da criança, restringindo a conquista de sua autonomia e crescimento. A superproteção, entretanto, não significa amor, mas um cuidado carregado, uma hostilidade encoberta, daí a culpa por conseguinte e extremo controle sobre criança. A relação é permeada de submetimento, dominação, dependência, angústia entre mãe e filho. A respiração asmática seria então como um grito sufocado, um choro contigo, gerado pelo desejo violento de emancipação da criança e do adolescente.
Tanto na infância como na vida adulta, a crise pode eclodir frente í situaçíµes de enfrentamento que exigem certa independência dos pais, que muitas vezes podem parecer dominadores, inseguros, ansiosos e incapazes de transmitir amor genuíno, sem culpa. Desta maneira, considera-se a asma uma doença psicossomática, em que o elevado grau de ansiedade e perturbação da relação simbiótica (grude, dependência, ansiedade frente a separaçíµes entre ambos), passa a ser um agente precipitador e mantenedor da doença. Isto é, severidade das crises de asma como resultante de estímulos de natureza psicogênica (emocionais), entendidos como elementos associados í patologia primária (alergia).
Se entendermos que é a asma uma doença multifatorial, então a terapêutica coerente sugerida, portanto, é também, multiprofissional.


