AUTISMO X PRODUTOS QUíMICOS

22 de maio de 2012

 

Antoniela Vieira  

 

Um grupo internacional de cientistas divulgou, recentemente, um manifesto pedindo mais pesquisas para identificar as possí­veis causas ambientais do autismo e outras desordens do desenvolvimento neurológico em crianças.

O documento também apresenta uma lista de 10 produtos quí­micos suspeitos, aqueles que são considerados altamente susceptí­veis de contribuir para essas condiçíµes.

O documento foi publicado juntamente com quatro artigos cientí­ficos – cada um sugerindo uma ligação entre produtos quí­micos tóxicos e autismo – na revista cientí­fica Environmental Health Perspectives

A Academia Nacional de Ciências dos EUA afirma que 3% de todos os transtornos neurocomportamentais em crianças, incluindo o transtorno do espectro do autismo (ASD) e déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), são causados por substâncias tóxicas no meio ambiente, e que outros 25% são causados por interaçíµes entre fatores ambientais e genéticos.

Mas as causas ambientais e seus mecanismos de ação no organismo ainda não são conhecidos.

Os pesquisadores elaboraram uma lista de 10 produtos quí­micos encontrados em produtos de consumo que são suspeitos de contribuir para a deficiência do autismo e de aprendizagem, de forma a orientar uma estratégia de pesquisas para descobrir causas ambientais potencialmente evitáveis.

Os dez produtos quí­micos são:

– Chumbo

– Metilmercúrio

– PCBs – Bifenilas Policloradas

– Inseticidas ou pesticidas organofosforados

– Inseticidas ou pesticidas organoclorados

– Desreguladores endócrinos

– Gases do escapamento de automóveis

– Hidrocarbonetos aromáticos policí­clicos

– Antichamas bromados

– Compostos perfluorados

O primeiro dos quatro artigos, escrito por uma equipe da Universidade de Wisconsin, encontrou indí­cios que ligam fumar durante a gravidez com a desordem de Asperger e outras formas de autismo de alto grau.

Dois artigos, escritos por pesquisadores da Universidade da Califórnia, em Davis, mostram que os PCBs (bifenilas policloradas) atrapalham as primeiras etapas do desenvolvimento cerebral.

O último artigo, da mesma universidade, sugere uma ligação entre a exposição a pesticidas e o autismo.

Reflentindo sobre estes estudos, cheguei a conclusão que não só o autismo pode ser beneficiado com o uso destas substâncias, mas muitas outras doenças.

Analisando a forma de uso dos agrotóxicos, como os PCBs, há evidência concreta que as polí­ticas de produção agrí­cola no Brasil são mais pautadas na quantidade e não na qualidade dos alimentos, e o foco é o ganho de produtividade sem precedentes. O que, descabidamente, acarreta em prejuí­zo da saúde da população e do meio ambiente. Porém, se avaliarmos, de um lado, o aumento da entrada de capital pela livre utilização de agrotóxicos, pesticidas e substâncias quí­micas na produção de alimentos e produtos, e, de outro lado, há o escoamento de capital com o aumento dos gastos com a saúde da população e do meio ambiente! Evidenciando que as estratégias polí­ticas econí´micas do Brasil não são geradas a partir de uma visão global.

Pelo que se verifica em estudos de impacto na saúde e meio ambiente, há necessidade de serem desenvolvidas polí­ticas de segurança alimentar baseadas, não só no capitalismo e abastecimento, mas na qualidade dos alimentos e existência de limites no paradigma quí­mico da revolução verde acerca da questão da (in)sustentabilidade na agricultura.


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