Antoniela Vieira
Um grupo internacional de cientistas divulgou, recentemente, um manifesto pedindo mais pesquisas para identificar as possíveis causas ambientais do autismo e outras desordens do desenvolvimento neurológico em crianças.
O documento também apresenta uma lista de 10 produtos químicos suspeitos, aqueles que são considerados altamente susceptíveis de contribuir para essas condiçíµes.
O documento foi publicado juntamente com quatro artigos científicos – cada um sugerindo uma ligação entre produtos químicos tóxicos e autismo – na revista científica Environmental Health Perspectives
A Academia Nacional de Ciências dos EUA afirma que 3% de todos os transtornos neurocomportamentais em crianças, incluindo o transtorno do espectro do autismo (ASD) e déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), são causados por substâncias tóxicas no meio ambiente, e que outros 25% são causados por interaçíµes entre fatores ambientais e genéticos.
Mas as causas ambientais e seus mecanismos de ação no organismo ainda não são conhecidos.
Os pesquisadores elaboraram uma lista de 10 produtos químicos encontrados em produtos de consumo que são suspeitos de contribuir para a deficiência do autismo e de aprendizagem, de forma a orientar uma estratégia de pesquisas para descobrir causas ambientais potencialmente evitáveis.
Os dez produtos químicos são:
– Chumbo
– Metilmercúrio
– PCBs – Bifenilas Policloradas
– Inseticidas ou pesticidas organofosforados
– Inseticidas ou pesticidas organoclorados
– Desreguladores endócrinos
– Gases do escapamento de automóveis
– Hidrocarbonetos aromáticos policíclicos
– Antichamas bromados
– Compostos perfluorados
O primeiro dos quatro artigos, escrito por uma equipe da Universidade de Wisconsin, encontrou indícios que ligam fumar durante a gravidez com a desordem de Asperger e outras formas de autismo de alto grau.
Dois artigos, escritos por pesquisadores da Universidade da Califórnia, em Davis, mostram que os PCBs (bifenilas policloradas) atrapalham as primeiras etapas do desenvolvimento cerebral.
O último artigo, da mesma universidade, sugere uma ligação entre a exposição a pesticidas e o autismo.
Reflentindo sobre estes estudos, cheguei a conclusão que não só o autismo pode ser beneficiado com o uso destas substâncias, mas muitas outras doenças.
Analisando a forma de uso dos agrotóxicos, como os PCBs, há evidência concreta que as políticas de produção agrícola no Brasil são mais pautadas na quantidade e não na qualidade dos alimentos, e o foco é o ganho de produtividade sem precedentes. O que, descabidamente, acarreta em prejuízo da saúde da população e do meio ambiente. Porém, se avaliarmos, de um lado, o aumento da entrada de capital pela livre utilização de agrotóxicos, pesticidas e substâncias químicas na produção de alimentos e produtos, e, de outro lado, há o escoamento de capital com o aumento dos gastos com a saúde da população e do meio ambiente! Evidenciando que as estratégias políticas econí´micas do Brasil não são geradas a partir de uma visão global.
Pelo que se verifica em estudos de impacto na saúde e meio ambiente, há necessidade de serem desenvolvidas políticas de segurança alimentar baseadas, não só no capitalismo e abastecimento, mas na qualidade dos alimentos e existência de limites no paradigma químico da revolução verde acerca da questão da (in)sustentabilidade na agricultura.


