Costuma-se afirmar que o homem contemporâneo é imaturo. Em termos tecnológicos diz-se, a humanidade cresce de modo acelerado e constante. Basta que se olhe o desenvolvimento da cibernética, que vem englobando todos os campos possíveis e imagináveis de sua aplicabilidade. Por outro lado, a busca pelo conforto leva-nos a rápidas inovaçíµes, descobertas, criaçíµes e aprimora e máquinas fantásticos. Ferramentas, utensílios e máquinas tornam-se cada vez mais sofisticadas, convertendo em obsoletas criaçíµes recentes, que pareciam inicialmente poder dominar por muitos anos o mercado consumidor.
Em termos tecnológicos, o desenvolvimento é meteórico. No entanto, o homem que planeja, organiza e executa, ou seja, o criador de toda tecnologia avançada que o mundo observa e utiliza extasiado, parece não acompanhar essa transformação acelerada de seu ambiente material. Trata-se de um paradoxo da humanidade, pelo fato de o homem ser caracterizado como tal pela autoconsciência, razão e imaginação e, apesar de tudo, ser ultrapassado pelas próprias criaçíµes. Ou como dizia Overstreet, O homem é uma criatura capaz de transcender suas próprias limitaçíµes dos sentidos e de subjetividade, de modo a ganhar cada vez maior conhecimento sobre seu mundo e sobre si mesmo nesse mundo.
O paradoxo reside, então, no fato de apesar de encerrar em seu íntimo a possibilidade da autoconsciência e da transcendência, o homem não conseguiu torná-las reais. O conhecimento sobre o mundo permanece hoje apenas material e o autoconhecimento é relegado ao terceiro plano. Essa defasagem entre o conhecimento exterior e o autoconhecimento é, por si, indicativa da imaturidade do homem atual.
O homem conhece muito sobre seu ambiente externo, já percorreu distâncias, foi até a lua, mas ainda se depara com muitos dilemas existências, há milênios, buscando incessantemente respostas para suas afliçíµes inexatas, e contrárias a exatidão da matemática, física, tornando o homem um ser enigmático, intrigante, contraditório e misterioso para si próprio.


