EDITORIAL – BBB éo jornalismo da realidade, doa a quem doer…

23 de janeiro de 2012

Nesta semana que passou, o assunto predominante dos noticiários e em debates nas redes sociais foi o caso do suposto exagero protagonizado por um dos componentes do BBB 12, caso que acabou gerando a expulsão do programa do brother pela diretoria da TV Globo, o que gerou ainda mais debates e discussíµes, pois iniciou como um desvio de conduta í s regras da competição e acabou virando caso de polí­cia. O mais curioso de tudo que aconteceu e ainda acontecerá por conta deste caso é o tratamento dado pelos crí­ticos ao caso, tanto através de depoimentos e até brigas virtuais públicas realizadas nas redes sociais, quanto em artigos publicados em jornais. Na maioria das vezes pode-se detectar o lado ditador dos seres humanos. Por um lado, os crí­ticos ao programas acusam a rede Globo por executar o projeto, para eles um programa de baixo ní­vel, que só atrapalha o desenvolvimento cultural da sociedade. E taxam a rede de maior audiência do paí­s de mercantilista, pois só estaria querendo buscar audiência com as ediçíµes do programa. Por outro lado, há os que defendem a atitude do programa. Eles criticam os que criticam o BBB e a rede Globo, e acabam na maioria dos debates ou textos de autoria deles também taxando de forma preconceituosa a todos que assim o fazem.

 

Na Zero Hora da última quinta feira, o editor da página de artigos foi muito inteligente em colocar lado a lado os pontos de vistas divergentes. Lendo os dois artigos colocados na mesma página e sobre o mesmo assunto, o BBB 12, a sociedade pode e até deve buscar sua opinião sobre o tema, ou buscar ao menos o lado mais coerente onde um simples vivente se posiciona: se é contra a edição do programa ou se, ao contrário, é a favor, mesmo que não o assista em alguns casos. Mas nos próprios artigos se nota a repetição da presença de DNA ditador por ambos os lados opostamente radicais.

 

Um professor criticou o programa fazendo uma analise pessimista do Brasil, afirmando que o que se passa no BBB é o retrato da nação, para ele um local onde a promiscuidade e a falta de educação e respeito imperam. No outro artigo, colocado logo abaixo, um jornalista defende o BBB, ou melhor, ele defende o fato jornalí­stico e a atitude de uma emissora jornalí­stica em colocar aos telespectadores as questíµes com elas são, vividas por gente de todas as classes sociais, que se dispíµe a se expor na busca de dinheiro e fama. Mas o jornalista peca em taxar os crí­ticos de elitistas, cults e, ainda, coloca todos em um mesmo barco, dizendo que a maioria dos crí­ticos utiliza frases escritas por poetas, filósofos, dente outros í­cones da cultura brasileira, sem sequer ler uma se suas obras.   Mais uma atitude que mostra certo DNA ditador, pois não é o número de obras que uma pessoa lê que a qualifica como melhor ou pior que as outras: pode e deve ser um positivo indicador, mas não se trata de um método absoluto de avaliação. Muito menos é factí­vel afirmar que alguém que critica o BBB é Cult. Muitos não sabem sequer o que significa este jargão e mesmo assim criticam o programa da Rede Globo.

 

O que acontece é que estamos passando por um legí­timo processo democrático saudável. A maior rede de TV do paí­s veicula programas jornalí­sticos que espelham,  em muito, a realidade do Brasil, o que é a missão do jornalismo sério e isento. Se não gostamos do que estamos vendo, basta trocar de canal. Se não gostamos do resultado que certas atitudes  terão perante o povo quando veiculadas na TV, não é censurando os programas que deveremos atacar:   Devemos melhorar nossas leis e votar melhor nos polí­ticos que nos representam no poder executivo e no poder legislativo. São eles os responsáveis pela ordem e comportamento público da nação. E não adianta votar em quem quer censurar, porque se trata da forma mais simplista de resolver as coisas: esconde, mas não ataca a causa. As emissoras buscam audiência, sim: trata-se do âmago de qualquer emissora, pois não adianta qualidade se não há audiência. Portanto, não é verdade afirmar que a rede Globo não estaria veiculando materiais jornalí­sticos. Veicula, sim, mas buscando a massa da população brasileira, mesmo em alguns casos através de programas muito bem feitos e até cults como afirma o jornalista, o que faz que a audiência da Rede Globo seja também diluí­da entre as classes mais cultas e abastadas financeiramente, motivo de sua liderança absoluta em audiência em todos os ní­veis.   Como em todo o processo democrático, há sempre os dois lados das opiniíµes, e isto é saudável. O que não é salutar é tentar denegrir a imagem de pessoas e emissoras jornalí­sticas através de posiçíµes preconceituosas e jogadas por atacado em textos ou brigas públicas.  

 

 Quem quer direcionar o que é exibido na TV possui certamente uma tendência í  ditador. Isto é o iní­cio da censura disfarçada de moralismo, ou seja, a censura de direita. E quem quer colocar todos os que defendem o moralismo do outro lado, desqualificando-os com argumentos elitistas, se trata de outro ditador: o ditador de esquerda, que quer que as cosas seja feitas de forma aberta e em situação de igualdade, mas desde que quem comanda possua atributos especiais, parecidos com o dele, coincidentemente… Uma das mazelas da ditadura de esquerda.  

 


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