Nesta semana que passou, o assunto predominante dos noticiários e em debates nas redes sociais foi o caso do suposto exagero protagonizado por um dos componentes do BBB 12, caso que acabou gerando a expulsão do programa do brother pela diretoria da TV Globo, o que gerou ainda mais debates e discussíµes, pois iniciou como um desvio de conduta í s regras da competição e acabou virando caso de polícia. O mais curioso de tudo que aconteceu e ainda acontecerá por conta deste caso é o tratamento dado pelos críticos ao caso, tanto através de depoimentos e até brigas virtuais públicas realizadas nas redes sociais, quanto em artigos publicados em jornais. Na maioria das vezes pode-se detectar o lado ditador dos seres humanos. Por um lado, os críticos ao programas acusam a rede Globo por executar o projeto, para eles um programa de baixo nível, que só atrapalha o desenvolvimento cultural da sociedade. E taxam a rede de maior audiência do país de mercantilista, pois só estaria querendo buscar audiência com as ediçíµes do programa. Por outro lado, há os que defendem a atitude do programa. Eles criticam os que criticam o BBB e a rede Globo, e acabam na maioria dos debates ou textos de autoria deles também taxando de forma preconceituosa a todos que assim o fazem.
Na Zero Hora da última quinta feira, o editor da página de artigos foi muito inteligente em colocar lado a lado os pontos de vistas divergentes. Lendo os dois artigos colocados na mesma página e sobre o mesmo assunto, o BBB 12, a sociedade pode e até deve buscar sua opinião sobre o tema, ou buscar ao menos o lado mais coerente onde um simples vivente se posiciona: se é contra a edição do programa ou se, ao contrário, é a favor, mesmo que não o assista em alguns casos. Mas nos próprios artigos se nota a repetição da presença de DNA ditador por ambos os lados opostamente radicais.
Um professor criticou o programa fazendo uma analise pessimista do Brasil, afirmando que o que se passa no BBB é o retrato da nação, para ele um local onde a promiscuidade e a falta de educação e respeito imperam. No outro artigo, colocado logo abaixo, um jornalista defende o BBB, ou melhor, ele defende o fato jornalístico e a atitude de uma emissora jornalística em colocar aos telespectadores as questíµes com elas são, vividas por gente de todas as classes sociais, que se dispíµe a se expor na busca de dinheiro e fama. Mas o jornalista peca em taxar os críticos de elitistas, cults e, ainda, coloca todos em um mesmo barco, dizendo que a maioria dos críticos utiliza frases escritas por poetas, filósofos, dente outros ícones da cultura brasileira, sem sequer ler uma se suas obras. Mais uma atitude que mostra certo DNA ditador, pois não é o número de obras que uma pessoa lê que a qualifica como melhor ou pior que as outras: pode e deve ser um positivo indicador, mas não se trata de um método absoluto de avaliação. Muito menos é factível afirmar que alguém que critica o BBB é Cult. Muitos não sabem sequer o que significa este jargão e mesmo assim criticam o programa da Rede Globo.
O que acontece é que estamos passando por um legítimo processo democrático saudável. A maior rede de TV do país veicula programas jornalísticos que espelham, em muito, a realidade do Brasil, o que é a missão do jornalismo sério e isento. Se não gostamos do que estamos vendo, basta trocar de canal. Se não gostamos do resultado que certas atitudes terão perante o povo quando veiculadas na TV, não é censurando os programas que deveremos atacar: Devemos melhorar nossas leis e votar melhor nos políticos que nos representam no poder executivo e no poder legislativo. São eles os responsáveis pela ordem e comportamento público da nação. E não adianta votar em quem quer censurar, porque se trata da forma mais simplista de resolver as coisas: esconde, mas não ataca a causa. As emissoras buscam audiência, sim: trata-se do âmago de qualquer emissora, pois não adianta qualidade se não há audiência. Portanto, não é verdade afirmar que a rede Globo não estaria veiculando materiais jornalísticos. Veicula, sim, mas buscando a massa da população brasileira, mesmo em alguns casos através de programas muito bem feitos e até cults como afirma o jornalista, o que faz que a audiência da Rede Globo seja também diluída entre as classes mais cultas e abastadas financeiramente, motivo de sua liderança absoluta em audiência em todos os níveis. Como em todo o processo democrático, há sempre os dois lados das opiniíµes, e isto é saudável. O que não é salutar é tentar denegrir a imagem de pessoas e emissoras jornalísticas através de posiçíµes preconceituosas e jogadas por atacado em textos ou brigas públicas.
Quem quer direcionar o que é exibido na TV possui certamente uma tendência í ditador. Isto é o início da censura disfarçada de moralismo, ou seja, a censura de direita. E quem quer colocar todos os que defendem o moralismo do outro lado, desqualificando-os com argumentos elitistas, se trata de outro ditador: o ditador de esquerda, que quer que as cosas seja feitas de forma aberta e em situação de igualdade, mas desde que quem comanda possua atributos especiais, parecidos com o dele, coincidentemente… Uma das mazelas da ditadura de esquerda.


