Brasilidade

10 de setembro de 2011

 

 

 

 

                            Sete de setembro de dois mil e onze, a partir das nove horas da manhã, o povo da cidade litorânea mais ao norte do Rio Grande do Sul, exatamente na divisa com o vizinho estado de Santa Catarina, está nas ruas centrais da cidade para ver a garotada passar. Aqui essa tão importante data comemorativa ainda é…   comemorada. As escolas comparecem organizadas, não mais com a rigidez de antigamente, o uso do uniforme completo e correto como manda o figurino já não é exigido, a marcha militar foi substituí­da pela caminhada normal, grande número apenas passa, até com uma certa displicência, um ar casual, mas há uma certa ordem e um certo respeito í  pátria amada.  

                      Como aqui, certamente, em centenas de outras cidades brasileiras o mesmo acontece, comemora-se com um desfile, passeata, caminhada ou qualquer outra denominação que lhe atribuirmos, a independência do Brasil do jugo de Portugal. Gostarí­amos que essa independência significasse também estarmos livres das roubalheiras e da espoliação que sofrí­amos há mais de dois séculos, o que não aconteceu de imediato, mas mesmo que o preço pago pela liberdade tenha sido   altí­ssimo, valeu a pena. O triste, o lastimável não foi termos pago tão caro para sermos independentes administrativamente, para comprarmos a nossa soberania. Lastimável é termos herdado também os mesmos ví­cios cí­vicos, a atração pela maracutaia, o gosto pela roubalheira, o prazer pela trapaça, a esperteza, a sacanagem com que nossos colonizadores nos trataram enquanto deles éramos dependentes.  

                        Claro, sei que não herdamos tudo dos portugueses, mas deles e de suas caracterí­sticas, todos nós temos um pouco na nossa linhagem, o quê talvez explique porque enquanto nas pequenas cidades desse imenso Brasil, a gente ainda marcha de peito aberto, portando cartazes comprometidos com a cidadania e a moral, em Brasí­lia, nos três poderes mais o penduricalho do Senado, a roubalheira, a corrupção, a falta de vergonha, o abuso de poder e toda sorte de tramóias continuam sendo feitos. Enquanto nós marchamos ao som das bandas escolares, uma mulher forte tenta com todo o seu empenho governar o paí­s e levá-lo rumo ao bem comum, apesar de todos os abusos por parte até daqueles que lhe são mais próximos e traem constantemente sua confiança. Enquanto nós marchamos louvando a beleza e a grandiosidade do nosso paí­s, o mal corrói as entranhas dessa nação forte e valorosa. Enquanto nós marchamos conclamando pela justiça e pelo bem geral, nas favelas do Rio, marcham os canhíµes do Exército para tentar frear os corruptores, os traficantes, a bandidagem. Enquanto nós marchamos… será que em Brasí­lia … os canhíµes não poderiam… bem, melhor   deixar isso pra lá!!!


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