OPINIíO – Briga com a imprensa

13 de agosto de 2011

 

 

 

 

 

Briga com a imprensa

   

Na última sessão da Câmara Municipal alguns vereadores soltaram a palavra contra a mí­dia. Pena que foi de forma generalizada, sem citar nomes, o que é uma covardia, pois acaba colocando todos no mesmo balaio.  

A vereadora Professora Lú (PT) pediu í  imprensa que tomasse cuidado com o que veicula, pois, í s vezes, publica coisas as quais os vereadores não falaram. Deu como exemplo uma matéria que informava que a vereadora fazia oposição leve.  Ela negou e disse que o que falou é que não é leviana na sua forma de criticar o atual governo. Comentou também sobre um Jornal, do qual também não divulgou o nome, que diversas vezes publicou coisas irresponsáveis. Questionou como o mesmo pode ainda divulgar matérias sobre o Poder Legislativo (já é uma pista). Fez referência ao responsável do referido Jornal, dizendo sobre uma lei, que se uma pessoa coloca em primeiro lugar um partido polí­tico, não pode ter um veí­culo de imprensa. Ressaltou que se outro veí­culo de imprensa distorcer suas palavras irá ao Ministério Público tomar providências.    

A vereadora tem todo o direito de reclamar. Só acho que deveria citar nomes. Assim fica difí­cil e abre brecha para a própria imprensa começar, por exemplo, a dizer que tem vereador (a) na casa que faz isso ou aquilo e que não é certo, ou até que é ilegal… Como o leitor entenderia?  Em que cabeça dos 9 colocaria a touca?  

Já quanto ao processo, existe, sim, lei para que qualquer ser humano processe um jornal. Basta entrar na justiça. A sessão da Câmara é gravada e a cópia da gravação servirá certamente como prova cabal, uma vantagem para vereadores.   Quanto a ligar a filiação partidária í s pessoas, acredito que existem outras mazelas a serem combatidas antes. Por exemplo. Por que nós, contribuintes, pagamos salários de servidores públicos para serem dirigentes de sindicatos? Esta lei, sim, acho que deveria ser revista. Uma questão de opinião…

 

   

Briga com a imprensa 2

   Já o vereador Rogerinho, também sem citar nomes, falou que grande parte da imprensa de Torres está comprometida com partidos polí­ticos. Disse ele ainda que existem jornais na cidade que deveriam trocar de nome. Deveriam se chamar Atitudes da Prefeitura de Torres…

O vereador também tem direito de dizer isto no microfone, para todos os ouvintes da rádio que transmite o evento e para todos que estão na platéia (em geral poucos). Mas deveria dar nome aos bois…  

 Todos têm o direito de gostar de um jornal e desgostar de outro, assim como todos tem o direito de gostar de um vereador e desgostar de outros. Faz parte da liberdade de opinião, sagrada, pra mim pelo menos…  

Quanto aos jornais divulgarem atitudes da prefeitura, trata-se da naturalidade de qualquer publicação do interior do Brasil. As prefeituras acabam sendo as maiores geradores de recursos para serem utilizados nas cidades, em obras e em salários de cidadãos, principalmente quando a prefeitura realiza muitas coisas, como é o caso de Torres. A Câmara, por exemplo, leva mais de 5% disto…    

Trocar o nome do jornal é que ficou feio sugerir, ainda mais sem citar o nome ou os nomes, já que Torres é campeã de jornal por habitante. Imagine o vereador Rogerinho se alguém sugerisse que ele trocasse o nome da empresa de contabilidade que possui por algum motivo… Que arrogância…não?  

O jornal A FOLHA tem uma caracterí­stica editorial: Publicar as coisas que dizem respeito í  estrutura econí´mica, social e polí­tica da cidade; criticar a falta da mesma estrutura; e sugerir novidades que venham a colaborar com a mesma estrutura. Não é pauta de nosso jornal e de nossa coluna, ficar procurando pêlo em ovo, como alguns jornais preferem…    

Poderí­amos, por exemplo, estar averiguando o passo-a-passo de processos que estão tramitando contra polí­ticos locais e publicar o os despachos jurí­dicos, citando sempre o nome dos envolvidos, o que denegriria sobremaneira nomes, muitas das vezes injustamente, embora muitas de outras vezes justamente…   Não é a pauta de nossa publicação, embora saibamos que os processos existem e estão tramitando. Estamos atentos! Olho no lance… e na boca…

 

   

Briga com a imprensa 3

   

Quem critica a atuação da imprensa em cidades menores como Torres deveria se espelhar em jornais de grande publicação e ver o quão aparece nomes de polí­ticos, principalmente do legislativo. Quase nenhum. A Zero Hora, o Correio do Povo, o O Sul e o Jornal do Comércio, de circulação teoricamente estadual, colocam nomes de polí­ticos somente quando estão envolvidos em um embate que tenha importância real para a estrutura das comunidades dos Estados e do Paí­s; ou quando estão envolvidos em alguma irregularidade, obrigação moral da imprensa. Nunca se vê a transcrição de posicionamentos de deputados, senadores e muito menos vereadores nestes jornais. Inclusive a Câmara Municipal de Porto Alegre, a capital, sequer se sabe o que acontece, tal é a pouca ou quase nenhuma difusão das atitudes dos edis de lá.  

Polí­tico que quer aparecer deveria se posicionar de forma organizada, estruturada e principalmente coerente, sobre as questíµes que entram em pauta. Não é função da mí­dia ficar colocando idéias de polí­ticos no jornal somente porque eles tiveram a ideia. Deve haver uma seleção do que efetivamente vá influir no modus vivendi dos cidadãos.    

 A coisa mais fácil para a oposição é criticar por criticar a situação.   Assim como a coisa mais fácil da situação é se abraçar nos feitos da administração. Polí­tico que quer aparecer por merecimento não deveria fazer só estas coisas banais… Deveria levantar assuntos polêmicos e ir adiante. Deveria sugerir trocas de leis, novas leis… Deveria efetivamente pegar uma causa e ir buscar solução para elas, se articulando, chamando a mí­dia para dar apoio de forma amistosa, não com armas na mão.

 Portanto, os vereadores de Torres devem ficar satisfeitos com a atuação dos jornais locais. A pauta poderia ser as diárias dos vereadores (que vende); poderia ser a falta insistente de projetos de autoria do legislativo (que vende); poderia ser a falta de coerência partidária (que dá assunto para uma revista). Mas não… A mí­dia local procura trabalhar com assuntos que pelo menos tenham certa interferência na VIDA DOS TORRENSES e não na VIDA E SONHOS DOS VEREADORES. Pelo menos A FOLHA busca isto.                


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