Candidatos são diferentes, sim
21 de junho de 2010
Falta quase que total de ideologia dos partidos políticos no Brasil tem deixado como uma das poucas opçíµes aos eleitores a diferenciação pessoal entre um candidato e outro, principalmente nas vagas mais badaladas, í cargos executivos de Presidente, Governador ou Prefeito. Os eleitores por pura falta de referencial acabam muitas vezes optando pela simpatiza dos concorrentes, pela beleza plástica dos candidatos e até pelo seu passado profissional, elegendo muitas vezes artistas ou jogadores de futebol, como se suas performances de palco ou de campo de jogo fossem ser repetidas nas cadeiras do poder da política. Mas por trás de uma candidatura é fácil definir com clareza o verdadeiro perfil do candidato í cargos executivos e legislativos. Basta ficarmos atentos aos pontos-chave das apresentaçíµes. Mas para isto temos que saber qual nossa expectativa ou opção pelos mesmos temas considerados nevrálgicos, que certamente deverão ser abordados em debates públicos e podem também ser questionados pelo eleitor, agora observando, sim, as vidas pregressas dos nomes, assim como em suas respostas aos enfrentamentos de temas que definem claramente os caminhos das candidaturas no sentido verdadeiramente ideológico. Aqui no RS existem claramente três posicionamentos claros no que se refere í ideologia de gestão pública e í s crenças destes ideais projetadas em açíµes e políticas públicas dos projetos.
A governadora Yeda Crusius do PSDB se caracteriza, na prática, pois exerce o poder, por ser uma pessoa de enfretamento dos problemas sem nenhum perfil de fugir da raia quando perguntada sobre os temas conflitantes ideológicos. Ela mostra que acredita no desenvolvimento do RS enfrentando as questíµes antigas que se tornaram vícios na gestão do Rio Grande do Sul como o déficit nas finanças, o exagero nas benesses corporativas de alguns setores da administração pública, na nova pactuação com os municípios olhando no olho dos prefeitos quando negociados os e pela opção por terceirizar alguns serviços do Estado formatando parcerias público-privadas.
Já o outro extremo ideológico temos o candidato Tarso Genro do PT, que abre publicamente que pretende implementar no RS um modelo de gestão mais centralizado como é feito no governo federal. Coloca servidores públicos quase como intocáveis no que se refere í salários e benefícios, propíµe maior participação do Estado em processos que atualmente são terceirizados e coloca como secundária a questão do controle do déficit do Estado, principalmente se houver necessidade de sacrifícios dos servidores públicos, mostrando aí uma diferença básica entre as duas candidaturas.
A terceira via que se apresenta no RS é encabeçada pelo candidato do PMDB José Fogaça. As diretrizes de seu plano sugerem que não haja exageros em ambos os lados. Fala em conciliação das forças políticas sugerindo que o acordo entre todos é o desafio do RS para retomar o crescimento. A única novidade que o candidato apresenta é a de gerir as regiíµes com orçamento próprio, o que já é caracterizado na prática pelo atual governo Yeda Crusius e que dificilmente entram no plano das propostas para o governo pré-projetado de Tarso Genro.
São apenas conjecturas de propostas apresentadas, já que a campanha pra valer inicia somente daqui a algumas semanas. Mas já são sinais colocados no ar e que deverão fazer parte dos debates que virão pela frente. Mas o que importa é que existem, sim, diferenças ideológicas entre as três candidaturas. São diferenças que nenhum cidadão verdadeiramente democrata as deveria considerar como absolutamente erradas, ou absolutamente certas. São propostas divergentes e em certos momentos conflitantes, onde ganhará a que o eleitor mais achar simpática conforme sua própria ideologia. E é nestes momentos que devemos nós, brasileiros e gaúcho, termos muito claro onde queremos chegar ao ambiente coletivo que será vivido por nós e por nossos filhos e netos. E após sabermos, por exemplo, se queremos um governo mais invasivo e centralizado como modelo ideal para nossa situação, ou se queremos um governo menos invasivo e mais liberal para nós, devemos investigar em que lado estão nossos candidatos, tanto aos cargos executivos quanto aos legislativos. No meio dificilmente alguns deles estará, somente se for para enganar seu eleitor.


