CHOCOLATE NA MEDIDA CERTA

8 de abril de 2012

 

Estudo publicado em uma revista cientí­fica da Sociedade Americana do Coração comprovou que mulheres que comem chocolate amargo até duas vezes por semana reduzem o risco de doenças cardí­acas em até 33%. No entanto, as que comem todos os dias não se beneficiam. Nesta pesquisa, os cientistas analisaram dados de cerca de 32 mil mulheres entre 48 e 83 anos ao longo de nove anos, o que confere ao estudo um elevado poder de confiabilidade.

De alguns anos para cá, diversos estudos cientí­ficos têm tentado apontar novas descobertas sobre o impacto do chocolate sobre a saúde do homem. Porém, todos estes estudos comprovaram melhoras na saúde somente com o consumo de chocolates amargos.

Não só o sistema cardí­aco é beneficiado com o consumo do cacau. Na composição do chocolate encontra-se, em grande quantidade, uma substância denominada de teobromina que estimula levemente o sistema nervoso central, melhorando o humor, aliviando a fadiga e favorecendo as funçíµes renais. Contudo, o consumo repetido e em excesso pode trazer algumas complicaçíµes ao ní­vel do humor e criar habituação no organismo. A medida certa é o ponto de equilí­brio entre os benefí­cios e malefí­cios.

Outros pontos positivos em relação aos demais componentes da sua formulação também são evidenciados, e vão desde a melhora do colesterol até redução atividade coagulante do sangue, passando por efeitos interessantes na pressão arterial, na função do revestimento de vasos sanguí­neos, doença de Parkinson e a de Alzheimer.

Os chocolates são ricos em três tipos de gorduras: ácido oléico, ácido esteárico e ácido palmí­tico. O ácido oléico é um dos componentes do popular í”mega 9. Esse composto participa de diversas reaçíµes do nosso metabolismo, bem como ajuda na produção de hormí´nios e na regeneração de tecidos que sofreram alguma lesão, como a queimadura solar. Por este terceiro motivo, esse óleo é amplamente empregado na produção de bronzeadores e cremes pós-sol, auxiliando na recuperação das queimaduras. Já o ácido palmí­tico tem a capacidade de aumentar os ní­veis de colesterol no sangue. Desta forma o consumo moderado do chocolate é ponto chave. Cabe ressaltar aqui que a qualidade amarga do produto contém outras substâncias que ajudam a modular o colesterol, tornando essa caracterí­stica do ácido palmí­tico praticamente irrelevante.

Além do ácido oléico, a presença de grande concentração de flavonóides confere ao chocolate amargo um dos efeitos protetores da saúde mais relevantes. Estas substâncias têm a capacidade de promover proteção cardiovascular. Fazem isso através da redução do chamado estresse oxidativo, que são reaçíµes quí­micas lesivas ao corpo humano e envolvidas na origem de diversas doenças, como a aterosclerose, a doença de Parkinson, a doença de Alzheimer e outras.

Os efeitos dos flavonóides explicam algumas revelaçíµes de estudos japoneses e italianos que mostraram que os chocolates amargos têm a capacidade de reduzir os ní­veis sanguí­neos do colesterol ruim, o LDL, e de aumentar os ní­veis do HDL, o colesterol bom.

Alguns estudos europeus apontaram uma descoberta em comum: o chocolate amargo aparentemente consegue reverter os danos í s paredes das artérias e veias promovidas pelo cigarro e pelo envelhecimento. Além disso, mostraram que coraçíµes transplantados têm uma melhora de sua própria vascularização quando adicionada a ingestão destes chocolates í  dieta.

Quanto í  pressão arterial, não se sabe ao certo se os efeitos observados refletem um fato cientí­fico. Mesmo assim, vale citar que trabalhos apontam para uma discreta diminuição na pressão arterial de pessoas que comem chocolate amargo diariamente. O estudo mais relevante nessa área evidenciou que, dias após a suspensão da dose diária de chocolate, a pressão dos pacientes voltou a aumentar.

A coagulação sanguí­nea é o importante evento que promove a parada de sangramentos após lesíµes como cortes ou laceraçíµes. Entretanto, algumas disfunçíµes promovem a formação de coágulos dentro dos vasos sanguí­neos. Isso é observado em situaçíµes como o infarto do coração e o AVEi (Acidente Vascular Encefálico isquêmico, também conhecido como de AVC isquêmico).

Foi comprovada a capacidade dos flavonóides de reduzir, ainda que de forma modesta, a tendência do sangue a sofrer coagulação. Também auxiliam no funcionamento das células do revestimento interno das veias e artérias. E a boa noticia é que o chocolate amargo é uma das fontes alimentares mais ricas nestes componentes.

í‰ falando de aminoácidos que entramos em um dos aspectos mais interessantes da composição quí­mica dos chocolates. O chocolate contém quantidades relevantes de triptofano, fenilalanina e tirosina. Estes aminoácidos são precursores da produção das substâncias que promovem a comunicação entre as células do cérebro: os neurotransmissores.

A produção da adrenalina (neurotransmissor do estresse) e da dopamina (neurotransmissor do prazer) ocorre a partir de componentes que podem ser encontrados no chocolate. Assim, fica clara a associação do chocolate aos seus efeitos positivos no humor. Porém, é nesse mesmo âmbito que se deve ressaltar a capacidade dos efeitos negativos destes neurotransmissores. Pessoas com enxaqueca tendem a ter suas dores desencadeadas com consumo de chocolate. E, pessoas que tomam os antidepressivos conhecidos como IMAO podem ter sua pressão arterial aumentada.

Aos amantes do chocolate ao leite e do chocolate branco, as notí­cias não são tão interessantes. Praticamente nenhuma das informaçíµes citadas se aplica a eles, além de que são ricos em calorias.

Precisa ficar claro que a maioria dos benefí­cios sugeridos até o momento está ligada í  base dos chocolates: o cacau. E, quanto maior a concentração dos derivados do cacau, melhores serão os efeitos do chocolate para a sua saúde. í‰ essa concentração que difere o chocolate amargo (alta concentração de derivados do cacau) do chocolate ao leite (baixa concentração).

 


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