Estudo publicado em uma revista científica da Sociedade Americana do Coração comprovou que mulheres que comem chocolate amargo até duas vezes por semana reduzem o risco de doenças cardíacas em até 33%. No entanto, as que comem todos os dias não se beneficiam. Nesta pesquisa, os cientistas analisaram dados de cerca de 32 mil mulheres entre 48 e 83 anos ao longo de nove anos, o que confere ao estudo um elevado poder de confiabilidade.
De alguns anos para cá, diversos estudos científicos têm tentado apontar novas descobertas sobre o impacto do chocolate sobre a saúde do homem. Porém, todos estes estudos comprovaram melhoras na saúde somente com o consumo de chocolates amargos.
Não só o sistema cardíaco é beneficiado com o consumo do cacau. Na composição do chocolate encontra-se, em grande quantidade, uma substância denominada de teobromina que estimula levemente o sistema nervoso central, melhorando o humor, aliviando a fadiga e favorecendo as funçíµes renais. Contudo, o consumo repetido e em excesso pode trazer algumas complicaçíµes ao nível do humor e criar habituação no organismo. A medida certa é o ponto de equilíbrio entre os benefícios e malefícios.
Outros pontos positivos em relação aos demais componentes da sua formulação também são evidenciados, e vão desde a melhora do colesterol até redução atividade coagulante do sangue, passando por efeitos interessantes na pressão arterial, na função do revestimento de vasos sanguíneos, doença de Parkinson e a de Alzheimer.
Os chocolates são ricos em três tipos de gorduras: ácido oléico, ácido esteárico e ácido palmítico. O ácido oléico é um dos componentes do popular í”mega 9. Esse composto participa de diversas reaçíµes do nosso metabolismo, bem como ajuda na produção de hormí´nios e na regeneração de tecidos que sofreram alguma lesão, como a queimadura solar. Por este terceiro motivo, esse óleo é amplamente empregado na produção de bronzeadores e cremes pós-sol, auxiliando na recuperação das queimaduras. Já o ácido palmítico tem a capacidade de aumentar os níveis de colesterol no sangue. Desta forma o consumo moderado do chocolate é ponto chave. Cabe ressaltar aqui que a qualidade amarga do produto contém outras substâncias que ajudam a modular o colesterol, tornando essa característica do ácido palmítico praticamente irrelevante.
Além do ácido oléico, a presença de grande concentração de flavonóides confere ao chocolate amargo um dos efeitos protetores da saúde mais relevantes. Estas substâncias têm a capacidade de promover proteção cardiovascular. Fazem isso através da redução do chamado estresse oxidativo, que são reaçíµes químicas lesivas ao corpo humano e envolvidas na origem de diversas doenças, como a aterosclerose, a doença de Parkinson, a doença de Alzheimer e outras.
Os efeitos dos flavonóides explicam algumas revelaçíµes de estudos japoneses e italianos que mostraram que os chocolates amargos têm a capacidade de reduzir os níveis sanguíneos do colesterol ruim, o LDL, e de aumentar os níveis do HDL, o colesterol bom.
Alguns estudos europeus apontaram uma descoberta em comum: o chocolate amargo aparentemente consegue reverter os danos í s paredes das artérias e veias promovidas pelo cigarro e pelo envelhecimento. Além disso, mostraram que coraçíµes transplantados têm uma melhora de sua própria vascularização quando adicionada a ingestão destes chocolates í dieta.
Quanto í pressão arterial, não se sabe ao certo se os efeitos observados refletem um fato científico. Mesmo assim, vale citar que trabalhos apontam para uma discreta diminuição na pressão arterial de pessoas que comem chocolate amargo diariamente. O estudo mais relevante nessa área evidenciou que, dias após a suspensão da dose diária de chocolate, a pressão dos pacientes voltou a aumentar.
A coagulação sanguínea é o importante evento que promove a parada de sangramentos após lesíµes como cortes ou laceraçíµes. Entretanto, algumas disfunçíµes promovem a formação de coágulos dentro dos vasos sanguíneos. Isso é observado em situaçíµes como o infarto do coração e o AVEi (Acidente Vascular Encefálico isquêmico, também conhecido como de AVC isquêmico).
Foi comprovada a capacidade dos flavonóides de reduzir, ainda que de forma modesta, a tendência do sangue a sofrer coagulação. Também auxiliam no funcionamento das células do revestimento interno das veias e artérias. E a boa noticia é que o chocolate amargo é uma das fontes alimentares mais ricas nestes componentes.
í‰ falando de aminoácidos que entramos em um dos aspectos mais interessantes da composição química dos chocolates. O chocolate contém quantidades relevantes de triptofano, fenilalanina e tirosina. Estes aminoácidos são precursores da produção das substâncias que promovem a comunicação entre as células do cérebro: os neurotransmissores.
A produção da adrenalina (neurotransmissor do estresse) e da dopamina (neurotransmissor do prazer) ocorre a partir de componentes que podem ser encontrados no chocolate. Assim, fica clara a associação do chocolate aos seus efeitos positivos no humor. Porém, é nesse mesmo âmbito que se deve ressaltar a capacidade dos efeitos negativos destes neurotransmissores. Pessoas com enxaqueca tendem a ter suas dores desencadeadas com consumo de chocolate. E, pessoas que tomam os antidepressivos conhecidos como IMAO podem ter sua pressão arterial aumentada.
Aos amantes do chocolate ao leite e do chocolate branco, as notícias não são tão interessantes. Praticamente nenhuma das informaçíµes citadas se aplica a eles, além de que são ricos em calorias.
Precisa ficar claro que a maioria dos benefícios sugeridos até o momento está ligada í base dos chocolates: o cacau. E, quanto maior a concentração dos derivados do cacau, melhores serão os efeitos do chocolate para a sua saúde. í‰ essa concentração que difere o chocolate amargo (alta concentração de derivados do cacau) do chocolate ao leite (baixa concentração).


