CIRURGIA BARIíTRICA E REVERSíO DA DIABETES MELLITO TIPO 2

4 de julho de 2012

 

Menos de 50% dos pacientes com Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) atingem o controle glicêmico adequado com a terapia medicamentosa. Estudos observacionais mostraram melhora no controle glicêmico com cirurgia bariátrica, além de melhorar o controle dos fatores de risco cardiovasculares.

Um estudo publicado pelo The New England of Medicine indica a cirurgia bariátrica como o tratamento mais eficaz para diabetes tipo 2. Concebida para o tratamento para perda de peso, esses estudos apontam agora que a cirurgia é, também, uma excelente abordagem para o tratamento de diabetes e doenças metabólicas. O estudo foi promovido a partir das dificuldades encontradas por especialistas em tratar pacientes obesos com diabetes tipo2, haja vista que a insulina e outros medicamentos hipoglicêmicos utilizados no tratamento frequentemente provocam ganho de peso adicional, acarretando mais problemas.

 Foi comprovado que, além da redução da glicemia e do peso, houve redução significativa do colesterol total e os triglicerí­deos, bem como aumento da concentração do colesterol HDL. Outro fator levantado pelo estudo foi a redução do risco de acidente cardiovascular ou outras complicaçíµes relacionadas.

                      O estudo avaliou 60 pacientes de 30 a 60 anos, severamente obesos “ IMC maior que 35kg/m2 “ com diabetes avançada. Os grupos foram divididos em três, cada qual com um tipo diferente de tratamento, mas todos rigorosamente monitorados no pós-tratamento, no que tange a incorporação de hábitos alimentares e um novo estilo de vida, mais saudável. Em acompanhamento posterior “ realizado durante dois anos “ as taxas de remissão foram de cerca de 85% para cirurgia bariátrica (75% de bypass gástrico e 95% para a derivação biliopancreática) e zero para a terapia medicamentosa, em pacientes com IMC maior do que 35kg/m2.

De acordo com outras pesquisas, a perda de peso não foi o motivo principal da remissão. Assim sendo, a continuidade dos estudos visa analisar os reais mecanismos pelo qual cirurgia melhora o diabetes, auxiliando na compreensão da doença. Atualmente o New York-Presbyterian/Weill Cornell Centro Médico vem realizando um estudo comparativo entre pacientes com IMC de 26 a 35, tratados com cirurgia bariátrica (bypass) e com medicamento.

Já, Pesquisadores da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, estão testando uma nova cirurgia para a cura da doença. Cinco pessoas foram submetidas ao procedimento e quatro delas já estão curadas, dispensando até mesmo a insulina, enquanto a quinta conseguiu reduzir em até 80% a ingestão da substância. Tal fato é atribuí­do a um desvio da passagem do alimento de maneira que ele evite a primeira parte do intestino. Assim, os médicos da Unicamp descobriram que esse procedimento secundário provoca o aumento de uma substância chamada GLP1 que, por sua vez, estimula o pâncreas a produzir insulina. E, essa descoberta levou a uma alteração da técnica cirúrgica, não sendo mais obrigatória a redução do estí´mago para alcançar o objetivo da remissão da diabetes tipo 2. Sendo necessária, agora, apenas a costura do estí´mago entre 70 até 80 centí­metros depois do ponto original do intestino. A nova técnica, assim, pode ser aplicada até mesmo a pacientes não obesos.

Os custos associados í  diabetes representam um enorme fardo sobre os sistema de saúde, fator que pode ser minimizado com a utilização das cirurgias bariátricas, uma abordagem mais econí´mica para pacientes obesos com diabetes.

 


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