Easthewaldo Gonçalves também era conhecido erroneamente por Estevaldo e por Aestevaldo. Fornecemos informaçíµes sobre sua biografia em virtude de ser o único das geraçíµes de faroleiros que exerceram atividades no farol e que residiu até o fim de sua existência no município, criando, assim, um grande vínculo com a cidade.
O farol de Torres, quando era guarnecido, teve alguns faroleiros e entre eles estava o Easthewaldo. Venturella em seu livro a História do Farol de Torres destaca este faroleiro por que ao se aposentar, Easthewaldo, escolheu Torres para morar até o fim de sua vida.
Eu como morador da cidade nunca tinha ouvido falar de faroleiros, muito menos de Easthewaldo. Acho que, como eu, muita gente não sabe que tivemos por 46 anos diversos faroleiros zelando pelo farol de Torres.
Neste ano, mais precisamente em 25 de Janeiro de 2012, o farol de Torres completou 100 anos de existência e não tivemos nenhuma comemoração ou homenagem a este senhor centenário que por muitos anos serviu de orientação aos nossos navegantes.
Sei que a importância de um farol hoje está bastante reduzida, porém há 100 anos era imprescindível sua construção. Na gestão do Contra-Almirante Alexandrino Faria de Alencar (que foi homenageado com nome de rua em Torres), como Ministro da Marinha autorizou a construção de nove faróis e faroletes na costa gaúcha. Em 1908, com o objetivo de melhorar a iluminação na costa torrense, foi autorizada a construção do Farol de Torres a partir de uma lei orçamentária.
De 1912, quando foi construído o primeiro farol, até hoje a costa torrense nunca mais ficou í s escuras. Foram quatro faróis que se revezaram nestes cem anos, em 1912 foi colocado o mais glamoroso, com sua torre Mitchell francesa feita com placas de aço que duraram pouco tempo (í esquerda na fotografia acima). Em 1928, o segundo, uma torre tipo esqueleto em forma piramidal (no meio da fotografia acima) que pelo tipo de estrutura se manteve em pé por 24 anos. Em 1952 o terceiro farol (í direita na fotografia acima) foi construído com uma estrutura de concreto, tijolo e argamassa para permanecer mais tempo, e permaneceu. Embora substituído pelo quarto e último farol em 1993, ele ainda está na torre norte servindo para propósitos não menos importantes. O quarto farol na verdade ocupa a torre da antiga CRT e com certeza é o menos expressivo, embora seja o mais alto de todos.
Estes dados foram retirados do livro de Roberto Venturella que brilhantemente escreveu a história deste farol através de pesquisas e da história oral resgatada de parentes e moradores da cidade. Esta foi uma grande homenagem ao Farol de Torres feita em 2006, seis anos antes do centenário e que eu recomendo a todos que um dia subiram no morro do Farol e se questionaram a respeito da existência e da importância desta estrutura na torre norte.
O Farol de Torres é mais um patrimí´nio histórico da cidade que precisa urgentemente de um olhar mais atento das autoridades e da população em geral. Ele está sem manutenção, embora zelado pelo ICMBio, e precisa ser restaurado para permanecer por mais cem anos como um legado aos faroleiros, navegantes, cidadãos e visitantes desta cidade sempre turística que é Torres.
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Referência
VENTURELLA, Roberto. A história do Farol de Torres. Porto Alegre: AGE, 2006.


