A cidade de Torres iniciou sua povoação com uma mistura de açoriano, índio e alemão. Mas os principais colonizadores foram os açorianos vindos de Florianópolis e de Mostardas. O mais interessante é que quando falamos em açorianos sempre nos lembramos dos portugueses, porém a ilha dos açores também foi colonizada por pessoas vindas dos países baixos e foram estes que para cá vieram. Borges (van der Berg), Silveira (van der Haagen), Rosa (van Roosen), Terra (van Aard) e Brum (van der Bruyn) estes são sobrenomes que vieram dos Açores e viraram torrenses, por opção (ou falta dela).
Conseguimos constatar a presença, na Torres daquele tempo, de pelo menos três patriarcas açorianos autênticos, nascidos no Além-Mar e que vieram morrer aqui, rodeados de filhos e netos. São os seguintes: João Martins da Rocha, falecido em 1910, com 67 anos e sepultado em Osório. Era natural da ilha Terceira e foi pai de Francisco Martins da Rocha e sogro de Elias da Silveira, dois importantes fazendeiros e povoadores da região da Itapeva e Estância do Meio. José Silveira, natural da ilha de São Jorge ou da de Faial, falecido em 1811, com 80 anos e sepultado no cemitério da Itapeva. José Pereira Brum, natural da ilha do Pico, morto em 1813, aos 70 anos. Era da família flamenga dos Bruyn e deixou descendentes no município.
A população torrense sempre foi uma grande mistura de etnias e hoje continua sendo. As pessoas que continuam vindo para Torres têm diferentes motivaçíµes, se for no verão ou alta temporada: trabalho e renda ou turismo e lazer; se for no inverno ou baixa temporada: aposentadoria ou estudos. Claro que estas motivaçíµes estão sintetizadas, pois poderíamos elencar muitas mais. O que interessa mesmo é que estas pessoas vêm e fazem com que Torres se modifique a cada temporada.
Hoje Torres ainda recebe muita gente que vem de fora e que adota a cidade como sua. Há bem pouco tempo Torres era conhecida como cidade dos aposentados (ou ainda é). Muitas pessoas de Porto Alegre, Caxias e outros lugares do RS e do Brasil, ao encerrarem suas carreiras escolhiam Torres como seu lugar para morar. Conheço muita gente de fora que diz que ao se aposentar escolherá Torres para morar. Não vejo nada de mal nisso, pelo contrário acho muito bom. Essas pessoas geralmente possuem boas rendas, cultura e conhecimentos variados que certamente enriquecerão nosso meio.
Torres também recebe muitos estudantes (já recebeu mais) que vêm de cidades próximas, de Caxias do Sul, Porto Alegre e até de outros estados. Alguns destes que aqui estudaram, ficaram e aqui desenvolvem suas atividades, outros voltaram í s suas cidades de origem. Este é o balé torrense da alta e baixa temporada, uns vêm e vão, outros vêm e ficam.
Descendentes de índios, Açorianos, Alemães foram os primeiros moradores de Torres, hoje soma-se a eles uma diversidade de pessoas vindas de diferentes cidades do RS, do Brasil e do exterior e que bem refletemo grande caldeirão de etnias que é o Brasil.
RONI DALPIAZ
_________________________________________________________
Site: www.ronidalpiaz.com.br e-mail: ronidalpiaz@gmail.com
Referências
Ruschel, Ruy Ruben. Torres tem história. Porto Alegre:EST, 2004.


