Torres há muitos anos sofre de problemas crí´nicos e, até hoje, de difícil solução. O principal problema é a sazonalidade (que não é exclusiva de Torres) que mergulha a cidade no ostracismo na maior parte do ano. A falta de qualificação da mão-de-obra local é um dos efeitos da sazonalidade, cada ano que passa novos funcionários são recrutados e treinados pelas empresas que ao final da temporada escolhe os que permanecerão. Os descartados saem em busca de empregos em outras cidades ou esperam para a próxima temporada ficando em empregos informais. O ciclo reinicia no ano seguinte. Esta troca constante afeta diretamente a qualidade no atendimento dos serviços oferecidos em hotéis, restaurantes, bares e comércio em geral.
Outro problema que já apresentei outras vezes nesta coluna é a falta de definição do público alvo para a cidade (traduzindo: quem queremos que venha para Torres). Este parcialmente resolvido pela pesquisa abordada a seguir.
A prefeitura de Torres, através do Programa Cresce Torres, realizou nos meses de janeiro a março de 2012 uma pesquisa do Perfil do Turista. Esta pesquisa pode ser uma rica fonte de informaçíµes para os empresários e para todos que vivem do turismo em Torres (direta ou indiretamente TODOS). Antes de analisá-la gostaria de deixar claro que minhas constataçíµes são exclusivamente de cunho científico e com a clara intenção de colaborar para o crescimento da mesma.
A grande virtude desta pesquisa é certamente a busca de um perfil de turista. Quem ele é, o que o trouxe aqui, como ele escolheu onde ficar, onde ficou, quanto tempo ficou, quanto gastou (este faltou), qual seu poder aquisitivo (esse também faltou), qual a sua idade, seu estado civil, se possui filhos (faltou), seu grau de instrução, sua ocupação principal, onde mora, o que gostaria de fazer na cidade (faltou), o que achou dos serviços públicos e privados, e enfim sua avaliação geral da cidade. Temos um perfil daquele turista que está vindo para Torres, agora teremos que ver se é este que buscamos realmente, se for então tratemos de preparar a cidade para ele.
Para uma melhor definição do perfil do turista a pesquisa realizada poderia ter uma pergunta filtro que isolasse o turista do veranista. Esta mistura com certeza contamina muitas respostas deixando-as imprecisas em alguns pontos. De acordo com a pesquisa 83% dos respondentes são turistas e 17% são veranistas (pois possuem segunda residência em Torres). Por exemplo, a estimativa de distância da residência do entrevistado até Torres tem como resposta até 300 km com uma incidência de 52%, se retirarmos os veranistas deste número teremos 35% e não mais os 52%, o que em números reais é uma grande diferença. Se 35% dos entrevistados vêm de Porto Alegre, retirando os veranistas teremos 18% apenas. Isto tudo supondo que estes veranistas entrevistados fossem da capital (o que não é verdade).
Apesar desta dificuldade podemos retirar informaçíµes valiosas como a que 80% dos entrevistados já conheciam Torres, e destes 20% vieram pela primeira vez. Isto quer dizer que a cada 10 pessoas que vêm a Torres, 8 voltam. Aqui caberia uma pergunta complementar: O que o fez voltar? Muita coisa saberíamos a partir desta pergunta.
O turista que vem a Torres utiliza como principal meio de hospedagem o hotel ou pousada (58%) e em segundo lugar o imóvel locado (22%). Pelo que se viu nesta pesquisa 24% dos entrevistados recorreu í internet para encontrar onde se hospedar. Levando em conta que cerca de 80 milhíµes de pessoas têm acesso í internet e que 87% dos internautas a utilizam para pesquisar produtos e serviços, temos um potencial imenso a explorar. Um terço de todas as vendas de varejo feitas no Brasil é através da internet, que chegou ao terceiro lugar de veículo de maior alcance depois do rádio e TV.
Para nossa surpresa, de acordo com a pesquisa, um dos problemas decorrentes da sazonalidade está prestes a não mais existir. Diferentemente do que visualizamos e percebemos, a qualidade no atendimento em diversos serviços pesquisados tiveram ótima avaliação.
O bom desta pesquisa é que estamos no caminho certo, pois 88% dos entrevistados estão satisfeitos com o que a cidade apresenta para eles. Sinceramente eu gostaria que eles fossem mais críticos, porque temos muito caminho a percorrer na busca de mais qualidade e melhores serviços.
Roni Dalpiaz


