Os seres humanos têm utilizado o álcool desde os tempos pré-históricos. Ingerido hoje por seus efeitos sobre o humor, no passado foi utilizado como anestésico, tí´nico e desinfetante. E, até hoje, consta na fórmula de muitos medicamentos.
O álcool etílico (etanol), principal ingrediente ativo em bebidas alcoólicas, é produzido através da fermentação do amido ou açúcar. Por isso, quase todos os alimentos doces ou ricos em amidos “ batatas, cereais, mel, uvas e outras frutas, e até dente-de-leão “ podem ser transformados em álcool.
Ao contrário da maioria dos alimentos, o álcool não é digerido. Em vez disto, 95% são absorvidos pela corrente sanguínea, no estí´mago e no intestino delgado, em até uma hora após sua ingestão (os outros 5% são eliminados pelos rins, pelo pulmão ou pela pele). O fígado decompíµe ou metaboliza o álcool num período de tempo que depende de vários fatores: sexo, peso e biofísico da pessoa, seu nível de tolerância, que aumenta com o tempo e o consumo.
Também deve ser considerado o fato de ter sido consumido junto com outros alimentos ou não. Em média, o fígado leva cerca de 3 a 5 horas para metabolizar completamente 30ml de álcool.
Ainda que os efeitos sejam os mesmos a longo prazo, bebidas destiladas, como whisky e gim, têm um impacto mais imediato do que vinhos ou cervejas, e qualquer bebida alcoólica é absorvida mais rapidamente quando misturada com uma bebida gasosa, como club soda. Uma vez na corrente sanguínea, o álcool chega ao cérebro em questão de minutos. Em princípio, ele age como estimulante, produzindo euforia. Imediatamente após, produz uma sensação de torpor e, finalmente, leva ao sono ou í inconsciência. A ingestão rápida de uma grande quantidade de álcool pode ser fatal.
O termo teor indica concentraçíµes de álcool; no Brasil, o teor alcoólico é indicado em graus. Assim, uma bebida a 45 ° de álcool.
Efeitos adversos do álcool:
O consumo excessivo de álcool resulta, invariavelmente, em ressaca. O necessário para gerar esta situação lastimável varia de um indivíduo para o outro. Os sintomas podem ser sede, dor de cabeça, diarréia, desarranjos gastrintestinais, náusea e irritabilidade. Como o álcool tem efeitos diuréticos, a pessoa geralmente acorda sentindo-se desidratada; beber água antes de dormir pode reduzir esses efeitos. A gravidade da ressaca é parcialmente influenciada pelos congêneres, produtos secundários do processo de fermentação que dão í bebida sabor, cor e aroma. Quanto mais congêneres em uma bebida, mais forte é a ressaca. O conhaque tem a maior quantidade de congêneres, seguido, em ordem decrescente, por vinho tinto, rum, whisky, vinho branco, gim e vodca.
Outros efeitos mais graves do álcool são:
Cérebro e sistema nervoso. O álcool reduz o fluxo sanguíneo para o cérebro e é também tóxico para as células cerebrais. O uso excessivo e prolongado resulta em perda de memória, danos neurológicos e até demência.
Fígado. Por metabolizar o álcool, fica vulnerável a danos, inclusive fígado adiposo, hepatite alcoólica e, eventualmente, cicatrizes ou cirrose.
Coração. Mesmo pequenas quantidades de álcool podem provocar arritmias cardíacas. O uso prolongado do álcool aumenta o risco de hipertensão e doenças do coração, especialmente cardiomiopatias, o aumento e o enfraquecimento do músculo cardíaco.
Sistema digestivo. O álcool aumenta a produção de ácido clorídrico (o ácido do suco gástrico), que pode agravar uma úlcera. Também relaxa o esfíncter entre o esí´fago e o estí´mago, resultando em azia devido a um refluxo de ácido.
Efeitos nutricionais:
Pequenas quantidades de álcool estimulam o apetite e a digestão, mas o abuso rapidamente anula estes benefícios. Um simples fim de semana de bebedeira causa um acúmulo de células adiposas no fígado. Mesmo com o extraordinário poder de recuperação deste órgão, o uso contínuo acarreta danos hepáticos permanentes e problemas na metabolização de glicose, de diversas vitaminas e minerais. As deficiências nutricionais podem gerar distúrbios mais graves, inclusive anemia, danos neurológicos e problemas mentais.
O uso prolongado do álcool geralmente resulta em excesso de peso, mesmo que a pessoa faça as refeiçíµes normalmente, sem exageros. Isto porque o álcool é rico em calorias e é, muitas vezes, consumido com alimentos gordurosos e altamente calóricos, como amendoim salgado e batata frita.


