Consumo de peixes no estado éseis vezes menor que o recomendado

25 de outubro de 2011

Por Guilherme Rocha*

   

De acordo com a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) de 2008-09, o consumo anual de peixe do brasileiro é de 9 kg, enquanto a média mundial é de 16 kg de pescado por habitante ao ano. A quantidade recomendada pela Organização mundial de Saúde é de, ao menos, 12kg de peixes por ano.  O percentual de indiví­duos que reportaram a ingestão de pescado, pelo menos uma vez na semana, foi de apenas 6,4%. Também foi verificado na pesquisa que somente 10,8% dos brasileiros declaram o consumo fora do domicí­lio. Aqui em Torres, como estamos perto do mar, o peixe é figura mais freqí¼ente em nosso cardápio. E este hábito, além de gostoso, mostra-se uma opção muito mais saudável que o tradicional (e matador) churrasco.

   

Os benefí­cios do peixe

 

 

Nutricionista Antoniela Vieira

   

Apesar da grande extensão do litoral brasileiro, a ingestão de pescado no Brasil ainda é muito pequena. E aqui no Rio Grande do Sul, a situação chega a virar um risco para a saúde, pelo excesso no consumo de carne vermelha. í‰ o que explica a nutricionista Antoniela Vieira, da clí­nica Essencial. Os peixes são ricos em í´mega 3, que é uma gordura boa, importante para nosso organismo pelo seu efeito anti-inflamatório. Já a carne bovina, que é consumida exageradamente em nosso estado, possui grande quantidade de í´mega 6, que se ingerida em excesso acarreta em inflamaçíµes indesejáveis, como rinite, sinusite e bronquite. A nutricionista complementa dizendo que os peixes marinhos, que vivem em águas geladas do oceano, são os mais ricos em í´mega 3, pois necessitam de maior proteção no frio.

 

Antoniela indica que alguns peixes como salmão, atum, arenque e sardinha, estão entre os peixes mais recomendados para o consumo, e enumera ainda os benefí­cios do alimento em uma dieta regular   Os peixes são boas fontes de todos os aminoácidos essenciais, que ajudam a formar as proteí­nas, necessárias para o crescimento e a manutenção do corpo humano. São também fontes importantes de ferro, vitamina B12, cálcio e gorduras essenciais, fundamentais ao bom funcionamento do organismo, além de evitarem doenças cardiovasculares. Trata-se de um alimento que deveria ser incorporado constantemente ao cardápio da população, ao menos duas vezes por semana, conclui.

   

Os desafios da produção

   

De acordo com o Ministério da Pesca, desde 2003 se geraram 500 mil novos empregos no setor pesqueiro, que hoje emprega quatro milhíµes de pessoas no paí­s.Apesar da produção de pescado ter crescido 15,7% nos últimos seis anos (1,2 milhão de toneladas em 2009), ela ainda é pequena para um paí­s com 7.367 quilí´metros de litoral e que tem 12% da água doce disponí­vel no planeta.A produção brasileira é insignificante perante potências pesqueiras e inclusive inferior í  de paí­ses como o Chile e Peru.

 

   

O exemplo do pescador

 

 

 

João Luiz da Rosa joga sua tarrafa ao mar

   

Nos molhes de Torres, João Luiz da Rosa joga mais uma vez sua tarrafa no rio Mampituba. Dessa vez ele não pegou nada, mas ele diz que em outras ocasiíµes já teve muito mais sorte. Já consegui pegar 60 peixes em uma só tarrafada. Além dá corvina, aqui na foz do Mampituba, já peguei também bastante tainha e bagre. O pescador conta que pesca quase todos os dias, e quando a pescaria é farta, os peixes em excesso são vendidos ou dados para amigos. Imagino o peso do peixe no olho mesmo, e decido o valor dele na hora quando vendo. O pessoal compra bem, vendo de porta em porta ou aqui mesmo nos molhes, mas só vendo quando tá sobrando peixe para mim mesmo, para minha comida.  

No estado da Amazí´nia, o consumo per capita anual de peixe é de 40kg. Já a região sul do Brasil é a que menos incorpora o pescado em seu cardápio, são apenas 1,6 kg ao ano por habitante. Mas aqui em Torres, pessoas como João Luiz vão contra esse padrão que prioriza a carne vermelha. Ele me diz que não gasta muito no supermercado com comida, pois sua alimentação é basicamente fundada no pescado. De vez em quando eu gosto de um churrasco, mas como peixe quase todos os dias. Pode ser ensopado, assado ou um filezinho frito. Na minha casa comemos mais de dois quilos de peixe por dia, e temos uma vida muito saudável, muito difí­cil ter doenças, finaliza João Luiz.

 

   *com informaçíµes do Portal da Saúde (Governo Federal) e UOL.


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